1- Recentemente você gravou o filme Os Mercenários, com Sylvester Stallone. Como é o Stallone de verdade?
Grande, forte, musculoso… Ele é todo viril, né? E na verdade é uma pessoa supersensível, trata todo mundo bem, desde a moça que serve o café até o produtor do filme. O Stallone transforma todo o set em energia bacana, positiva. É uma pessoa muito normal, não tem aquela coisa de celebridade, e isso é maravilhoso. Ele também é bastante irônico. É muito engraçado.

2- Ele faz seu tipo?

Como homem? Humm, não, acho que não. Se você for ver meu namorado, vai ver que não. Meu namorado é bem mais magro, tem mais corpo de menino.

3- Como você conseguiu o papel em Os Mercenários?
Primeiro fui chamada para uma entrevista pelo próprio Stallone. Foi tudo muito rápido: no dia em que estava viajando pro Rio para procurar locações, ele decidiu que queria entrevistar algumas atrizes brasileiras, já que a personagem era latina. Eu estava com o dedo do pé quebrado, indo pra Copacabana levar minha cachorra ao veterinário, e recebi a ligação dizendo que o Stallone queria me ver. Fui direto do veterinário para o hotel encontrá-lo, com a cachorra no colo e tala no pé.

4- E como foi a entrevista?
Foi bacana. A gente falou muito de cachorro [risos]. Nesse primeiro momento, na verdade, ele queria mais me conhecer do que falar sobre a personagem, Sandra. E depois de uma semana me chamou para fazer o teste. Era uma cena em que a Sandra conversava com o Stallone e o Jason [Statham, um dos protagonistas do filme]. E foi genial. Saí de lá sentindo “good vibes”. Ainda não vi o filme montado, mas já vi todas as cenas que fiz e adorei. E adorei mais ainda saber que ele também estava curtindo.

5- Que tipo de papel você gostaria de fazer e ainda não fez?
Há pouco tempo fiz umas fotos caracterizada como Amy Winehouse. Pensei muito nessa personagem, que é uma pessoa que tem um furo, um vácuo na alma, e fica tentando preencher isso com drogas. Então, acho que gostaria de viver uma personagem assim, uma viciada.

6- Como é sua relação com drogas?
Eu bebo, mas pouco, ainda mais agora, que meu namorado não bebe. Antes eu não confiava muito em quem não bebia [risos], daí conheci meu namorado e tive de ficar quieta. E acho muito bom, saudável. Fumo cigarro, que é um hábito que herdei da minha família, mas estou a fim de parar.

7- Sua estreia em novelas foi em A Pícara Sonhadora, do SBT. O que você lembra dessa experiência?
Na verdade eu estreei na TV em Os Maias, da Globo, que não era novela, mas minha participação era muito maior que na Pícara. Na novela eu nem tive como saborear muito porque era uma participação pequena, acho que em uns dez capítulos. Eu era a Bárbara, uma vilã, mas não era nada muito profundo.

8- E o que, afinal, é uma pícara?

Humm, pícara é… Ih, meu Deus, pior que meu pai falou, mas não vou lembrar. Acho que é uma menina atrevida, graciosa, engraçada. Acho que é isso. Vou ligar pro meu pai e perguntar com mais exatidão [risos].

9- Agora você interpreta a protagonista da novela Bela, a Feia. Como é ficar feia para esse papel?
Cara, é muito bom. É ótimo esse trabalho de desconstrução, de poder colocar a Giselle de lado e ter essa nova forma de ser, da Bela, que é muito sonhadora, uma personalidade virgem, aquela pessoa que acredita, que é romântica. Acho bom quando você ainda acredita nas pessoas.

10- Quando você se deu conta de que estava famosa?

A partir do momento em que estranhos pararam de olhar pra mim e dizer “Ah, você é amiga da minha filha, né?” ou “Você não estudou no colégio tal?” As pessoas sabiam que me conheciam e não sabiam de onde. Bom, hoje em dia também não sou nenhuma Gisele Bündchen. Sou reconhecida na rua, mas nada exagerado.

