1- Aos 25 anos, com a carreira de cantora consolidada, não é hora de fazer uma capa da PLAYBOY?
[Risos.] Olha, não sei se o meu público veria isso de uma maneira legal, se agregaria alguma coisa à minha carreira. Como mulher, claro que tem uma vaidade. Como diz um amigo, daqui a pouco a gente vai ficar velho e ninguém mais vai querer comer a gente… Mas não sei se eu me sentiria confortável totalmente aberta e exposta. Não sei como iria encarar o gerente do meu banco, sabe? O cara da farmácia, que entrega lá em casa todo dia, falando: “Ê, dona Luiza…” Agora, se vocês me derem 2 milhões de dólares, a gente começa a conversar…

2 – Já é um começo.
Tudo é negociável… Brincadeira, acho que não tem por quê. Eu me sentiria à vontade, não tenho timidez, não teria pudor. Adoraria dizer que sou tímida e tal, mas não sou. Mas também não consigo enxergar ainda uma razão para fazer isso. Posso pensar diferente no futuro, acho que a gente tem o direito e o dever de mudar de opinião.

3- Você se acha gostosa?
Tem dias que sim, tem dias que quero morrer. Acho que como toda mulher. Sem querer ser piegas, esse não é um movimento só físico. Ser sexy é uma postura na vida e é muito diferente de ser vulgar. As mulheres mais bonitas que lembro estavam com um lápis no cabelo e sem maquiagem. Passavam uma segurança tão grande que acabavam ficando supersensuais. Ser sexy é isso. Não é: “Ah, malhei bunda ontem, então hoje estou bombando…”

4 – Mas malhar bunda não ajuda também?
Malhar bunda ajuda muito, é importante. Tudo é importante, trabalhar o corpo, a mente e o emocional juntos.

5- Sexo é importante para você?
Bastante. Comecei cedo, com 13 anos. Foi engraçado. Eu tinha um namoradinho e escalei ele. Um dia acordei e falei para as amigas: “É hoje!”. A gente estava vendo um filme em casa com uns amigos, e eu falei: “Meu nariz está entupido. Vamos pegar um Sorine?” E ele foi. Decidi que seria aquele dia, e foi. Ele era virgem também.

6- E foi bom para você?
Não, né? Foi bom ter realizado uma coisa que eu queria, mas claro que foi tudo esquisitíssimo, não sabia onde era nada, nem ele. A gente nem conseguiu no primeiro dia, só no segundo. Ah, então era isso… A energia sexual é muito forte. Se você gasta com qualquer um, de qualquer jeito, desperdiça uma energia importante. É horrível também quando se coloca que tem de fazer sexo todo dia, ou tantas vezes por semana. Você se vê escravo daquilo. É claro que tem fases em que você não quer e acabou, mesmo que elas durem pouco.[Risos.]

7- Duram no máximo quanto tempo?
Uns 15 dias. Eu me propus um celibato de 45 dias, mas conheci uma pessoa [o apresentador do programa CQC Marco Luque]… Mas tenho planos de um dia fazer esse celibato.

8- Quando estava solteira, você não passou mais do que 45 dias sem?
Não parei para pensar nessa conta. Mas não estamos matando cachorro a grito, pegando qualquer um na rua. Tudo aqui é tratado com creminho caro, com o maior cuidado, não é para ficar saindo
por aí com qualquer um que passa.

9 – Você já foi cantada por alguma cantora lésbica?
Já. Uma vez uma pessoa chegou em mim, mas levo tudo no bom humor, expliquei que não era por aí e ficou numa boa. Sou uma pessoa de preconceito zero, acho que a gente tem tesão pelas pessoas, não pelo que elas têm no meio das pernas. Não tenho o menor preconceito com nada, nem em relação à minha própria libido. Se tivesse vontade, não haveria o menor problema. Mas não tenho.

10 – Como é que você dorme?
Camisola tem um propósito. Você usa a camisola para um determinado fim. Depois que consegue seu fim, bota uma boa camiseta, gostosa.

11 – No seu primeiro namoro, seu sogro era o Nelson Rubens; no segundo, sua sogra era a Lucélia Santos. Ela te convidou para ajudar as crianças pobres do Tibete?
Não, a gente saía junta, ia tomar vinho, dar risada. Gosto muito dela. Mesmo. Já o Nelson é uma pessoa agitadíssima, chega em casa com 20 jornais, 20 revistas, tem muita informação sobre tudo. Uma coisa muito louca é o que tem de celebridade que liga para ele pedindo para colocar matéria. E não é só celebridadezinha passageira, não, é celebridade sinistra, jogador de futebol, atriz. Por mais que não se ache bacana o que ele faz, o cara inventou esse formato no Brasil.

