Autor

O Mundo segundo Tio Dino

por Tio Dino

"Fiz sexo com a ironia e nasceu isso. Dei descarga nos valores, abracei o cinismo e tenho aquilo que toda mulher procura: sarna pra se coçar."



RISOS!

Havia um engraçadinho carente embaixo da passarela que levava à rodoviária. Desviei meu olhar, porque quando algum deles nos veem querem logo um sorriso, gargalhada, essas coisas baratas. Não adiantou a alegria.

- Hei, tio, me dá um trocadilho.

- Desculpe, mas só estou com a minha risada de trabalho.

- Tio, é um trocadilho pra comprar uma tirada.

- Sei. Vai é atrás de 140 caracteres de alguma droga! Onde estão seus pais?

- Tão lá no semáforo fazendo stand up. Era pra eu tá vendendo gracejos. Se eles sabem que estou pedindo me matam de rir.

- Eles tinham algum tipo de trabalho? Como faziam pra manter o hilário do mês?

- Bem, o último trabalho deles era uma piada.

- Hum, daí resolveram partir pra piada vagabunda. Você deveria estar na escola. Pensando em ser no futuro um homem de grande ironia.

- Sarcástico assim como o senhor?

- Não sou tão sarcástico como você pensa. Eu só trabalho duro pra ter o meu cinismo. Minha carteira está vazia. Não tem nem graça.

- …

- Pare de me olhar assim. Vamos, pegue essa deixa. E pense naquilo que eu te disse.

- Obrigado, tio. O senhor tem um bom humor.


OSCAR 2011

Segue nossa lista para o OSCAR 2011 de acordo com a subjetividade da internet, do hype e da gloriosa piada pronta.

Emocionem.

MELHOR LONGA
“José Alencar”
“Kid Bengala”
“Dívidas de Começo do Ano”

MELHOR ATOR
Lula – “Lula”
Lula – “Dilma”
Tiririca – “Lula”

MELHOR ATRIZ
Psicóloga – “A Psicóloga do Porta-malas”

MELHOR DIREÇÃO
Fernando Alonso (“Jogo de Equipe”)
Rafael Palladino (“Caso Banco Panamericano”)
Estradinha da Vila Cruzeiro pro Complexo do Alemão

MELHOR ATOR COADJUVANTE
José de Abreu (“O Discurso da Dilma”)
Michel Temer (“Debute de Marcela Temer”)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Dilma Rousseff (“Posse da Dilma”)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL E, CONSEQUENTEMENTE, ADAPTADO
“Sexo Ocasional”

“A crise da Palma na Paraíba″

“O Engraxate e as Drogas

MELHOR ANIMAÇÃO
“Segunda-feira”
“Visita da sogra”
“Bingo”

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Boninho.

MELHOR FOTOGRAFIA

MELHOR DOCUMENTÁRIO
“MORRE DEABO”

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Extradição de Cesare Battisti

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
“Suzana Diva”

MELHOR MAQUIAGEM
“Cristiano Ronaldo”
“Vídeo oficial dos jogos de 2016”
“Peruca do Eike Batista”

MELHOR MONTAGEM
“Gravidez da Geisy Arruda“ – Sites de fofoca e Twitter.
“Operação da Ariadna“ – Doutor Dhalsim.
“Seqüestro do Somália” – Por ele mesmo.

EFEITOS VISUAIS
“Luan Santana e Débora Secco”
“Umbigo da Fernanda Vasconcelos”
“Peito estrábico da Suzana Vieira”
“E.T. Bilu”


XingaFácil

A internet é feita de modinhas. A do momento, além de simulação de gravidez para aparecer na mídia, são os sites de compras coletivas. Foi aí que resolvemos fazer o nosso.

O XingaFácil é o primeiro site de xingamentos coletivos da rede mundial de computadores. Nele, você escolhe a marca e/ou produto que apresentou problemas em destaque. Atingindo o número mínimo de descontentes, a ofensa é ativada.

Exemplo:

Compre seus créditos de Fod*-se agora mesmo.

Te cuida, Zuckerberg.


