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O Mundo segundo Tio Dino

por Tio Dino

"Fiz sexo com a ironia e nasceu isso. Dei descarga nos valores, abracei o cinismo e tenho aquilo que toda mulher procura: sarna pra se coçar."



Eu só queria ir pra Cachoeiro

O azar segue um padrão: vem sem avisar. Só consegui escrever esse texto agora, porque nas duas tentativas anteriores eu não passava do segundo parágrafo sem chorar.

Eu tinha algumas alternativas para passar a virada de ano. A primeira: um retiro espiritual – meus pecados ainda estavam frescos na memória do capeta, o que poderia contribuir para um desequilíbrio na harmonia Cristã. A segunda: Búzios – não tenho cara de Búzios. Tenho uma alma de Piscinão de Ramos aromatizando com o Tietê. O mais perto de Búzios que já fui foi numa consulta a um pai de santo. Terceira: Europa – sem chances. Continuarei por algum tempo conhecendo a Europa só de Google. Ou, no máximo, me aproximando de um filtro d’água. E o último: Espírito Santo – um convite muito estranho. Deve ser por isso que eu resolvi aceitar: sempre gostei de um desafio.

O destino era Marataízes, litoral sul capixaba, com uma parada em Cachoeiro de Itapemirim – lugar onde Roberto Carlos deixara saudades e uma perna. O fim de ano faz com que as companhias aéreas se digladiem por passageiros nos presenteando com preços absurdamente baratos. Mas achei que Vitória era muito longe e resolvi sair do Rio direto para Cachoeiro. De ônibus. A passagem para o inferno com escala no limbo acabara de ser comprada.

Se o diabo precisasse de coletivo, com certeza usaria os serviços da Viação Itapemirim: carros sem ar-condicionado para uma viagem de mais de 6 horas.

Ainda na rodoviária Novo Rio, já tinha uma ideia do que me esperava. Deveríamos sair por volta das 23h08min e só partimos realmente às 23h30, sabe-se lá por que. Mal saímos do portão e os primeiros problemas surgiram. O pessoal pensou que estava indo para um churrasco e desandou a comprar cerveja dos ambulantes que aproveitavam o engarrafamento para faturar uns trocados. Eu, sentado ao lado do banheiro na última poltrona, via o entra e sai de pessoas apertadas e sentia o cheiro de mijo irradiando uma felicidade desesperada.

Em Niterói o ônibus pifa.

- O que aconteceu motorista?
- Acho que o ônibus ficou com saudade de casa.
- Qual o problema?
- Arrebentou a correia do alternador.
- Não dá pra fazer nada?
- Dá. Esperar outro ônibus.

Depois de 1 hora e meia a espera de outro veículo que pudesse nos levar até o nosso destino, surge um ônibus saído diretamente do interior do Afeganistão ou de algum museu do início da era dos transportes coletivos. A grande diferença deste, além do cheiro de mofo, era o ar-condicionado, que impressionantemente funcionava (!).

E dá-lhe mais cerveja pra comemorar. Dava a impressão de que os passageiros nunca haviam viajado em um ônibus com banheiro e queriam aproveitar ao máximo a experiência abrindo de minuto em minuto esta parte desprivilegiada do veículo.

À uma hora de Mimoso do Sul o ônibus substituto quebra.

- É falta de ar.
- Porra, é a primeira vez que viajo num negócio que se parece com meu avô. Qualquer subida já cansa.
- Sem ar não tem freio. Não dá pra abrir o bagageiro. E a descarga não funciona.
- E qual é a notícia ruim?

Ficamos horas intermináveis a espera de alguma coisa que nos tirasse dali. E em nossos sonhos estavam motos, carroças, paus-de-arara ou bicicletas. Celular, rádio, walkie talkie, pombo correio, sinal de fumaça… nada funcionava. Estávamos presos a um Triângulo das Bermudas. Até o eco de nossos gritos era respondido com um “NÃO TEM NINGUÉMMMMM”.