12 – Quais foram as piores roubadas que você já passou em shows?
Uma vez peguei um avião em que não cabiam nem o teclado nem o tecladista. O cara falou que o ar-condicionado só funcionava quando chegasse lá em cima, então ele decolou com a porta aberta e foi cantando o voo inteiro. Uma vez eu estava meio distraída, chegou uma mulher para mim no meio do show e disse: “Parabéns”. Eu respondi: “Obrigada”. Ela falou: “Não, canta Parabéns”. Eu estava tão assim que comecei: “Parabéns pra você…” Lembro da cara da minha mãe na primeira fila, em câmera lenta… Só no meio da música é que me toquei do que estava fazendo.

13- Ser filha de uma cantora famosa [Zizi Possi] e de um produtor musical [Liber Gadelha] ajudou em algum momento na carreira?
Claro que sim, é uma herança. Meus pais não são ricos, a herança deles é o carinho das pessoas. Tem dias em que realmente me irrita porque, se eu for ruim, sou uma aberração; se for boa, é genética. O mérito nunca é meu. Às vezes tenho essa sensação: será que, se eu não fosse filha de quem sou, as pessoas me dariam mais valor por não ser genético? Mas na história não existe “se”. Claro que isso passa na minha cabeça; seria muita hipocrisia dizer que tudo isso é muito bem resolvido. Acaba virando motivação para me firmar.

14 – Nunca pensou em usar seu outro sobrenome, Gadelha?
Nunca, eu sempre fui Possi. No meu colégio tinha três Luizas, e eu já era a Possi. Gadelha não é sonoro. “Com vocês, Luiza Gadelha.”

15 – De repente, para o mercado gospel podia ser legal.
Não sei. De repente, para a política. “Vote em mim, Luiza Gadelha!” Eu amo minha família e amo meu sobrenome, mas acho que não é sonoro.

16- Você é amiga do Jorge Vercillo. Quantas vezes consegue ouvir um disco dele na sequência?
Nunca fiz esse teste, mas adoro ele. Eu o chamo de Jorgey. Numa balada, eu já estava pra lá de Bagdá, chamei ele assim e o apelido ficou. Ele é generoso, batalhou muito para chegar onde chegou. Não dá para agradar a todos, já é tão bom agradar a quem a gente consegue. O Oswaldo Montenegro falava isso, o artista só é um artista quando ele também é odiado.

17- O Oswaldo Montenegro pode falar disso com propriedade.
[Risos.] Acho que ele gosta disso…

18- Você bebe bem?
Bebo. Não que beba com muita frequência, mas, quando bebo, bebo bem. Gosto de beber whisky. Gosto também de cerveja, mas não dá para ser loirinha, bonitinha e beber cerveja porque no dia seguinte você não é mais loirinha nem bonitinha, você vira um monstro. Então prefiro whisky, que não me incha. Um amigo que me viu bebendo outro dia disse que tinha ficado orgulhoso de mim. Para beber comigo, tem de ser macho.

19 – E você não dá vexame bêbada?
Não, porque comecei a beber cedo, então paguei muito mico quando era mais nova. Muito mesmo, tipo cair na balada, passar mal. Foi legal porque hoje sei beber com dignidade, em cima do salto. Eu bebo a quantidade de um homem, mas como uma dama.

20 – Sua mãe sempre foi discreta. A única vez em que ela esteve envolvida num escândalo foi quando Ângela Rô Rô veio a público falar do romance entre as duas. O que você tem a dizer sobre isso?
Como você mesmo disse, minha mãe foi envolvida num escândalo por outra pessoa, ela não se envolveu. Então falar sobre isso seria um desrespeito com ela. Esse assunto para mim é muito tranquilo, eu soube disso desde que pude saber, desde os 12 anos. As pessoas falavam, eu não entendia muito bem, um dia fui perguntar e, como tudo na minha educação, isso foi falado tranquila e abertamente. Não há nenhum tabu nem para mim nem para ela, só não é para ser tratado em público. Roubaram o direito dela ao silêncio, era outra pessoa falando dela. Se falar alguma coisa sobre isso, vou fazer a mesma coisa, e posso escolher não fazer isso com a minha mãe.