Cada um sabe a talula que tem

Não tenho absolutamente nada contra homens que se vestem de mulher (caso do Laerte). Alguns até esperam uma vez no ano para fazer aquilo que gostariam de fazer o ano todo (caso do Carnaval).

Mas ser macho é isso que vem abaixo.

Já se foi a época em que arrancar o pinto fora era coisa de mulher ciumenta. Hoje, virou filosofia de vida. Os psicoterapeutas e analistas buscam ano após ano uma explicação neurológica e comportamental para a iniciativa de retirar o pênis e viver como a mulher que nunca existiu. No fim das contas, o que me parece razoável, é que segurar uma Torre de Pisa entre as pernas não é pra todo mundo. Tem que ter culhão.

Ariadna Thalia, participante eliminada do BBB e disparado a personagem mais interessante do reality show, saiu como entrou: sem nada. Mas tirou da mesa operatória uma discussão que havia se apaziguado desde o episódio obscuro envolvendo um ídolo do esporte bretão: até onde a briga de espadas pode ser tolerada pela sociedade?

Se a causa gay já é um tabu, o travesti então é o coletivo de preconceito.

Um tema complicado. Falar disso sempre é pisar em ovos.

A saída da transexual da atração não só desestimulou o debate, como também deixou comediante mais frustrado que eunuco em suruba.

A propósito…

Com a saída da Ariadna a bola da vez é a Paula?


O maravilhoso mundo encantado do ambiente corporativo

Depois de algum tempo de férias, a gente perde um pouco a prática de fingir que trabalha. As primeiras semanas parecem começar com umas 4 segundas-feiras a mais e qualquer manifestação de alegria vira ofensa pessoal.

Quatro filosofias que levo para a vida – dentro e fora do ambiente corporativo:

1ª – Ninguém faz um bom-dia enviando arquivos Power Point.

2ª – Desconfie de quem se diz “excitado com o trabalho”. Geralmente é o pau no c* da firma.

3ª – Zona de conforto é um puteiro com estofados macios.

4º – O cliente tem sempre razão. Mas isso enquanto eu tiver paciência.

Dito isso, vamos ao que interessa.

O ambiente corporativo é um dos melhores locais para a exploração de funcionários e da criatividade. Separamos algumas sacanagens para essa volta triunfante.

- Cole post-it embaixo do mouse óptico do colega e observe alguém irritado.

– Troque o papel de parede por uma mulher pelada enquanto alguém for ao banheiro.

- Mas antes tire o rolo de papel higiênico de lá.

– Reclame da vida, simule um choro com soluço e sinalize um suicídio. Pegue um manequim, vista com suas roupas e jogue do 6º andar berrando qualquer coisa.

– Aperte todos os andares do elevador. Espere as 12 pessoas entrarem e saia.

– Afrouxe cadeiras, coloque sal no café e encha de cola lugares de muito contato.

– Passe recados para a secretária como “avisa o Oliveira que a mulher dele acabou de sair do Motel com alguém. E o carro era um Diplomata”.

– Chegue bem cedo e amarre uma faixa preta na entrada da empresa.

– Espere escurecer. Desligue o contador e no completo breu jogue de 10 a 15 bombinhas em um pequeno grupo.

Se você está de férias forçadas, popularmente conhecido como desemprego ou vagabundagem assistida, as dicas precisam ser outras.

Evite colocar em seu curriculum vitae:

– Palavras difíceis. Incluindo o seu nome.

- Dizer que já teve um e-mail respondido pelo Zezé di Camargo não quer dizer muita coisa.

– Que é presidente do fã-clube do Luan Santana muito menos.

– Fotos de balada não funcionam. Já tentei.

– Habilidades na salsa e merengue, neste caso, não levam a nada.

– Não é preciso colocar o link para o perfil do Orkut, Facebook ou Twitter. Essas ferramentas só serão utilizadas na hora de despedir você.

– Depoimento da sua mãe sobre o seu caráter não tem credibilidade no mundo corporativo.

– Elimine “datilografia e silk-screen” dos cursos complementares.

– Escola da Vida não é formação acadêmica.

