Por Diego Cartier & Marcelo Cury

Carlos Galhardo – Alah-la Ô

“… Brasileiro sofre, mas arrasa na felicidade, né? Fudidos e mal pagos, mas pelados no Carnaval …” – Rita Lee

Carnaval!

Clima de festa, bebida e samba.

Entrando nessa, resolvemos arriscar uma combinação: Cerveja & Doces. Será que isso dá samba?!

Pensar nesse casamento pode soar estranho para muitos, mas quem se permitir, irá se surpreender com tantas combinações para lá de interessantes.

Vale a pena arriscar!

Para colocarmos em prática essas experiências, escolhemos ninguém mais, ninguém menos, que Flávio Federico, renomado chef pâtissier, que selecionou algumas de suas melhores criações para testarmos com diferentes cervejas.

Flavio é um cara super acessível, repleto de tatuagens e curte seu heavy metal tanto quanto criar seus doces.

Ele é um “doceiro” que ama o que faz e esta sempre inovando. Busca novos ingredientes em cada local que vai e sempre se arrisca.

Em uma destas brincadeiras criou o sorvete de Schwarzbier, com a cerveja da Cervejaria Bamberg.

Logo se vê que assim como nós, Flavio ama cerveja e prontamente topou nossa “brincadeira”.

Para participar também convidamos Guilherme Schwinn e Michele Xavier, que estavam de passagem por São Paulo.

A Flavio Federico Dolci fica localizada na Alameda dos Arapanés, 540, Moema, São Paulo; Tel.: (11) 5051-5277

Seguindo as sugestões do próprio Flavio, separamos algumas combinações.

Acredite, estas são apenas algumas de diversas possibilidades, pois existem cervejas para todos os tipos de doces.

O resultado você confere abaixo

1. Nøgne Ø God Jul com Suprema:

Carmem Miranda – Ta-hi

Já degustamos essa belíssima cerveja norueguesa de natal aqui.

As notas de chocolate amargo, trufa e malte torrado casaram maravilhosamente bem com esse bolo inteiramente de chocolate.

O Suprema é recheado com ganache de chocolate meio amargo, coberto e decorado com, adivinhe (!), mais chocolate.

A cerveja ainda traz notas de noz, cravo, frutas secas, baunilha e especiarias, que acabam dando um “algo a mais” nessa harmonização, fazendo com que a força do chocolate presente em ambos não ficasse enjoativa.

Foi um dos pontos altos da tarde, todos se deliciaram.

2. Cantillon Fou’Foune com Suspiro Limeño:

Vocalistas Tropicais – Turma do Funil

Essa harmonização levou todos os presentes ao céu!

Que cerveja, que doce!

Essa Fruit Lambic de damasco é aconselhada pela Cantillon a ser degustada o mais jovem possível, para assim a fruta se tornar mais presente.

Foi exatamente isso o que fizemos, essa Fou’Foune era safra de 2011, recém trazida da Bélgica.

Realmente o maravilhoso aroma e sabor do damasco se faziam mais presentes, juntamente com a acidez característica e marcante dessa família única do mundo das cervejas, mas que ainda não está tão forte, como estaria se tivéssemos escolhido uma safra de mais idade.

Inclusive, foi discutido que valeria muito a pena fazer essa comparação, escolher a mesma cerveja, mas de diferentes safras.

Quem sabe logo não fazemos?

Essa cerveja de fermentação espontânea é uma das diversas pérolas produzida pela mais autentica e tradicional produtora de Lambic: Cantillon.

Com uma cor de ouro pálido, levemente turva, apresenta um aroma recheado de damascos frescos, que dominam o olfato, que se complementam com um delicioso floral e uma leve acidez.

De corpo leve, é cítrica e bem refrescante.

Poderíamos passar um dia inteiro tomando essa cerveja.

No sabor, o damasco continua a nos encantar e a acidez aparece novamente, de forma um pouco mais marcante que no aroma, mas ainda leve e sem sair do contexto.

É simplesmente única e maravilhosa!

Casou perfeitamente com o suspiro limeño, que por si só é espetacular e tem como ingredientes: creme de leite condensado, amêndoas, damascos macerados, marshmallow de vinho do porto e amêndoas torradas.

