1 – Quando é mais vantajoso ser uma mulher terrivelmente linda?
Cara, vou te dizer que em 95% das situações. Principalmente de manhã, quando você se olha no espelho ao escovar os dentes e pensa: “Que bom que eu não sou uma baranga!”.

2 – Você tem fama de ser uma pessoa desbocada e expansiva. Você se acha desbocada e expansiva?
Sou expansiva e sou desbocada, sim! Mas, se fosse pra me definir, diria que sou também batalhadora, feliz…
[pausa] e meio louca. Louca porque eu falo sozinha, adoro tomar banho de chuva e cantar alto. Mas é um tipo
de loucura totalmente sã.

3 – Você já sentiu vontade de dar umas porradas em alguém?
Ah, já. Somos todos seres humanos, graças a Deus. Todos temos espinhas e fedemos depois de mortos.

4 – Dê ao menos uma esperança aos nossos fiéis leitores: como é o homem ideal pra você?
Ai, que delícia brincar de sonhar! O homem perfeito pra mim seria alto, moreno, teria 35 anos de idade, no mínimo, trabalharia com arte, mas não necessariamente seria ator. Teria um senso de humor maravilhoso, pra me fazer rir. Músculos por todo o corpo também a mamãe agradece, que eu adoro. Um beijo bom, um cheiro bom na boca. E que Deus ajude o resto todo.

5 – Alguém já broxou com você?
Milhaaaares! Milhares, milhares [enfática]. Gente, todo homem já broxou. E toda mulher já fingiu um orgasmo. Quem, me diga, nunca passou por isso?

6 – E o que você faz nessa hora, digamos, tão delicada para eles?
Dou um abracinho, faço um carinho e faço naninha encaixado.

7 – Você aparece de calcinha e sutiã em quase todas as cenas de seu novo filme, A Mulher Invisível. Como você lida com as cenas de nudez?
Não tive nenhum problema porque faz parte da personagem, conta a história. Não é gratuito. É uma mulher invisível, perfeita, que só existe na cabeça dele [o personagem vivido por Selton Mello], vestida do jeito que ele imaginaria. Esse papel foi escrito especialmente pra mim. E vou te dizer que, se fosse por mim, talvez o filme fosse mais apimentado ainda!

8 – Em determinado momento, você faz um striptease. Como foi?
Essa foi a cena mais difícil. Porque é um strip com uma fala romântica. Enquanto eu estava fazendo um movimento supersensual, tirando as peças de roupa, a personagem dizia um texto todo romântico, falava sobre amor, solidão. Eu tentei fazer essas duas coisas ao mesmo tempo.

9 – A atriz Scarlett Johansson disse à PLAYBOY que já ameaçou um diretor de fotografia para que o bumbum dela ficasse bem na tela. Você chegou a esse ponto?
Não precisei porque eu confiava demais nos diretores de fotografia do filme. E, quando chegava a hora de rodar as cenas de nudez, eles diziam uma frase maravilhosa: “Luana, não se preocupe. Aqui, o que nós fazemos melhor é iluminar carros e mulheres”.

10 – E, em relação aos beijos – e olha que você já beijou muito em sua carreira –, eles são sempre técnicos ou rola um clima?
Acho que o beijo técnico é até mais bonito. Porque beijo, na vida real, não tem que ser bonito, tem que ser gostoso. Isso é que importa. Mas, na tela, o beijo tem a preocupação de contar a história, e não de curtir o momento. Se for para curtir o momento, é melhor marcar um chope para depois.

11 – Aproveitando a deixa: você gosta de beber?
Adoooro! Sou bem cervejeira. Não costumo encher a cara, mas bebo bem.

12 – No filme, a vida do personagem de Selton Mello desmorona depois que ele se separa da mulher. E você? Se sai melhor quando um relacionamento acaba?
Claro que não. Acho que as mulheres sofrem bem mais. Eu, como sou muito intensa, sofro bastante, mas acho que isso ajuda a limpar, a deixar as coisas mais claras. Mas não tenho vocação para o sofrimento. Eu tenho trabalho, saúde, amigos, família, tenho muitas oportunidades, uma casa em Nova York… Enfim, chega uma hora em que não dá mais para ficar sofrendo.