– Ser presidente da República não é objetivo profissional. É acaso mesmo.

Já empregado, seu próximo passo é superar os obstáculos profissionais e os desafios do dia a dia, que incluem minimizar janelas de MSN ao menor sinal do patrão.

Desculpas para quando seu chefe pegar você usando uma rede social no trabalho:

- Você é a terceira pessoa que diz que este site que estou criando se parece com o Orkut.

- Depois de 30 anos, finalmente encontrei meu pai! Me abraça, chefe!

- Tudo limpo. Ninguém da empresa está usando Twitter.

- Pronto. Terminei minha apresentação sobre os malefícios do uso das redes sociais no trabalho.

- Preciso avisar o Mauro. Consegui um doador de fígado pra ele através do Facebook.

- Chefe, essa modelo escandinava está pedindo o número do seu telefone.

- Não estou navegando no My Space. Só resolvi colher referências para nossa nova chamada de espera.

- Precisamos sair logo do prédio. Recebi um scrap anônimo.

PS:
Atenção executivos, experimentem substituir “Hoje tem palestra motivacional” por “mulheres e cerveja!”. O resultado é surpreendente.


Dossiê novela

O que me faz discutir novela é sua estrutura óbvia, farta de clichês, mastigada em excesso e muito demorada. Um típico almoço de família italiana.

É o entretenimento que pega a todos pelo acaso, fazendo com que você comente mesmo que sustente ter uma aversão quase “Gersoniana” pelo assunto.

A novela é, desde sempre, o principal produto da TV. E suas particularidades são mais do que conhecidas:

- Os núcleos pobre, classe média e rico são bem definidos. Já o de humor é sempre questionável.

- Capítulos. Como os primeiros 15, 30 são gravados na pauleira, pouca coisa pode ser mudada se na primeira semana o povão não entender nada. Em seguida, é feita uma reunião com donas de casa que apontam coisas interessantes, como o brinco da protagonista ou então pedem para o gay da trama não ser tão gay assim.

- Já reparare que italiane de novele falare tudo portuguese e de repenti do nade lasca um italiane? É de duê o cuore.

- As cenas de ação de uma novela, junto do dólar baixo frente às exportações, são os principais problemas do Brasil hoje.

- Flashbacks são inseridos na metade da história para realocar telespectadores com lapsos de memória. E, SEMPRE, estas cenas são acompanhadas de um efeito sonoro “SFIUUU”, borrando as laterais e saturando personagens. Para deixar claro, mas MUITO claro, que se trata do passado.

- Pra vender produto, já que novela cada dia mais é só um comercial gigante, a coisa fica mais escancarada que no show de Truman. O sujeito fala o nome do banco e como tal xampu é bom exatamente como qualquer um de nós nunca fala.

- Cena de briga é sempre aquele meio-termo entre soco do Didi e shoyariuken.

- Os palavrões autorizados são “merda”, “cocô” e “bosta”. Gerson vibra.

- Parece que entenderam que Hans Donner só consegue fazer coisas metálico-coloridas e passaram a chamar artistas diversos. A abertura de Passione, apesar de bonita, foi o maior foco de dengue da história da teledramaturgia nacional. Ministério da Saúde: FICADICA.

- Assassinato. Por que cargas d’água todo assassino precisa ser desmascarado no meio de um monte de gente? São uns 12 espremidos numa sala e cada um recita um diálogo, tentando se passar como peça-chave de qualquer esclarecimento. Até a empregada participa com um “com ou sem açúcar?”.

Seguem nossas sugestões para as próximas sinopses.

Dez enredos impossíveis ou plausíveis de novelas

1 – Rapaz rico, de nome composto, vive a amargura de estar ao lado de quem não ama. Uma bomba atômica muda tudo.

2 – Empresário do ramo de alucinógenos vive um grande dilema: yate ou mansão? O núcleo classe média alta da novela é quem o sustenta durante toda a trama.

3 – Gêmeos siameses querem encontrar o seu EUs.

4 – Uma família típica italiana tenta resolver passado e futuro em um jantar. Lá pelo 84º capítulo levantam da mesa.

