1 – Você tem algum apelido além de Dona Casseta?
Tenho vários. Tem “Papaula”, “Papaulinha”, que é meu apelido de infância. Os amigos mais íntimos me chamam de Maria, só Maria. E o [meu filho] Felipe agora deu pra me chamar de “mainha”.

2 – Se você tivesse de escolher entre ser gostosa e ser engraçada, o que ia preferir?
Engraçada, claro! Porque, quando você é engraçada, dá pra fingir que é gostosa e todo mundo acredita. Agora, se você é só gostosa, pode tentar ser engraçada quanto quiser que ninguém vai cair na sua conversa.

3 – Tenho uma amiga que se diz a Tina Fey [humorista americana] brasileira, mas ela não faz muito sucesso. O que uma mulher precisa para fazer sucesso com o humor no Brasil?
[Risos.] Precisa ter muito jogo de cintura, alegria. Porque o humor tem muito a ver com a leveza da imagem também. Tem de ser despojada e não pode se levar a sério. Isso é o básico. A pessoa que se leva muito a sério ou que se acha muito não tem vez. Ela é perfeitamente sacaneável.

4 – E qual é a atriz você mais gosta de imitar?
A Deborah Secco, lógico! Ela é minha especialidade. Amo, A-MO fazer a Deborah Secco. Porque os personagens dela sempre são hilários, são meninas totalmente absurdas. Para mim, dá pano pra manga. Tem o detalhe de ficar vesga de um olho só, que é muito engraçado. Ela adora também.

5 – E qual é o personagem que lhe dá mais trabalho?
A Michelle Obama. Ela tem aquele queixo para a frente, um andar peculiar que é muito bom. Só que tenho de me pintar inteira de preto, e é um saco! Mancha todo mundo que encosta, suja as roupas. Realmente dá um trabalho fazer ela, mas eu adoro.

6 – Se você tivesse de escolher algum bordão, qual seria?
“Fala sééério!” Ai, que saudade que eu sinto do Bussunda…

7 – Como você superou a perda dele?
Ah, eu não superei. Sofro, choro, até hoje morro de saudade porque a gente tinha uma relação muito próxima. A gente era muito amigo, vivíamos grudados. Foi muita sorte ter convivido com ele. Era a mistura de Che Guevara com Bob Marley.

8 – Qual foi a piada mais engraçada da sua vida?
Eu fazia uma “deput ada de programa” que ficava rodando bolsinha, e o Claudio Manoel ficava vestido de prostituta. Uma hora o locutor me chamava de deputada, e eu falava: “Deputada, não! Prostituta! Eu sou prostituta!” E deu um problemão porque as deputadas não gostaram nem um pouco, óbvio. Mas era uma piada, a gente tava fazendo humor!

9 – Tem alguma cantada muito ruim de que você se lembre?
Eu lembro mais das muito boas. Teve uma vez que eu estava correndo, subindo a rua com meu rotweiller, e veio um caminhão de lixo. Daí o motorista botou a cabeça para fora e falou: “Por você eu enfrentava até o seu cachorrinho”. E meu cachorrinho era um monstro de 2 metros com dentes enormes! Eu achei essa sensacional!

10 – No filme De Pernas pro Ar, que estreia em janeiro, a sua personagem usa brinquedos eróticos. Agora que está solteira, você tem apelado para o uso desses acessórios?
Claro, eu sempre usei. Acho que os gadgets todos são sempre bem-vindos. Sou súper a favor de tudo que faz a gente feliz. Acho que temos mais é que usar e abusar.

11- E que tipo você usa?
No filme, tem uma cena linda em que eu experimento a calcinha vibratória [começa a gemer]. A calcinha vibratória eu “recomendio”!

12 – Em centímetros, quanto seria o ideal para um brinquedinho desses?
O ideal não é o tamanho, e sim o prazer que ele proporciona. Isso no geral, sem restrições. Engraçado que o tempo vai passando, chega a maturidade, e meu tesão foi migrando também. Antes o que me despertava tesão era um garoto lindo, hoje um homem inteligente desperta muito mais. Acho que a gente vai se adaptando e ampliando o leque. Não que o garotinho não desperte, mas o homem interessante desperta ainda mais.

13 – O filme fala de mulheres com problemas para ter orgasmo. Por favor, ensine nossos leitores a resolver o problema delas…
Acho que o orgasmo tem muito a ver com o clima. A mulher tem de estar relaxada. Ela tem de se sentir desejada e acolhida. Tem a coisa da intimidade também. Quando a mulher sabe que o parceiro vai respeitar a intimidade do casal, a probabilidade do orgasmo aumenta. Acho que esses caras exibicionistas que gostam muito de ficar falando não estão com nada. Eles dificultam a chegada no “gol do Maracanã”. Quanto mais o homem entender que a dois tudo pode acontecer e que ele deve preservar a privacidade do casal (ou de quem mais estiver envolvido, sem nenhuma restrição!), ele facilita a vida da mulher. É a dica que eu posso dar.

14 – No filme, Ingrid Guimarães diz que às vezes sente que o mundo é uma grande suruba para a qual ela não foi convidada…
[Interrompendo.] Ah, eu fui! Felizmente eu fui convidada para a grande suruba do mundo!

15 – Mas você já foi literalmente convidada para uma suruba?
Literalmente não. Mas eu estava casada; agora que eu estou solteira… Não saberia o que responder. Vamos ver, né?

16 – Se um homem broxa com você, o que você faz?
Uma bela massagem. É preciso dar uma chance. Na verdade, quantas ele quiser. Na mesma noite, na noite seguinte. Não sou preconceituosa, acho que a vida é muito além desses estereótipos. Por isso que eu falo que o garanhão perde com a vaidade. Quando fica muito cheio de pose, a gente não gosta.

17 – Em sua última entrevista para a PLAYBOY, em 1998, você disse que, se a convencêssemos a posar nua até os 30 anos, você poderia topar. Ainda temos chance?
Agora vocês têm até os 40. [Risos.] Olha, chance todo mundo tem de tudo. Eu não descarto nada nesta vida. Mas não penso nisso, não. No Casseta, eu já faço muito a gostosa, então essa vaidade está mais do que satisfeita. Não tenho essa piração. Tudo é uma questão de negociação.

18 – Os almoços de domingo com o senador Eduardo Suplicy [PT-SP] falando sobre o Renda Mínima foram os responsáveis pelo fim do seu casamento?
[Risos.] Claro que não. Pelo contrário. Aquela família é sensacional, eu adoro eles todos. O Eduardo, a Marta [Suplicy]. O João [Suplicy] é sensacional, a gente está cada dia mais amigo, a gente se respeita, se adora. Temos dois filhos lindos. Realmente eu estou muito bem de ex, ex-sogro, ex-sogra, ex-marido. Estou bem na foto.

19 – Agora que nós temos uma mulher na Presidência, você acha que a sacanagem em Brasília vai diminuir?
Votei na Dilma e tenho fé que sim. Não posso dizer que eu acho que vai, mas eu tenho mais esperança do que nunca.

20 – Você acha que mulher quer mesmo é poder?
Com ph? É lógico!