11- Te incomoda as pessoas dizerem o tempo todo que você e Jaque Khury são muito parecidas?
Não me incomoda. Mas eu não acho que nós somos parecidas. Ela tem um corpaço de parar quarteirão. Eu não tenho esse corpo todo.

12- Você nasceu no México e veio para o Brasil ainda criança. Em que momento dá pra perceber que você é mexicana?
Quando eu como, porque ponho pimenta em tudo. Muita pimenta! Na melancia, na manga, no arroz, no sanduíche… Sou lunática por pimenta.

13- Quem é mais sexy: as mexicanas ou as brasileiras?
As brasileiras, sem dúvida. As brasileiras são “wow!”, têm um poder. Brasileira é hors concours nesse quesito.

14- Em seu blog está escrito que você se assustou ao assistir a uma entrevista sua em que dizia um palavrão. Qual é seu palavrão favorito?
Cara-le-o”! Ou “fueda”. Falo muito “Isso é fueda”. E outro que eu falo muito é “cáspita”, por causa da minha nonna. Em casa meu pai foi muito “família”, muito profissional, daí não podia falar muito palavrão. Então com esses eu já fico satisfeita.

15- Você treinou boxe por vários anos. Já usou o que aprendeu fora das aulas?
Já usei no armário. Discuti com meu namorado e dei um murro no armário, coisa de moleca. Quebrei o dedo.

16- Sua interpretação como uma ninfomaníaca na série Mandrake foi muito comentada. Você se identificou com a personagem?
Não, sexo pra mim não tem essa importância toda que tem para a Amparo [a personagem]. Foi um papel muito difícil. Não na hora de gravar, mas na preparação. A Maria Clara Fernandes, a preparadora, me fazia andar nua pela minha casa, tomar sol de topless, que eram coisas que eu não conseguia. Só de fazer isso na frente do meu namorado eu já começava a suar. Chegava a chorar, literalmente, andando nua em casa. Que doido, né? E eu li Amêndoa, um livro totalmente sensual, erótico… Assisti a vários filmes, trabalhei muito com a parte sexual, que foi uma coisa completamente nova pra mim. E foi ótimo porque o Arthur Fontes, o diretor, foi muito sensível, daquelas pessoas que falam baixinho, te fazem se sentir em casa. E a namorada dele é mexicana também, a gente virou amiga.

17- Como foi na hora de gravar essas cenas de nudez?
Eram cenas fortes, mas na hora, depois de toda essa preparação, foi tranquilo, eu me senti confiante, presente, consciente de tudo. No fim eu via as cenas gravadas e dizia “Cara, essa não sou eu”. E as pessoas que me conhecem também viam isso, porque eu não sou aquele mulherão. Na vida real sou muito idiota, pateta.

18- Qual foi o maior tempo que você já ficou sem sexo?
Ah, um bom tempo. Acho que anos. Quer dizer, anos não, mas um ano e meio, quando estava sem namorado. E dá pra viver muito bem, obrigada.

19- Sua colega de elenco Bárbara Borges posou para a PLAYBOY há pouco tempo. Você viu o ensaio dela?
Vi e achei maravilhoso! Todo mundo começou a zoar no estúdio porque eu dizia [empolga-se]: “Vocês já viram a minha hermana – chamo a Bárbara de hermana – na PLAYBOY?!? Linda!” Fiz a maior propaganda. Amei. O ensaio ficou lindo, totalmente elegante, ela com quase nada de maquiagem. Aquela foto dela espremendo o creme nela mesma. Ficou incrível, totalmente pop. Amei!

20- E, para finalizar, a pergunta que não poderia faltar: quando você vai posar para a PLAYBOY?
Não sei. Acho que a gente nunca pode dizer nunca, mas por enquanto não está nos meus planos.