Voltei para dentro do ônibus tentando me acalmar e abri um livro. Um moleque de uns treze anos abriu a porta do sanitário e falou alto para um senhor que se aproximava: “pai, a descarga não funciona?”, “Luiz, você fez cocô?”… Mentalizei profundo e disse: “puta que o pariu”. Saímos todos do coletivo infestado por uma fragrância de urubu em decomposição.

Sentíamo-nos andarilhos num deserto de asfalto, terra e poeira. Quando num misto de realidade e miragem, um ônibus da Itapemirim surgia no horizonte. Desceram dois mecânicos e um motorista. Uma habilidade tão grande para detectar o problema que só me leva a crer que aquilo seja mais frequente que as linhas que eles disponibilizam.

- A gente vai trocar de ônibus, moço?
- Nem adianta. Esse aqui não vai caber na rodoviária de Mimoso.

Seguimos viagem ao som de resoluções de Ano Novo, que incluíam escolher melhor as empresas com qual viajávamos, promessas de banho de sal grosso, orações a São Cristóvão e outros ruídos indecifráveis. Em Cachoeiro, muito próximo da estação, um gordinho simpático foi até minha poltrona e perguntou.

- Moço, você sabe se tem alguém no banheiro?
- Não sei. Acho que não.

E vomitou. Todo refrigerante e a coxinha que o faziam ter esse formato arredondado.

Quando vi uma garrafa de guaraná Dolly rolando até bater em meus pés, não me restava a menor dúvida: era a assinatura que faltava para este belo relato.

***

E Marataízes? Peguei um sol de rachar por três horas e até hoje estou descascando. O resto do fim de semana foi de chuva. Água que não caía por lá havia cinco anos.

Nunca mais voltarei pra buscar 2011. Se quiser que venha sozinho, e de Viação Itapemirim!


Microcrônicas

Estive recentemente com Pesquisa, renomada analisadora de problemas comezinhos de nosso cotidiano. Alertou-me sobre os perigos de tentar levar uma vida extramente saudável: “Pode dar câncer” e o esmalte vermelho em mulheres de meia idade: “Mais propensas a um relacionamento sério”, diz Pesquisa.

Pesquisa abordou também alguns problemas urbanos interessantes como as bitucas de cigarro. A quantidade delas despejadas anualmente no chão de nossas metrópoles daria para alimentar a África inteira por 5 anos. Se o pessoal de lá comesse bitucas, evidentemente.

Alheio à nossa conversa didática estava Estudo, seu marido, que do outro lado da varanda contemplava um céu enegrecido.

Ergueu a mão e firmou o indicador para o grande cinza: “Vai chover”, apontou Estudo.

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As discussões não levam a nada porque não foram suficientes para render um soco. As agressividades das suas palavras é que direcionam meu punho contra a vossa face.

Chega de violência gratuita. Vamos capitalizar!

Uma pesquisa da Middlesex University, de Londres, revelou que 85% dos turistas brasileiros se preocupam com a violência no Rio de Janeiro. Os estrangeiros se preocupam menos: 61%.

O que me preocupa no Rio não é sair na rua. É conseguir voltar dela.

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Não existe uma prova classificatória para casamentos e a procriação de filhos. Embora houvesse, estaria sob a sentinela de um apêndice governamental como o MEC, que o subjugaria ao anencéfalo ENEM.

Qualquer babaca com alvará pode vir a ser um progenitor de sucesso e transmitir seus genes iluminados a uma pobre criança. Afinal, a cabeça que pensa não participa do processo.

Ninguém pede para nascer. Mas clama aos céus para ser chamado de idiota.

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O novo Ministério das Irregularidades cumpre bem o seu papel ao escolher especialista em propina para a Secretaria de Escândalos. O Gabinete da Subtração e Prejuízo ao Tesouro já deu seu parecer favorável à contratação de aviltadores de carreira.

O subsecretário da Agência Regulamentadora de Fomento à Fraudes foi enfático em seu desacordo de eliminar o Plano Nacional de Usurpação do Erário da pauta da Câmara.