5 – Um avião lotado de políticos cai em uma mata fechada e ninguém é encontrado. Paralelamente um país inteiro vive sem se importar.

6 – Flávio ama Roberta, que ama Luis, que ama Antônia, que ama Gilberto, que ainda não comeu ninguém.

7 – Um torneiro mecânico perde um dedo e é aposentado por invalidez. Fim… Ué! Tava pensando em quem?

8 – Tony Ramos interpreta o primo Hiti numa novela baseada na Família Addams.

9 – A novela juvenil Zoeir@ Tot@l mostra adolescentes obesos, brancos, com problemas de convívio social botando para quebrar em um rede social irada.

10 – José Mayer é um padre.

Com ajuda do inclassificável @aperteoalt


Dez critérios utilizados pelo pobre na hora de batizar o filho

1 – Combinações. Geralmente pega-se o nome de pai, avô e mãe. Fica uma coisa mais ou menos assim: Claudemarioneide.

2 – Geografia. De Uáchinton a Sidiney, o Mapa Mundi é um celeiro de inspirações.

3 – Show business. Os nomes mais populares do cinema e da música, reunidos numa única certidão de nascimento: Maicow Jéquisson Chuarzineguer Disney dos Santos.

4 – Nomes compostos. O pobre sempre sofreu com a falta de recursos. Portanto, acha que aumentando o número de nomes pode dar uma vida mais feliz ao filho. Caso de Jeniffer Luiza Raquel Caroline Oliveira da Silva, 31 anos, diarista.

5 – Y. Tem Y no nome, é 85% de chances de ser pobre.

6 – Homenagens. De remédio a atacante do Flamengo: pobre adora uma homenagenzinha.

7 – Marcas. Eu mesmo já falei com um Philips e outro das antigas chamado Syncachambor.

8 – Eventos. O pobre não pôde ter vivido algo marcante na sua vida que já quer compartilhar com o filho. Exemplo: Udistoque, Rarley (o cometa) e o pior de todos: Tsunami.

9 – Confusões. Isso explica um conhecido, que se chama Pracedino. No dia, o tabelião perguntou: “Qual o nome”, ao passo que o pai respondeu: “Óia, é pra cê Dino”.

10 – Religiosidade. “O nome do meu filho vai ser a primeira coisa que eu ler na Bíblia”. Adivinha como ficou o nome do garoto? Sumário.


Larga o Facebook e vai ver uma praia

Rede social é aquela da varanda.

Mesmo sem sol, eu CURTI isso.


Morre um texto

Hoje, 12 de janeiro, morre mais um texto na internet brasileira. Em meio a milhões deles, irá se perder como uma boa alma que chega aos céus via uma nuvem de tags.

Este texto não é famoso, nem sequer foi assinado por engano em rodas de e-mail pelo Carlos Drummond ou o Veríssimo. Se pelo menos tivesse uma boceta ou um caralho bem inserido, daria até para passar por engano como um fragmento de memórias do Rubem Fonseca, ou, pra tentar salvar do esquecimento completo, uma masturbação mental do Jabor.

Mas não, ele escolheu o anonimato. Até por sua qualidade literária abaixo da linha da cintura. Estaria aí talvez a explicação de nunca ter feito parte da coleção Vagalume, não ter conseguido carreira no cinema ou sequer ser o culpado pela pseudo-morte de Totó na novela.

Ele é mais um desses pobres deslidos. Nem para bula de remédio quiseram receitá-lo.
Por muita sorte, alguém pode dar com ele sem querer procurando por informações sobre um astro de Hollywood – um obituário sempre interessante. Ou sobre os mais novos futuros desconhecidos do BBB. Ou sobre um jogador de futebol chutado por times estrangeiros e que brasileiros se afogam em dívidas para tê-lo embalado em suas camisas por alguns milhões. E sem nenhuma paixão.

O epitáfio deste texto não poderia ser outro: PONTO FINAL.


Ronaldinho Gaúcho x Amy Winehouse

Acompanhe nosso comparativo sobre duas personalidades que estão no Brasil. Enquanto uma canta a outra enrola.