Matt Sorum não tem pudores quando o convidam para tocar em algum projeto. Pode apostar que a resposta dele invariavelmente será só uma: sim. A primeira banda de maior projeção na qual ele tocou foi a Y Kant Tori Read, liderada pela então desconhecida Tori Amos, em 1988. No ano seguinte ele já fazia parte do The Cult, banda com a qual tocou por um ano. Em 1990 veio o convite para tocar com o Guns ‘N’ Roses. O primeiro show de Sorum com a banda foi justamente no Brasil, em 1991, nas duas noites do Rock in Rio 2. Quando a banda começou a ruir em 1997, Axl Rose demitiu o baterista depois que ele defendeu Slash em uma discussão. Sorum então se reuniu com os também ex-integrantes da banda Duff McKagan e Slash para formar o Velvet Revolver, com Scott Weiland, vocalista do Stone Temple Pilots. Depois de dois discos, um Grammy e até alguns shows pelo Brasil, Weiland decidiu que queria se reunir com a antiga banda em 2008. Apesar de o Velvet Revolver não ter oficialmente acabado, os integrantes partiram para novos projetos. Hoje, Sorum reuniu nomes como Gene Simmons e Sebastian Bach para formar o supergrupo Rock ‘N’ Roll All Stars, que toca no Brasil no festival Metal Open Air, em 21 de abril. Falamos com ele sobre seus antigos projetos, o atual estado do Velvet Revolver e a tão falada volta do Guns ‘N’ Roses para a cerimônia do Hall da Fama do Rock.

1. Eu quero saber sobre a formação do Rock ‘N’ Roll All Stars. Como todos vocês decidiram tocar juntos neste projeto?

Duff McKagan [baixista do Velvet Revolver e do Guns ‘N’ Roses] e eu costumávamos conversar sobre montar outra banda. Ele já estava com o Loaded, banda solo dele, mas achei que seria divertido ir à América Central e do Sul tocando com ele. Então chamei [o guitarrista] Gilby Clarke, que esteve no Guns ‘n’ Roses com a gente. Pensei em chamar mais um guitarrista-solo, então liguei para Billy Duffy, do The Cult. Logo depois disso chamei Steven Stevens, [guitarrista da banda] do Billy Idol.  Naquele ponto, tínhamos uma boa banda e começamos a pensar nos vocalistas. Pensamos em chamar cantores diferentes que gostariam de se divertir conosco, tocar nossas músicas e fazer jam sessions por toda a noite. Chamamos Sebastian Bach, que é nosso amigo há um bom tempo. Depois Glenn Hughes [que tocou baixo e cantou no Deep Purple e fez os vocais no disco “Seventh Star”, do Black Sabbath] se juntou a nós. Convidamos também Joe Elliott, do Def Leppard, Gene Simmons, do Kiss e Ed Roland, do Collective Soul. O último cara a entrar na banda foi Mike Inez, que já tocou com o Ozzy Osbourne e era membro do Alice in Chains. Até agora nós apenas estamos nos preparando para a turnê. Será a primeira vez que tocaremos ao vivo e a nossa primeira grande turnê. Passaremos as próximas semanas ensaiando para os shows. Os brasileiros são sempre incríveis. Uma das melhores plateias. Estamos ansiosos para tocar na América Central e do Sul e foi por isso que decidimos nos apresentar nestes lugares. Porque o público realmente gosta deste tipo de show.

2. E o que você achou do convite feito a Charlie Sheen para participar do festival Metal Open Air, no qual você se apresentará?

Charlie não virá. Charlie não estará lá. Foi minha ideia convidá-lo, ele é um grande amigo meu, o conheço há muito tempo. Mas ele não vem.

3. O seu primeiro show com o Guns ‘N’ Roses aconteceu aqui no Brasil, no Rock in Rio de 1991. O que você se lembra do show?

É verdade. Eu me lembro de ter sido um dos shows mais loucos em que me apresentei. Fizemos duas noites com ingressos esgotados. Eu tinha acabado de entrar na banda. Foi incrível. Em um dos shows, tocamos na mesma noite que o Judas Priest e o Megadeth. No outro, Billy Idol havia tocado. Incrível, apenas incrível.

4. Aproveitando que falamos de Guns ‘N’ Roses: a banda irá se reunir na cerimônia do Hall da Fama do Rock?

Ainda não falamos sobre isso. Pelo que eu sei, Duff irá à cerimônia, eu irei, Steven Adler [baterista original da banda] também. Slash ainda não me disse se irá e ouvi dizer que Axl Rose também vai. Então, sabe como é, eu ainda não sei. Quer saber? Eu não me importaria de tocar. Não depende de mim. Existem os outros caras, um monte de personalidades. Eu não tenho nenhum problema com ninguém. Se eles quiserem tocar, eu estou disponível. Tenho certeza que Steven Adler ficaria feliz de tocar também. Acho que devemos apenas esperar para ver o que vai aconteer. Tudo será uma surpresa. Espero, pelos fãs, ver isso acontecendo. Pode acontecer ou não. Nunca se sabe. É tudo o que tenho a dizer sobre isso.

5. É verdade que no ano passado você esteve aqui no Brasil com Tracii Guns [guitarrista envolvido na formação do Guns ‘n’ Roses que foi substituído por Slash] para gravar uma banda brasileira?

Sim. Terminei um álbum do Kiara Rocks [banda paulistana], liderada por Cadu Pellegrini. Produzi o disco inteiro em São Paulo. Morei na cidade por um ano. O álbum será lançado neste ano.

6. Sobre a época em que você tocou no Velvet Revolver. Por que a banda nunca encontrou um vocalista para substituir Scott Weiland [ex-vocalista da banda e atual do Stone Temple Pilots, grupo que fundou]?

Tem sido difícil encontrar alguém para substituí-lo. Scott realmente fazia parte do som original da banda. Ainda estamos tentando. Não desistimos. Estamos sempre procurando. Tentamos vários caras.

7. Como você reagiu quando Scott disse que sairia da banda? Existe alguma chance de ele voltar ao grupo?

Não fiquei feliz quando ele nos comunicou. Tínhamos nossa banda, estávamos indo bem. Naquela época, pensei que a banda deveria continuar. Ele poderia ter voltado ao Stone Temple Pilots e continuado com o Velvet Revolver. Muitas pessoas por aí possuem mais de um projeto. Foi um pouco estranho.

*Matt Sorum faz solo de bateria em seu primeiro show com os Guns ‘n’ Roses, no rock in Rio de 1991

** Matt Sorum se apresenta com o Rock ‘N’ Roll All Stars em 21 de abril no Metal Open Air, em São Luís do Maranhão. Ingressos de R$ 35 a R$ 450 aqui.