José Sarney vê um Brasil mais claro, democrático e torpe com essas medidas.

Isso e aquilo outro você encontra mais na Fan-Page Tio Dino.


Um oferecimento

com Claudecir Pire.


O filho perfeito

Meu filho terá todas as benesses: receber a luz e ser amamentado. Depois disso, quero que se vire. Não no sentido trocadilhesco da frase, mas no sentido da vida: sempre para frente.

Será guiado, em seus primeiros anos, por quem o queira em bons caminhos. Terá, neste tempo, o que sempre quis: alguém que o proteja. Receberá os brinquedos que valham a pena e espero que faça tantos amigos quanto aplicativos que baixar para seu iPhone.

Quando adolescente, quero que descubra o mundo, mas não pelo Google. Ele precisará muito mais de realidade que Internet. Pelo menos para atravessar a rua.

Quero que use o Twitter de forma saudável, preferindo levar mais a sério estudos, trabalho e as contas, que um mero tweet de piada. Se resolver fazer um blog, que o faça bem e que ganhe o prestígio e o retorno por méritos, não por um projeto atrelado a alguma mamata governamental.

Embora eu prefira Kiss, poderá curtir a banda maquiada e colorida que quiser. Contando que saiba o que é o Amazonas. E que existe, sim, civilização por lá.

Sua adolescência será tradicional. Descobrirá putas e encobrirá outras. Jurará amor eterno. Realizará algumas cagadas, irá se f*der, mas, espero, sempre com camisinha.

Saberá a hora de começar um porre da mesma forma que saberá como parar. E esperamos que a cada viagem dessa, volte.

Quando for para a faculdade, quero que seja maduro, mas não tanto. A sociedade e as diretrizes os querem responsáveis e esperançosos em uma profissão aos 18. Deveriam deixá-los ao menos enlouquecer sem remorso durante uma festa de tetas e vistosas bucetas bunda a fora.
Ao se formar, o quero íntegro. Não mala. Se tem uma coisa de que não precisamos é de malas, muito menos sem bagagem.

Não o quero em cima do muro para qualquer assunto. O mundo precisa de pacificadores, mas não precisa de bundões. Estes, as revistas especializadas já cuidam.

Se escolher ser solteiro, que sua escolha o sustente. Se escolher ser casado, que sua escolha sustente a todos. Na idade adulta, só o que peço dele é consideração. São dessas coisas que velhos gostam. Aliás, são coisas como essas que fazem velhos descansar em paz. Muito mais que uma aposentadoria.

Enquanto isso não acontece com ele, vou tentando comigo.


O que espero do Rock in Rio

Primeiro, que “Rock” no nome pudesse fazer sentido. A cada evento, a palavra ficar mais parecida com uma faixa de pedestre: meramente ilustrativa e não muito respeitada.

Sou um fervoroso defensor de que, se uma coisa tem nome, ela precisa ter uma conexão com esse nome. Num exemplo equivocado, é o mesmo que você ir ao Crepe do Gilson e só ter coxinha.

Faço parte de uma geração que via a imagem do roqueiro carregada de significado. As roupas rasgadas, os cabelos ruins, tatuagens mal feitas e hits grudentos. O que vemos nos palcos de hoje são modelos de São Paulo Fashion Week depois da enchente. Gritando pelo resgate.

O Rock in Rio é mais ou menos isso. Enquanto você espera pelo crepe, eles vão te empurrando um monte de coxinha. Sem recheio algum.

Eu lia e ouvia falar dos pedidos em cada camarim e sempre imaginei como seria comigo. Como seriam os meus pedidos.

Bem, eu quero:

Paula Fernandes e Joss Stone, de lingerie.

Um Pterodáctilo, só pra depois de embriagado tentar falar o nome dele.

Discos do Justin Bieber, Luan Santana, Restart, uma caixa de fósforos e álcool.

Um saleiro que não fique entupido.

