Todo mundo em uma festa já teve seu dia de “bombom Fricote”, aquele que sempre sobra. Como também, quando não conseguia nada, apelava para o seu velho casinho. O chamado relacionamento-couro-de-pênis: vai e volta conforme a necessidade.

A vida do homem é um eterno “levar fora”. Quando solteiro, na balada. Quando casado, o lixo. Já a mulher pode escolher. O que sempre demanda escolher mal, chorar e botar o Santo Antônio de cabeça para baixo até ter um AVC.

Enfim, não era bem disso que eu queria falar, mas trazer à tona o nosso dossiê de hoje. Uma observação nada detalhada do que acontece na melhor, pior e meia-boca festa mais próxima.

Caminhos tortuosos

- Compartilhador de música de pobre é ônibus. Portanto, se você pegar um para ir àquela festa maneira, já sabe: tenha um estoque generoso de Black Crowes, Led Zepelin e paciência.

- E você que tem mil amigos no Orkut e nenhum pra te dar carona pra balada: meu forte abraço.

WCs

- Os banheiros de baladas, bailes, festas, ou seja lá como você chame o evento, possuem uma particularidade: “Chokitos em banho-maria” implorando por descarga. Não dá para conceber uma pessoa que vai passar, sei lá, no máximo 4 horas dentro de um ambiente e se presta a fazer um download logo ali. Imagino a sua percepção ao chegar: “Opa, começou o baile, vou dar uma cagada em homenagem…”.

- Outro problema grande reside na beirada larga de mictórios. Talvez eles tenham sido projetados pelo pedreiro Nego Jorge, sem se dar conta que a média brasileira é bem inferior ao autor da obra. A prateleira de copos até a metade, que são sumariamente esquecidos por todos que passam, faz parte da decoração masculina do ambiente.

- Na parte feminina, segundo me relatam, parece pior. Uma investigação in loco se faz necessária para um post posterior.

- E por fim: banheiros químicos não são lugares para se fazer experiências.

Conquistas

- Se te olham demais: ou você é bonito ou tem sujeira na cara.

- A linha que separa a chatice da persistência é a intenção… O problema é se você é um chato persistente. E isso é o que sempre acontece quando você acha que não está insuportavelmente bêbado falando com alguma mulher. Deveria haver algum sensor na própria bebida que avisasse não só do grau alcoólico, como também o de insuportabilidade.

- Ainda não inventaram estimulante sexual melhor que mulher.

- O caminho mais curto entre uma gata e levar um toco é perguntar se ela vem sempre aqui.

A música

- Chegando à conclusão de que muitos problemas sociais no país têm a trilha sonora de
“Quero não, posso não”.

- Nossas festas, hoje em dia, estão lotadas de DJs celebridades. Eu tenho preconceito com DJs celebridades. E mais ainda com quem vai à baladas com DJs celebridades. Mas são inevitáveis como ressaca.

- Num duelo de DJs eu sempre torço para que um acerte o outro com suas picapes.

- Pense bem: essa galera que não bebe, não fuma e não faz nada de errado vai viver mais…
mas ouvindo música EMO! MATA!

Festas à la carte

- Quando chega final de semana até dá pra acreditar que tem vida lá fora. Esperamos a sexta-feira como quem espera a mulher amada: de cueca e pedindo pra trazer uma cerveja. Quando ela chega, nosso primeiro passo é arrumar um lugar para depositar todas nossas frustrações semanais, inquietações diárias e desconfortos cotidianos. E eles cabem perfeitamente numa mesa de bar ou podem ter a dimensão de uma boate.

- Aliás, o cara mais fácil para se fazer uma festa surpresa é o Stevie Wonder.

- Tenho preconceito, mas participo: festas do tipo “traga a sua bebida”. Geralmente você sempre leva a melhor e acaba tendo de se contentar com o que sobrou da Catuaba.

- “Melhor festa ever”, “Quem não foi perdeu” e “Findi mara” só querem dizer uma coisa: puta que pariu que final de semana ruim.

- Você conhece muito de uma festa pelo o que as pessoas vestem. Aliás, já pensou jogar o Ahmadinejad no meio de uma festa emo?

Altas confusões

- Existe uma parcela da população brasileira que celebra seus ancestrais mais primitivos até em festa de igreja. Se não tiver um quebra-pau não tá contente. Talvez o contato físico com um ser do mesmo sexo deva satisfazer mais do que uma mulher. Vá saber, esse século XXI já me apareceu com cada uma.

- Eu não entro em muitas festas por motivo de seguranças.

- Câmeras ligadas atraem fiascos. Sempre é bom tomar cuidado com malabarismos, principalmente em reuniões e festas familiares com até 3º grau de parentesco. Esses primos de Itajorubá do Norte sempre costumam botar tudo o que acontece no Youtube. E aquele tio que costuma exagerar na coreografia, precisa lembrar do velho ditado: depois dos 50, qualquer salto é mortal.

A vida é uma festa: o ingresso é caro, sempre aparece alguém barrando e não tem área VIP. É a síntese de tudo, amigos.