13 – Por falar em fim de relacionamento, você devolveu o carro que ganhou de Dado Dolabella depois da separação?
Vamos pular essa pergunta? Não quero falar sobre esse assunto. Envolve um processo criminal, e eu não posso falar. Chama-se silêncio judicial.

14 – Você gosta de ser famosa?
Pô, é uma pergunta tão difícil de responder… Se eu não tivesse meu trabalho reconhecido, seria uma frustrada. Mas ter trabalho reconhecido não é necessariamente ser famosa, né? É a televisão que faz isso, que te transforma numa pessoa famosa. Não é ser famosa em si que faz bem para o ego. O que faz bem é teatro lotado, a plateia aplaudindo de pé, revistas com fotos suas bonitas. Mas paga-se um preço muito alto pela fama. Tem milhões de notícias inventadas pela imprensa, que às vezes não te respeita como deveria. Por exemplo, acho muito chato ser alvo constante dos paparazzi. É algo que acontece mais no Rio, talvez porque São Paulo seja maior e eles tenham mais dificuldade de saber onde a gente está. E olha que eles ainda se dão ao luxo de me dar bomdia, tentam fazer média comigo, mas acho uma loucura, porque não é legal o que eles fazem. Se pudesse, jogava um cofre na cabeça deles. Ou um piano.

15 – Você não se cansa de interpretar sempre a gostosa da vez?
Mas eu não interpreto tanto a gostosa, não é sempre. Hoje, por exemplo, vou interpretar nesta foto para a PLAYBOY. Mas não vivo assim o tempo todo. Em casa, sou uma pessoa normal como outra qualquer. Na semana passada eu estava na praia de chinelo e canga.

16 – Eu não quis dizer na vida real. Falando como atriz, você já fez o papel de gostosa várias vezes no cinema, na televisão…
Ah, claro! Quando você começa a ler o texto e vê que a gostosa não tem nada além disso, dá uma certa preguiça. Mas eu aprendi uma lição com o [diretor] Jorge Furtado, quando fui fazer O Homem que Copiava. Ele me mandou o roteiro, eu li e fiquei meio ressabiada em fazer a personagem, que tinha justamente esse estilo. Ele então sabiamente me mandou um e-mail que dizia: “Luana, pense melhor. Será que não é preconceito seu com o personagem da gostosa? Ela não é qualquer gostosa. Ela vai ser responsável pelo humor do filme”. Desde então perdi o meu preconceito com gostosas. Mas é necessário que elas tenham um bom texto e uma história interessante para contar. A personagem não pode ser uma gostosa banal como tantas outras que existem por aí.

17 – O que tem tocado no seu iPod?
Tem tocado muito o dueto da Marisa Monte com a Julieta Venegas, a música Viva la Vida, do Coldplay, e também o meu set do Bailinho, que é uma festa aqui do Rio.

18 – E Caetano Veloso, que você chamou de “banana de pijama”, deixou de ouvir? [Em seu blog, Luana disse que ele havia feito uma música para ela, e o cantor desmentiu a história mais tarde!]
Ai… Não, é impossível deixar de ouvilo… [Suspira.] Águas passadas.

19 – Por que você ainda não posou para a PLAYBOY?
Simplesmente porque vocês não têm dinheiro para me pagar! Eu já falei que, se vocês tivessem feito uma vaquinha desde a primeira vez que me convidaram, a gente já teria feito. Mas vocês não me escutam…

20 – Última pergunta: por que você passou a entrevista inteira respondendo para a própria imagem no espelho, e não para mim?
Porque estava fazendo o cabelo do filme, que é muito difícil. Não era o mesmo cabeleireiro dessa vez, e estávamos concentrados na produção. Achou que ia me pegar, né, danada?