Pesquisa recente do jornal Folha de S. Paulo mostra que passagens de avião já superam as de ônibus. Desde a popularização deste meio de transporte mais seguro que existe – quando não falha -, o número vem crescendo, principalmente desde 2007, quando a renda do brasileiro decolou.
Esse quadro nos levou a fazer um inesperado raio-x meia-boca de aeroportos e rodoviárias, lugares com comida cara, infraestrutura precária e apertada de gente. Ou seja: a mesma merda.

Aeroporto
- O aeroporto é o local que mais concentra autistas funcionais por metro quadro. Todos estão com seus aparelhos sensíveis ao toque se comunicando com o mundo enquanto ele acontece ao seu redor.
- É um lugar também para elaborar piadas. Você olha para a sogra, imagina uma vassoura no canto quebrada e lê essa notícia: “20% dos vôos domésticos sofrem atrasos”. Um sorriso sacana surge.
- Já peguei um voo tão perigoso que a única orientação do comandante foi rezar um Pai Nosso.
- Graças a despressurização, crianças chatas em voos comerciais estão salvas de serem defenestradas.
- Uma coxinha de galinha fria que vale R$ 6. A única diferença do aeroporto pra rodoviária é o lado em que fica o abatedouro.
- As poltronas estão cada vez mais apertadas, o que me leva a crer que uma nova geração sem joelhos está por vir.
- É incrível o apreço das pessoas pelo serviço de bordo em um voo de no máximo 40 minutos. Brigar por um pacote de biscoitos esfarelados e refrigerante quente: aonde isso vai te levar? Talvez no banheiro.
- O serviço on-line das companhias aéreas possui um pacto com o capeta, neste caso, o Internet Explorer. Nenhum outro navegador funciona e a emissão de bilhetes via internet é um calvário. Ao contrário de taxas, multas e cobranças extras por assentos, que já estão sendo computadas antes mesmo de você imaginar que existam.
- E aquele pessoal que antes da aeronave parar, já levanta para pegar suas bagagens de mão de 80kg? O medo de que o avião siga direto pra Maceió sem que eles desembarquem é impressionante.
- O aeroporto também pode ser conhecido como o quadro de TV “Por onde você anda?”. Inúmeras ex-celebridades habitam os portões de embarque. Algumas passando 10 vezes na sua frente para ver se são reconhecidas.

Algumas sugestões para o comandante falar aos passageiros durante o vôo para quebrar o gelo:
“Nesse momento a temperatura é estável e faz 28 graus. Como o céu tá limpo e as comissárias tão de saia vou dar um looping. Se segura, cambada!”.
“Seguinte, aprendi uma manobra nova no Flight Simulator. Se vocês não se importam vou testar agora”.
“Neste momento estamos passando pela região dos índios canibais Tiralascas. Uma flecha atingiu uma das turbinas e estamos perdendo altitude. Sei lá, talvez vocês quisessem saber”.
“Tripulação, derramei café no meu saco”.
“É normal esses botão se piscando todo, Almir?… Almir?… Almi!?”.

Rodoviária
- Se o transporte fosse uma rede social, estaríamos embarcando num Orkut. Cheio de figura esquisita, falando estranho e repleto de parentes deixando recado.
- Todo mundo quer calor humano. Nada melhor que pegar um ônibus lotado, quem sabe de São Paulo a Piracicaba, apreciando todos os aromas possíveis durante o trajeto.
- Apesar do recado “Fale com o motorista somente o necessário”, alguns passageiros adoram contar suas histórias de vida sofrida e de dificuldade, pensando que estão num programa de TV e o cara do volante é o apresentador. É o caso de o motora fechar a portinha ou cogitar se jogar no penhasco mais próximo.
- Cagando e andando, só em banheiro de ônibus. Aliás, banheiro de ônibus é onde o último pingo é em qualquer lugar, menos na cueca.
- As vantagens de se viajar de ônibus é conhecer de perto como andam as obras do “PAC”. A cada buraco que cai, é exatamente esse o barulho que faz.
- A diferença das estradas brasileiras pro c*, é que o c* só tem um buraco.
- O melhor lugar no ônibus não é na janela. É longe de gente que pensa que é seu amigo de infância.
- As salas VIP de embarque em rodoviárias desconhecem o significado do termo VIP. Pensam que é a abreviatura de “Vai Indo pro Ponto”.
- Inconsciente coletivo é um ônibus caindo na ribanceira.

Não temos dicas para locuções de rodoviária. Além dos recados não quebrarem nenhuma espécie de gelo, são ininteligíveis. A pessoa parece estar falando dentro de uma caixa repleta de abelhas. Se você entender o “boa viagem”, já se dê por satisfeito. Nessas horas, a única diferença de você que pega ônibus para o que anda de avião, é que o que anda de avião tá mais perto de Deus. Se bem que tudo o que sobe desce. Menos o preço da gasolina.