Uma banda de rock padrão tem sempre três ou mais integrantes. Mas a força inventiva dela geralmente se constrói em torno de dois músicos. O relacionamento deles pode até ser considerado saudável, criativamente falando, mas as personalidades costumam ser diametralmente opostas e os conflitos se tornam frequentes. Foi assim com Lennon e McCartney, Jagger e Richards, Strummer e Jones… E com Pete Doherty e Carl Barât, no Libertines.

A afinidade dos dois no palco e no estúdio não foi suficiente para evitar o fim tumultuado de uma das bandas mais prestigiadas da última década. A ponto de Doherty ser preso por invadir a casa do amigo e seguranças serem contratados para evitar o confronto físico da dupla durante as gravações do último disco, lançado em 2004. Bârat se apresenta por aqui em abril. Sozinho. Falamos com ele sobre seus novos projetos, sua vinda ao Brasil e o futuro do Libertines.

1. Quais são suas expectativas para o show no Brasil?
De acordo com as minhas últimas experiências, será bem elétrico. Já toquei no Brasil algumas vezes. A primeira foi com o The Libertines, sem Pete Doherty [em 2004, no extinto Tim Festival]. Não existe nada igual no resto do mundo. Há alguns meses, toquei em Pirenópolis [no festival Canto da Primavera, em Goiás]. Foi lindo, no meio da floresta. As garotas eram lindas. E a energia era tão grande… Não esperava algo parecido em uma quarta-feira à noite no meio de uma floresta. As pessoas estavam muito animadas. Nos próximos shows vou tocar com os caras do Black Drawing Chalks, uma banda brasileira muito mais pesada se comparada com a que eu toquei da última vez. Eles são fantásticos.

2. O Libertines tem muitos fãs aqui no Brasil. Devo dizer a eles que podem esperar por um retorno da banda em breve?
Nós devemos fazer algo nos próximos anos. No momento, eu e Pete estamos atuando e trabalhando em projetos diferentes. Nos falamos com certa frequência, mas ele está em Paris e eu, em Londres. Tocamos com o Libertines em 2010. Mas agora estou compondo coisas novas para a minha carreira solo. Não sei ainda que direção este material vai tomar, mas será algo mais pesado. Se os fãs devem esperar uma reunião do Libertines em breve? Talvez algum dia façamos um novo disco… Mas não agora.

3. Você trabalhou com Mick Jones [ex-integrante do The Clash] quando estava no Libertines. Imagino que ele era um grande herói para você…
[Interrompendo.] Bem, ele é agora. Mas quando o conheci, não fazia ideia de quem ele era. Quando estávamos trabalhando com Jones [que produziu os dois discos de estúdio da banda], ele me levou muita coisa do The Clash e do Big Audio Dynamite, banda da qual também participou. Tudo para que fôssemos influenciados por este material durante as gravações. No fim, eu me tornei um grande fã.

4. Por que o Dirty Pretty Things [banda formada por Barât logo após o fim do Libertines] se separou?
Apenas acho que ficou chato. Estar na banda deixou de nos fazer felizes. Quando algo se torna entediante, existem dois caminhos: ou a música e a energia são tão incríveis que vale a pena continuar ou é tudo um lixo e você não quer estar lá. E foi isto o que aconteceu com o Dirty Pretty Things. Começaram a discutir sobre dinheiro, egos… E por sorte ainda somos amigos hoje. Se não tivéssemos nos separado, não seríamos. Prefiro ser amigo deles hoje a ter continuado na banda sem estar feliz.

5. E você ainda pretende trabalhar como ator?
Sim. Agora estou ensaiando o roteiro de um filme. Estou fazendo testes para o papel. Será um filme bacana, Iggy Pop está nele. Prefiro participar de filmes mais sombrios e interessantes, não como os de Hollywood. Provavelmente vai ser lançado em 2013.

*Veja o clipe de So long, my lover. Trabalho solo de Barât

**Carl Barât se apresenta no dia 12 de abril no Beco SP (Rua Augusta, 609 – ingressos a R$ 88) e no dia 13 de abril no Beco RS (Avenida Independência, 936 – ingressos a R$ 66). Compre aqui.