Gruff Rhys, conhecido pelo trabalho com o cultuado grupo Super Furry Animals, é um contador de histórias. Para este galês, a pergunta mais inocente pode se tornar motivo para surpreender nas respostas e contar histórias hilárias. Como na vez em que sua família preferiu assistir Beyoncé a vê-lo se apresentar ou quando conheceu um ex-Beatle na saída do banheiro. O cantor começou a carreira no início dos anos 1990, com o Super Furry Animals. Apesar de ter nascido no auge do britpop, a banda não ficou restrita à estética do gênero e se aventurou pela música eletrônica e por influências psicodélicas. Além do SFA, Rhys também participou do projeto Neon Neon, indicado ao Mercury Prize, em 2008, e já fez inúmeras parcerias com artistas como Gorillaz e Danger Mouse. Ele se apresenta solo no Brasil em março.

1. Você já trabalhou com artistas como Gorillaz, Mogwai, Danger Mouse, De La Soul e Manic Street Preachers. Qual é a sua parceria favorita?
É bem estranho para mim porque venho de um vilarejo nas montanhas, sabe? Nunca esperei que um dia tocaria com pessoas como estas. A primeira banda que me convidou foi o Mogwai. Eles são grandes amigos meus e foi bom voltar a Glasgow para encontrá-los. Mas acho que a minha parceria favorita é com o Super Furry Animals. São meus amigos. É a mais especial para mim.

2. Você vai se apresentar com John Ulhôa e Fernanda Takai nos shows em março no Brasil. Você já conhecia o Pato Fu?
Sim! Conheci a banda há muito tempo, em 2000, acho. Foi em Londres. Talvez eles estivessem mixando uma música no mesmo estúdio em que estávamos gravando. Vai ser bom poder encontrá-los novamente. Os shows serão malucos! Vai ser bem tranquilo. Vamos ensaiar por um dia. Acredito que faremos meia hora das minhas músicas, meia hora das deles e depois tocaremos juntos. Será bem descontraído.

3. Como foi a experiência de tocar no festival de Glastonbury, na Inglaterra, ano passado?
[Risos] No ano passado eu toquei na noite de sábado no festival. Estava me apresentando no Park Stage [palco secundário do evento]. No palco principal estava Beyoncé, ao mesmo tempo. Minha família foi ao Glastonbuty e todos eles preferiram assistir a Beyoncé. Até mesmo eu não conseguia aguentar de ansiedade para vê-la! Estava gostando de tocar, sabe? Mas queria ver a Beyoncé também.

4. Como foi a experiência de participar do Liverpool Sound Collage [disco de remixes dos Beatles que envolveu Paul McCartney, Super Furry Animals e o produtor Youth]?
Foi insano. Em 1999 eu conheci Paul no NME Awards [premiação anual do semanário britânico] com meu amigo Cian [Ciaran, tecladista do SFA]. Ele tinha ido ao banheiro e Paul McCartney estava acabando de sair. Conheci-o lá, no banheiro. Estávamos um pouco bêbados. Nunca tínhamos ido a outro evento e estavam servindo álcool de graça. Umas duas semanas depois, Paul nos enviou duas caixas recheadas de fitas originais dos Beatles para que fizéssemos um remix. Foi insano, totalmente inesperado. Nós ouvimos jam sessions dos Beatles que nunca tinham sido usadas. A maior parte do trabalho foi feita por Cian, mas eu fiz um sample de uma conversa entre John e Paul. Foi incrível.

5. O Super Furry Animals sempre esteve em grandes gravadoras do Reino Unido: Creation, Epic e, mais recentemente, Rough Trade. Com qual você mais gostou de trabalhar?
Me sinto bem sortudo de ter trabalhado com tantas gravadoras que nos deixaram fazer a música dos nossos sonhos. Quando assinamos com a Creation Records nos anos 1990 [no auge do britpop e com a mesma gravadora do Oasis] foi uma grande mudança em nossas vidas. Aquilo foi bem emocionante. Mas eu gosto de todas [risos]! Sou grato às pessoas que me deixaram entrar no estúdio e gravar. Sou muito grato.

* Confira o clipe de Golden Retriever

** Gruff Rhys se apresenta em março no Brasil. Dias 7 e 8 com Fernanda Takai e John Ulhôa, do Pato Fu, no Studio SP (Rua Augusta, 591 – Ingressos de R$ 40 a R$ 80 aqui); dia 10 em Curitiba, no The Peppers Bar (Rua Inácio Lustosa, 496 – Ingressos de R$ 100 a R$ 120 pelo telefone (41) 3351-0808 ou nos quiosques dos shoppings Mueller, Estação e Palladium).