100 toalhas brancas com “SUA LINDA” bordadas para entregar às fãs.

Embalagens em que o “rasgue aqui” funcione.

Muita comida light e cerveja sem álcool, que é pra jogar fora e falar “vamo parar com essa putaria”.

Um Pogobol, mulheres de patins, um Pense-Bem, o Sérgio Mallandro e… opa, isso está parecendo o Prêmio Multishow.

A paz mundial.

***

Por enquanto é isso. O que espero do show da vida é mais retorno e menos microfonia.


Novas teorias

Há pouco mais de um mês no Rio de Janeiro, deparei-me com uma situação corriqueira já observada em outras grandes cidades – mas potencializada pela observação mais contundente. São os labradores obesos de apartamento. Um problema endêmico que merece atenção.

Por outro lado, verifiquei também um outro fenômeno – decorrente dos possíveis ou não, donos desses animais.

Depois do falso magro e do falso gordo, agora há um terceiro termo a ser incorporado nos estudos de comportamento: o falso saudável. Ele corre, faz exercícios, come saladinha e no final do dia enche a cara de cerveja a bordo de um fabuloso sanduíche recheado de infarto.

Falso saudável. Taí. Há muito tempo eu queria inventar uma desculpa embasada para mim mesmo.

5 Dicas Para se Tornar Um Falso Saudável

1 – Tenha frutas em casa. O suficiente para esconder o pedaço de bacon a ser utilizado depois da partida das visitas.

2 – Correr na praia e no parque é um sinal de uma pessoa preocupada com seu bem-estar. Faça isso levando em conta um local com um número representativo de pessoas. Afinal, ser saudável apenas para si mesmo não tá com nada, as outras pessoas precisam ver seu esforço. Use camisa cinza. O suor aparece mais.

3 – Academia é o templo do corpo e o altar dos órgãos genitais. Matricule-se e frequente horários de pico da mulherada. Quando convidar alguma pra sair, lembre-se sempre de começar com “que tal bebermos um suco de tomate com fibras e compostos orgânicos, hein?”. Aí depois você pode meter uma dose de vodca sem ela perceber.

4 – Pedalar com uma criança (mesmo emprestada, ex: sobrinho) é um ótimo canalizador de boas vibrações. Mostra que você é preocupado com a saúde e a fim de constituir família. Vá ao bar só depois de entregar a criança em mãos responsáveis.

5 – Se você tiver grana, a escolha de esportes pouco praticados e de elite, como squash, pólo aquático e rúgbi darão um ar de aristocracia patife ao seu “falso-saudável” jeito de ser. Sempre depois rolam picanhas suculentas e uísques com idade para serem pais das filhas de seus amigos. Se não tiver dinheiro, uma boa alternativa é o futevôlei, que, além de acessível, é praticado por subcelebridades e artistas de diferentes naipes. Além de você parecer preocupado com a forma, também parecerá preocupado com a roda social em que vive.


Steve Jobs e o pecado capital

Para quem estava acessando a internet de um PC e só conseguiu ler a notícia agora, Steve Jobs anunciou a sua saída do comando da Apple. E, não duvido, logo, logo do mundo. Uma decisão até esperada, levando em conta seu quadro de saúde cada vez mais impreciso e delicado. Jobs está, por assim dizer, só a capa do iPhone.

Alguns livros babam na maçã do criador da marca mais significativa da área tecnológica. Frisam sua habilidade na transformação de pedra em papel, de projeto maníaco em ícone de uma geração. Há também relatos pouco afáveis da sua pouca paciência com subordinados, truculência com decisões e alguns casos estranhos de espionagem industrial, com indícios de subtração de patente.

Uma coisa, em especial, me faz admirar Jobs e não é a capacidade de se parecer cada dia mais fino que seus produtos. É a de acreditar em ideias.

Foi uma dessas apostas que levantaram a Apple depois de cair não tão madura assim. E foi também um desses anseios visionários que criaram uma das mais fabulosas empresas de sonhos que os olhos tiveram a chance de admirar, a Pixar. O investimento em talento deu vida a uma ideia que poderia morrer na burocracia do tempo e do medo.

