1- Como você furou o bloqueio e entrou no Festival de Veneza pelo tapete vermelho?
A idéia surgiu ali mesmo. A gente estava fazendo uma piada em que vendia máscaras do George Clooney e do Brad Pitt. E nessa de ficar ali, andando pra cima e pra baixo, de repente eu furei o cerco. Aí peguei o microfone e corri atrás de alguém! Obviamente me viram e eu fui retirado. Aí falei para a produção: “Não vamos queimar cartucho se a gente pode planejar melhor e entrar pra valer”. Então montamos uma estratégia e deu certo.

2- Os seguranças não manjavam?
São muitos! É diferente daqui. Se você vai a um evento em que está o [José] Serra, por exemplo, é o mesmo cara que você vai encontrar até o final. Em Veneza, alguns já me manjavam, mas eles se descuidavam na hora da troca e era aí que eu entrava.

3- Como os policiais te trataram?
Assim que eu pisei no tapete vermelho, os caras ficaram putos. Mas putos de uma maneira européia. Pediram meus documentos, mas eu não queria entregar porque achei que iriam cancelar minha credencial e me deportar. Até que chegou um delegado que falava inglês. Ele foi com a minha cara porque tinha alguém na família dele que se chamava “Rafaello” [risos]. Ele me levou até a delegacia, e eu pensava: “Se vou ser preso, deixa eu ficar amigo desse cara, ver se ele me bate com menos força…” [risos].

4- E bateu?
Não, não. Ele falou que o problema era que eu estava sem documento. “Você vai ter que ficar comigo até a gente achar um documento seu. E eu não estou com pressa…” Aí eu tateei os bolsos e falei: “Achei!” Ele me deu uma canseira, mas no fim me soltou. Saí agradecendo, até que chegou um outro policial: “Você não fala italiano, né? Mas vou te falar mesmo assim. Se fosse eu, e não aquele outro lá, você tomava dois tapas na cara e ia preso. Capisce?” E eu falei: “Capisce, signore”. Misteriosamente, entendi tudo o que ele falou.

5- Você chegou bem perto do Brad Pitt. Ele é cheiroso?
[Risos] Cheiroso? O Brad Pitt teve acne, cara. Sério. Já tinham me falado isso. Quando eu tava do lado dele, ainda tive tempo de dar uma olhada na pele dele e confirmar. A gente precisa zoar, humanizar esses caras.

6- Então esses galãs do cinema são feios ao vivo?
É uma boiolagem falar que os caras são lindos, mas achei o George Clooney um cinqüentão que eu quero ser um dia. Tem um charme meio cafajeste. Ele deu uma ótima resposta. “Como eu faço pra ficar igual a você?” E ele: “Você tem que beber muito”.

7- Que presentinhos você tentou entregar para eles?
Bonés, camisetas, óculos, bichos de pelúcia. Levamos uma mala inteira. Tinha até um DVD pornô! Esse eu olhei e falei: “Não, não, cara! Quem trouxe o DVD pornô?! Carnaval do Sexo?!” Esse eu limei. Está comigo… E é uma bosta! Só tem mulher horrorosa [risos].

8- Além da Charlize Theron, que você chegou a pedir em casamento, que outra atriz mexeu com você?
Alice Braga. Essa é para namorar. Não é daquelas que você fala: “Gostosa, vou te comer”. Nada disso. Alice é bonita sem fazer força. A Charlize tem uns peitos bonitos, um rosto lindo, mas não tem muita bunda. Já a Alice Braga é foda.

9- Quem é melhor: você ou o Vesgo, do Pânico na TV?
Cara, que pergunta… É a resposta mais demagoga que você vai ouvir, mas: “Não há melhor, há apenas diferentes”. Acho que o Vesgo é mais bonito do que eu. Isso vai soar muito gay, eu sei. Mas o meu pinto é um pouquinho maior do que o do Vesgo [risos]!

10- O Vesgo já apanhou bastante. E você, já foi ameaçado?
Já. Quando fui falar com o Eurico Miranda [ex-presidente do Vasco da Gama], eu tinha uma pergunta que era assim: “Ô, Eurico, agora que você não está mais no Vasco, podemos te chamar de ‘Eupobre’ Miranda?” Fui com essa na ponta da língua, mas um cara lá me viu e gritou: “Se zoar, vai levar porrada!” E mudei a pergunta: “Hãã… Não dá pra colocar o Romário no meu time da faculdade, Eurico?” Eu nem faço faculdade, cacete! Ficou uma merda. É que na hora em que ele falou que eu ia apanhar, vacilei.

