1- Recentemente você deu uma entrevista à CONTIGO! em que dizia que não se acha bonita. Era brincadeira?

Não. Eu me acho uma mulher interessante. Mas, se eu me olhasse na rua, acho que pensaria “Uau, que mulher exuberante”, mas não pensaria “Nossa, que linda”, entendeu? Eu nunca fui uma criança bonita nem uma adolescente bonita. Acho que sou uma mulher que tem coisas belas, mas não uma mulher linda. E ainda brinco com isso. Porque o que eu tenho de bonito é o meu nariz, que é operado. [Risos.] E uma boca boa. Enfim, acho que o conjunto da obra é positivo.

2 – Diferentemente das novelas, atuar em musicais dá margem para erros e imprevistos. Você já passou por uma situação inusitada nos espetáculos ao vivo?

Uma vez fui interagir com a plateia e sem saber pedi para um tetraplégico levantar. Eu dizia: “Não precisa ter vergonha, não fuja da raia, levanta!” E a mulher dele me olhando com uma cara… E eu insistia: “Levanta. Que bobagem, eu não mordo”. Até que a mulher conseguiu avisar que ele não podia ficar em pé porque era tetraplégico. Eu quase fiz xixi na calça! Eu adquiri uma rapidez de raciocínio com coisas ao vivo e imprevistos, mas não tem como sair de uma situação dessas.

3 – Qual foi a coisa mais maldosa que você já leu a seu respeito?
Ah, acho que a mais chata foi na época da eleição do [ex-presidente Fernando] Collor quando inventaram que eu tinha um caso com ele. E também quando disseram que eu tinha aids. Mas, como não procede, a notícia acaba murchando.

4 – Era um boato sem fundamento nenhum?
Eu era amiga dele havia tempos e da mulher dele também. Mas eu era uma mulher bonita, ele, um homem bonito; então pronto: “Estão tendo um caso”. É assim que eles decidem, do nada. E é claro que era mentira.

5 – Você apoiou Collor na campanha dele em 1989. Participaria de uma campanha política de novo?
Eu sofri muito por tê-lo apoiado. Me criticaram, quebraram o vidro do meu carro, vasculharam minha vida toda, uma maluquice. Não faria isso de novo jamais nem que minha mãe se candidatasse. Eu tenho meu posicionamento político, tenho as minhas escolhas como cidadã, mas eu não as revelo mais.

6 – Você interpretou a transexual Ramona na novela As Filhas da Mãe e a presidiária meio macho Tonhão na TV Pirata. O seu tipo físico contribui para que você seja escalada para esses papéis?
Acho que tem a ver com meu biótipo, sim, com essa brincadeira de eu ser uma mulher alta e de voz grave. Mas o Tonhão foi uma conquista minha porque o Guel Arraes não queria me escalar pro papel, achava que eu era muito feminina pra interpretar uma sapatão. E eu falava: “Deixa eu fazer e tal”. E amei.

7 – Você costuma receber cantadas de mulheres?
Recebo. Mas não gosto de mulher. Digo: “Obrigada. Um beijo, tchau”. [Risos.] Não sou uma pessoa que tem preconceitos, mas nunca aconteceu de minha vontade e minha curiosidade chegarem até aí. Mas isso não significa que nunca possa acontecer.

8 – Lembra-se da primeira vez em que posou para a PLAYBOY?
Lembro. Eu tinha 17 anos. E fugi da raia total porque o ensaio foi planejado para ser fotografado pelo J.R. Duran em uma praia, mas quando chegamos lá eu tive uma crise de choro e voltei. Aí resolveram fazer as fotos em um estúdio de dança, que era o lugar onde eu me sentia à vontade, mais confortável. Eu fui dançando, nua, e ele foi clicando.

9 – Entre edições de linha e especiais, você esteve em cinco capas da PLAYBOY até hoje. Não acha que 6 é um bom número?
Não acho. Já posei várias vezes e de todas as maneiras, já passou. Hoje é muito complicado. Tenho filho adolescente. Sinceramente acho que ainda daria pra posar pela parte física, mas já foi. Não estou desdenhando, mas já fiz e hoje tenho outros desafios.

10 – Você gosta de ser chamada de “gostosa” na rua?
As pessoas não falam muito isso pra mim, viu? Não sei se é porque eu sou grande demais e as pessoas têm medo, mas não me passam esse tipo de cantada até porque eu me coloco de uma maneira que não permite muito isso. Sempre foi assim.

11 – Que tipo de homem tem chances com você?
Eu ainda não me sinto solteira, estou reaprendendo a viver sem o casamento. Já estou em outra fase, mas ainda é difícil falar sobre isso. Mas nesse sentido eu sou muito eclética, né? Eu namorei o Jô Soares e casei com o Alexandre Frota e com o Edson Celulari, então você pode ver.

12 – Além de Jô Soares, você também namorou Faustão. Você tem algum tipo de fetiche por gordinhos?
Não. Eu tenho atração por homens inteligentes. E meu relacionamento com o Fausto foi muito rápido.

13 – Falando em ex, você acompanhou a carreira de Alexandre Frota desde a separação de vocês?
Eu tenho uma relação ótima com todos os meus ex. Gosto muito do Alexandre, tenho muito carinho por ele e por toda a nossa história. Não quero esquecer nem ficar com preconceitos em relação às escolhas dele.

14 – Você assistiu a algum dos filmes pornô que ele fez?
Vi alguma coisa, mas achei puxado demais acompanhar esse pedaço da carreira dele. Foi bem esquisito vê-lo ali.

15 – Ele costuma dizer em entrevistas que você foi o maior amor da vida dele. Ele ainda tem alguma chance?
Não. E eu já briguei muito com ele por causa disso, já falei para parar de dizer isso. Hoje tenho filhos, e já estamos separados faz 20 anos. Acho bem chatas essas declarações, e ele sabe que eu não gosto. Mas eu tenho muito carinho por ele e pela família dele.

16 – Você se lembra da primeira cena de sexo que teve de filmar em sua carreira?
Foi com o Zé de Abreu em uma novela chamada O Outro [1987]. E a seguinte foi com a Louise Cardoso no filme Matou a Família e Foi ao Cinema [1991]. Aquilo foi um sacrifício pra mim, embora eu tivesse a maior intimidade com a Louise. Eu sonhava com ela dia e noite por causa do nervosismo. Que coisa chata…

17 – A cena ficou natural?
Mais ou menos, viu? Era uma coisa esquisita. Porque eu ia passando a mão pelo corpo dela e, quando chegava no peito, desviava [risos].

18 – Na entrevista que deu em 1994 à PLAYBOY você disse que nunca deixou de chegar ao clímax durante uma transa. Quer dizer que nunca teve de usar suas técnicas de atuação para fingir um orgasmo?
Nunca! Entendo quem precisa fazer isso, mas não tenho essa dificuldade.

19 – O sexo aos 43 anos é diferente de quando você tem 20 e poucos?
É melhor! Você fica mais seletiva e já sabe um pouco mais da vida. Já aprendeu um pouquinho mais, já sabe que os homens são diferentes, e isso te dá uma cancha maior com certeza.

20 – Você tem fama de ser bem humorada e engraçada. Pode contar uma piada?
[Pausa.] Eu sou péssima de piada, nunca lembro. Tem aquela do tomate, como é mesmo? Ah, sim, tem a da fechadura que falou para a chave: “Vamos dar uma voltinha?”