Não tenho nenhum produto Apple, nem morro de amores por eles. Mas gosto de quem acredita em talentos. Mesmo ainda que seja um escroto, mal-amado, sacana. No mundo dos negócios, quanto menos amigos, mais chances de negociações serem lucrativas.

Se bem que esta falta de amigos pode ser um problema se um dia você precisar, sei lá, de um transplante de fígado. Não é mesmo?


Atualizando grandes cases da publicidade, volume 49


Aforismos sobre pais para o dia deles

Meu pai era um cara de status. No trabalho, ocupado, em casa, ausente. E, segundo minha mãe, na cama offline.

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Quando minha mãe engravidou, quem sentia desejo era meu pai. E, geralmente, era o de ir pro bar.

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Recebi por e-mail uma promoção de maleta de ferramenta pro Dia dos Pais. Espero que venha com um bom veda-rosca pro cara que teve a ideia

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- Meu pai foi atingido por um rádio a pilha que caiu do 10º andar.
- Machucou?
- Não, mas não consegue tirar “Você, você, você quer” da cabeça.

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“Um dia isso tudo vai ser seu”. Disse meu pai olhando para os carnês na mesa.

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Nada de bobagem de Iphone. No meu tempo, rico era quem ligava pro velho vir buscar de carro no colégio quando chovia.

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Pior do que não saber de onde vem, é ele ainda te chamar de “pai”.

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Papai cantava uma música de bichinhos pra gente dormir: “oncinha pintada, zebrinha listrada, coelhinho peludo… Vão se fuder!”

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A mulher do meu amigo está grávida. Se ele já está feliz, imagina o pai!

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Pai que reclama de professora gostosa: fera, no meu tempo só o que dava pra comer era a merenda.

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Meu pai sempre foi avesso a novidades. Para me aceitar levou 15 anos.


C*: uma abordagem respeitosa

O psicanalista Amaro Pinto, morto em 1969, tem uma frase que norteia muitas de nossas discussões sobre sexualidade. “Tanto na vida, como na cama, 99% do sucesso de um texto sobre sexo depende da introdução”.

A edição deste mês de Playboy traz um tema que sempre ficou pra atrás nas discussões sobre sexualidade. O tabu do c*. Sandy, continuando o ciclo que sempre cumpriu ao lado do irmão, foi a protagonista. Numa verdadeira aula de como lidar com assuntos obscuros, tirou de letra as brincadeiras na internet. Sua entrevista suscitou a importância do vale tudo no lado feminino pelo prazer. Ponto para quem virou mulher. Melhor ainda para quem virou mulher com opinião sustentada.

Demorei a tocar nesse assunto esperando que o fogo cessasse, os trocadilhos expirassem, a conversa ficasse amena. Mas quando colocamos o c* na roda, nada parece delicado, dúctil. A espera pela sacanagem ameaça a toda a hora o parágrafo.

Em tempos remotos, o uso anal era celebrado entre os homens. O melhor exemplo é Alexandre, O Grande, que ganhou o apelido depois de ser visto de costas, após uma noitada com algum serviçal. A própria Grécia, que hoje está com o c* na mão, cultuava a maneira como esta parte asterisca do corpo era utilizada. Para eles, um caminho reto, e de mão dupla.

Quando a mulher fala disso abertamente, sem as preocupações éticas que nunca fizeram um pau levantar, ganha respeito – por incrível que pareça. Quando alguém se posiciona, não dá margem a especulações. Não fica sob uma fantasia de pessoa imaculada, cuja a única merecedora deste título é sua mãe, mas porque você não faz muita questão de saber como fora concebido.

Sandy estudou Letras. Deve conhecer vários eufemismos para se expressar quando chegar ao prazer por aquele local.

O c*. Já que todos querem dar nome aos bois, por que não começar a dar à anatomia também?