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O Mundo segundo Tio Dino

por Tio Dino

"Fiz sexo com a ironia e nasceu isso. Dei descarga nos valores, abracei o cinismo e tenho aquilo que toda mulher procura: sarna pra se coçar."



Novas teorias

Há pouco mais de um mês no Rio de Janeiro, deparei-me com uma situação corriqueira já observada em outras grandes cidades – mas potencializada pela observação mais contundente. São os labradores obesos de apartamento. Um problema endêmico que merece atenção.

Por outro lado, verifiquei também um outro fenômeno – decorrente dos possíveis ou não, donos desses animais.

Depois do falso magro e do falso gordo, agora há um terceiro termo a ser incorporado nos estudos de comportamento: o falso saudável. Ele corre, faz exercícios, come saladinha e no final do dia enche a cara de cerveja a bordo de um fabuloso sanduíche recheado de infarto.

Falso saudável. Taí. Há muito tempo eu queria inventar uma desculpa embasada para mim mesmo.

5 Dicas Para se Tornar Um Falso Saudável

1 – Tenha frutas em casa. O suficiente para esconder o pedaço de bacon a ser utilizado depois da partida das visitas.

2 – Correr na praia e no parque é um sinal de uma pessoa preocupada com seu bem-estar. Faça isso levando em conta um local com um número representativo de pessoas. Afinal, ser saudável apenas para si mesmo não tá com nada, as outras pessoas precisam ver seu esforço. Use camisa cinza. O suor aparece mais.

3 – Academia é o templo do corpo e o altar dos órgãos genitais. Matricule-se e frequente horários de pico da mulherada. Quando convidar alguma pra sair, lembre-se sempre de começar com “que tal bebermos um suco de tomate com fibras e compostos orgânicos, hein?”. Aí depois você pode meter uma dose de vodca sem ela perceber.

4 – Pedalar com uma criança (mesmo emprestada, ex: sobrinho) é um ótimo canalizador de boas vibrações. Mostra que você é preocupado com a saúde e a fim de constituir família. Vá ao bar só depois de entregar a criança em mãos responsáveis.

5 – Se você tiver grana, a escolha de esportes pouco praticados e de elite, como squash, pólo aquático e rúgbi darão um ar de aristocracia patife ao seu “falso-saudável” jeito de ser. Sempre depois rolam picanhas suculentas e uísques com idade para serem pais das filhas de seus amigos. Se não tiver dinheiro, uma boa alternativa é o futevôlei, que, além de acessível, é praticado por subcelebridades e artistas de diferentes naipes. Além de você parecer preocupado com a forma, também parecerá preocupado com a roda social em que vive.


Steve Jobs e o pecado capital

Para quem estava acessando a internet de um PC e só conseguiu ler a notícia agora, Steve Jobs anunciou a sua saída do comando da Apple. E, não duvido, logo, logo do mundo. Uma decisão até esperada, levando em conta seu quadro de saúde cada vez mais impreciso e delicado. Jobs está, por assim dizer, só a capa do iPhone.

Alguns livros babam na maçã do criador da marca mais significativa da área tecnológica. Frisam sua habilidade na transformação de pedra em papel, de projeto maníaco em ícone de uma geração. Há também relatos pouco afáveis da sua pouca paciência com subordinados, truculência com decisões e alguns casos estranhos de espionagem industrial, com indícios de subtração de patente.

Uma coisa, em especial, me faz admirar Jobs e não é a capacidade de se parecer cada dia mais fino que seus produtos. É a de acreditar em ideias.

Foi uma dessas apostas que levantaram a Apple depois de cair não tão madura assim. E foi também um desses anseios visionários que criaram uma das mais fabulosas empresas de sonhos que os olhos tiveram a chance de admirar, a Pixar. O investimento em talento deu vida a uma ideia que poderia morrer na burocracia do tempo e do medo.

Não tenho nenhum produto Apple, nem morro de amores por eles. Mas gosto de quem acredita em talentos. Mesmo ainda que seja um escroto, mal-amado, sacana. No mundo dos negócios, quanto menos amigos, mais chances de negociações serem lucrativas.

Se bem que esta falta de amigos pode ser um problema se um dia você precisar, sei lá, de um transplante de fígado. Não é mesmo?


Atualizando grandes cases da publicidade, volume 49


Aforismos sobre pais para o dia deles

Meu pai era um cara de status. No trabalho, ocupado, em casa, ausente. E, segundo minha mãe, na cama offline.

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Quando minha mãe engravidou, quem sentia desejo era meu pai. E, geralmente, era o de ir pro bar.

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Recebi por e-mail uma promoção de maleta de ferramenta pro Dia dos Pais. Espero que venha com um bom veda-rosca pro cara que teve a ideia

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- Meu pai foi atingido por um rádio a pilha que caiu do 10º andar.
- Machucou?
- Não, mas não consegue tirar “Você, você, você quer” da cabeça.

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“Um dia isso tudo vai ser seu”. Disse meu pai olhando para os carnês na mesa.

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Nada de bobagem de Iphone. No meu tempo, rico era quem ligava pro velho vir buscar de carro no colégio quando chovia.

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Pior do que não saber de onde vem, é ele ainda te chamar de “pai”.

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Papai cantava uma música de bichinhos pra gente dormir: “oncinha pintada, zebrinha listrada, coelhinho peludo… Vão se fuder!”

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A mulher do meu amigo está grávida. Se ele já está feliz, imagina o pai!

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Pai que reclama de professora gostosa: fera, no meu tempo só o que dava pra comer era a merenda.

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Meu pai sempre foi avesso a novidades. Para me aceitar levou 15 anos.


C*: uma abordagem respeitosa

O psicanalista Amaro Pinto, morto em 1969, tem uma frase que norteia muitas de nossas discussões sobre sexualidade. “Tanto na vida, como na cama, 99% do sucesso de um texto sobre sexo depende da introdução”.

A edição deste mês de Playboy traz um tema que sempre ficou pra atrás nas discussões sobre sexualidade. O tabu do c*. Sandy, continuando o ciclo que sempre cumpriu ao lado do irmão, foi a protagonista. Numa verdadeira aula de como lidar com assuntos obscuros, tirou de letra as brincadeiras na internet. Sua entrevista suscitou a importância do vale tudo no lado feminino pelo prazer. Ponto para quem virou mulher. Melhor ainda para quem virou mulher com opinião sustentada.

Demorei a tocar nesse assunto esperando que o fogo cessasse, os trocadilhos expirassem, a conversa ficasse amena. Mas quando colocamos o c* na roda, nada parece delicado, dúctil. A espera pela sacanagem ameaça a toda a hora o parágrafo.

Em tempos remotos, o uso anal era celebrado entre os homens. O melhor exemplo é Alexandre, O Grande, que ganhou o apelido depois de ser visto de costas, após uma noitada com algum serviçal. A própria Grécia, que hoje está com o c* na mão, cultuava a maneira como esta parte asterisca do corpo era utilizada. Para eles, um caminho reto, e de mão dupla.

Quando a mulher fala disso abertamente, sem as preocupações éticas que nunca fizeram um pau levantar, ganha respeito – por incrível que pareça. Quando alguém se posiciona, não dá margem a especulações. Não fica sob uma fantasia de pessoa imaculada, cuja a única merecedora deste título é sua mãe, mas porque você não faz muita questão de saber como fora concebido.

Sandy estudou Letras. Deve conhecer vários eufemismos para se expressar quando chegar ao prazer por aquele local.

O c*. Já que todos querem dar nome aos bois, por que não começar a dar à anatomia também?


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