11- Tem gente que não considera o CQC jornalístico. Já teve problemas com a imprensa?
Sim, quando tentava entrevistar a Juliana Knust. Uma garota de um site de fofoca falou: “Você pode dar espaço para uma jornalista séria fazer uma pergunta? Depois você faz sua piada”. E eu falei: “Nossa, você é bem séria mesmo, né? Fez jornalismo e está aí, trabalhando com fofoca”.

12- Tem algum entrevistado que sempre se sai bem?
O Paulo Maluf. Cheguei pra ele e perguntei: “Você participou de várias campanhas e ganhou poucas vezes. Mas sempre dá um jeito de ganhar alguma coisa, não é mesmo?” e fiz um gesto com a mão, sugerindo que ele rouba. Ele falou: “Quando você vai trabalhar todo dia, não vai abençoando os túneis que o Maluf fez?” A resposta foi mais lembrada que a pergunta! Não importa o repórter, a pergunta, ele sempre ganha.

13- Você ficou excitado ao falar com a Pamela Butt [atriz pornô que participou do CQC]?
Fiquei. E não foi nem por ela ser gostosa. É que a mulher cheira a sexo, entende? Ela tava ao meu lado, gemendo… Sou um homem solteiro! Mas não fiquei excitado do tipo incontrolável. Ela fala perto de você, cheira bem. E eu já tinha visto uns vídeos dela, né?

14- Então você tem uma coleçãozinha de filmes pornôs?
Não, não, não! Eu só tenho um DVD pornô, que é esse do Carnaval bagaceiro, que eu vou jogar fora [risos]! Tem a chamada na capa assim: “Proibido antes mesmo de seu lançamento”. Me animei! Mas tem uns caras muito feios, uns “maninho” pegando umas mulheres bagaceiras. E uma trilha de samba que não é samba, é meio que uma rumba [risos].

15- E você não gostaria de pegar a Pamela Butt?

Cara, eu fiquei com medo porque ela transa com uns caras que têm muita manha. Pegar uma atriz pornô deve ser muita responsa. Porque de duas, uma: ou ela vai fazer de conta que está gravando ou vai tentar ver o seu diferencial. Aí você tem que suar. E acho que ela transou muito na vida, e isso eu respeito. Não que eu não saiba transar bem! Mas fico intimidado.

16- Depois do CQC, ficou mais fácil pra você pegar mulher?
Sem dúvida nenhuma [risos]! Confesso. E é engraçado, porque na adolescência eu fui um cara tímido. E agora, não é que eu esteja pegando adoidado, mas está mais fácil. Mas quantidade não é sinônimo de qualidade. Tem muito canhão que gosta do CQC, sabia?

17- Na Band, você trabalha ao lado da Daniella Cicarelli e da Renata Fan. Já rolou alguma coisa?
Cara, com a Cicarelli teve uma história. Depois de um programa do CQC, recebi umas sete mensagens de texto dela falando “gostei disso, não gostei daquilo”. A galera do CQC achou que ela queria algo comigo, e eu acreditei neles! Ela então me chamou pra ir até a casa dela, e eu fui pensando: “Caralho, a Cicarelli me deu mole, é hoje!” Cheguei lá e ela estava com outras quatro amigas vendo televisão, cara… Frustrante! Não rolou nada. Depois ela arrumou um namorado e nunca mais falou comigo. Acho que só queria um amigo.

18- As gravações acontecem em cima da hora. Já rolou algum tipo de imprevisto?
Aconteceu um negócio engraçado na estréia da peça Os Produtores. Atrasamos e perdemos a entrada dos convidados, então tivemos que esperar até o fim da peça. Eram duas horas de espetáculo. Resolvemos tomar uma cervejinha por ali mesmo. Aí foi acumulando cerveja atrás de cerveja, caipirinha…

19- E deu bobagem?
Pior é que não! A equipe toda estava meio alta, mas, sinceramente, foi uma das melhores coberturas que eu já fiz. O fato de o [Miguel] Falabella estar chapado também contribuiu.

20- A saideira: qual o segredo para ser tão cara-de-pau?
O segredo é não entregar que está de sacanagem. Quanto mais natural for a coisa, melhor. Com uma cara de paisagem, você consegue qualquer coisa.