Ficou sen-sa-cio-nal!!!

Certamente a melhor combinação de todas.

Um realçou o outro.

Além da semelhança do damasco presente em ambos, o vinho do porto caiu como uma luva quando encontrou essa cerveja e tivemos um equilíbrio de doçura e acidez, com uma complementando a outra, de tal forma que todos queriam repetir diversas vezes.

Tendo duas das melhores produções da Cantillon e do Flavio, seria impossível não dar certo!

3. St Bernardus com Torta Mantiqueira:

Zé da Zilda – Saca Rolha

Essa cerveja é um verdadeiro clássico e finalmente está de volta ao Brasil.

Para quem não sabe, dizem que se trata da mesma receita da Westvleteren 12, que de fato, foi produzida nessa cervejaria durante um longo tempo.

De cor marrom escura, quase preta, com uma tonalidade avermelhada e uma belíssima espuma cremosa, traz um aroma delicioso e um sabor inesquecível.

No olfato, traz frutas secas, uvas-passas, peras, bananas e toffee.

No paladar, é condimentada, levemente amarga e sentimos novamente frutas secas, banana, toffee, terminando com um final alcoólico que aquece a boca.

O encontro com a Torta Mantiqueira, foi outra harmonização dos deuses!

O doce tem uma massa bastante crocante, com bananas carameladas, ganache de chocolate meio amargo e merengue de café.

Imediatamente depois do primeiro gole e da primeira mordida, podemos sentir como funcionou: as notas de bananas se encontraram e acabamos tendo um terceiro sabor, com destaque para uma sensação de especiarias e ficou parecendo que a cerveja fazia parte dos ingredientes da torta.

É daquelas combinações que preenchem a boca, onde o par se completa.

Excelente!

4. Brooklyn Monster Ale com Eclipse:

Mirabeau Pinheiro e Lúcio de Castro – Você Pensa Que Cachaça é Água

Mousse de chocolate recheado com cerejas azedas maceradas com mais uma ótima produção sazonal de Garrett Oliver.

Trata-se de uma potente barley wine, que matura 4 meses até ser engarrafada e é uma cerveja de guarda.

De cor cobre, límpida e com boa espuma, apresenta notas de nozes, madeira, vinho do porto, frutas vermelhas e frutas secas.

Tem um início doce, paladar picante e um final com amargor destacado, proveniente dos 3 lúpulos usados.

A idéia aqui era unir as frutas vermelhas, já que o Eclipse é um delicioso mousse de chocolate recheado com cerejas azedas maceradas.

Separados, são excelentes, mas a sensação alcoólica juntamente com o amargor da cerveja, acabaram sobressaindo ao doce.

5. Bierland Imperial Stout com Macaron de Maça com Canela

Jararaca – Mamãe Eu Quero

A Bierland é uma cervejaria brasileira, localizada em Blumenau, Santa Catarina.

Esta cerveja foi lançada no mercado com boa receptividade, embora para o nosso paladar, ela está um pouco mais leve e adocicada do que esperariamos de uma Imperial Stout.

Porém continua sendo uma boa cerveja.

De coloração negra e espuma cremosa bege, possui no aroma notas de maltes tostados, café e chocolate amargo.

Corpo médio com notas de café e maltes torrados na boca, um certo residual de docura e alcool bem inserido.

No final amargor presente e bem duradouro, bem como acidez proveniente dos maltes torrados.

As notas de café e chocolate presentes na cerveja juntamente com o sabor de maça e canela do macaron, criaram um terceiro sabor, trazendo uma sensação como se fosse um bolo com todos esses ingredientes, tendo um encontro do residual de doçura presente na cerveja com a especiaria da canela e leve acidez da maça.

Mais uma vez, um complementou o outro, deixando ambos ainda melhores do que já são e olha que ambos individualmente são muito bons.

Os diferentes componentes ficaram em perfeita harmonia, o que deixou essa experiência surpreendente!

Foi outra das favoritas da tarde e alguns se dividiram entre essa combinação e a da Fou’Foune com Suspiro Limeño.

Saúde!

Lembrando: Carnaval é festa. Beba boa cerveja. Se divirta. Mas não dirija! :-)

* Fotos por Michele Meiato Xavier