É normal que vez ou outra algumas bandas precisem trocar seus integrantes. Mas, convenhamos, desde 1983 o Megadeth já teve 19 membros. O único que esteve em todas as formações foi Dave Mustaine, vocalista e guitarrista da banda. Tudo começou quando Mustaine foi demitido do Metallica no mesmo ano, episódio que deu origem a uma das maiores tretas da história do rock. De lá para cá, o Megadeth passou por várias formações, é verdade, mas se tornou um dos maiores nomes do thrash metal ao lado de nomes como Slayer, Anthrax e do próprio Metallica. Falamos com o atual baterista da banda, Shawn Drover, sobre os conflitos de Mustaine e o medo de ser expulso da banda.

1. Você entrou para o Megadeth apenas cinco dias antes do início da turnê em 2004. Já conhecia as músicas? Como foram os ensaios?

Eu sou um fã de Megadeth desde que Killing is My Business… And Business is Good (1985), então já estava familiarizado com as músicas antigas. O problema era que eles tinham acabado de lançar um disco novo chamado The System Has Failed (2004) e eu ainda não o tinha ouvido. Precisei me esforçar para aprender todas aquelas músicas em quatro dias. No quinto viajamos e no sexto já estávamos nos apresentando em Nevada, eu acho. Tudo funcionou, mas, acredite, foi muito trabalhoso.

2. Mustaine havia dito que The System Has Failed seria o ultimo disco da banda. Você sabe o que o fez mudar de ideia?

Quando fizemos aquela turnê, praticamente todos os shows tiveram ingressos esgotados. A banda estava tocando muito bem e o clima era muito bom. Acho que ele percebeu que éramos uma banda e que as coisas caminhavam bem. Acredito que ali ele mudou de ideia e decidiu continuar com o Megadeth. Fiquei muito feliz com isso. Não queria que terminasse e aqui estamos.

3. Você foi o responsável pela reconciliação entre Mustaine e Dave Ellefson [baixista original do Megadeth que retornou à banda em 2010]. O que fez você ligar para Ellefson quando James LoMenzo saiu da banda?

Uma vez que James estava fora do Megadeth, eu pensei que os fãs não gostariam que ele fosse substituído por um baixista desconhecido. Muitos dos que gostam de Megadeth admiram James, pelo baixista e pela pessoa que ele é. Para mim seria saudável para a banda tê-lo novamente como baixista. Liguei para Ellefson para saber se ele toparia e se mostrou interessado, mas antes eu ainda precisava conversar com Mustaine. Os dois concordaram e, um dia depois, Ellefson já estava conosco no estúdio e tudo deu certo. Ele já voltou há dois anos e tem sido incrível.

4. Você se sente seguro em uma banda que tem a tradição de sempre mudar de integrantes?

Bem, eu estou aqui há oito anos [risos]. Eu devo estar fazendo alguma coisa certa. Você não pode se preocupar com coisas assim. Muitas bandas trocam frequentemente de membros ao longo dos anos – e o Megadeth é uma delas. Mas não acredito que foi algo planejado pelo Dave. Os antigos integrantes saíram, foram demitidos ou então apenas mudaram, o tempo passa. Eu me sinto exatamente como quando entrei na banda. Amo o Megadeth e amo esse tipo de música. Isso não vai mudar para mim. Não acho que algo vá mudar em um futuro próximo.

5. Mick Wall, autor da biografia do Metallica disse que a briga entre Mustaine e o Metallica ainda continua. Você concorda com isso? O que você observou no último show do Big 4?

Eu acho que foi bom para Dave fazer parte daquele show, estar próximo a tudo o que aconteceu com o Metallica há 30 anos. Foi bom que todos nós tocássemos juntos, não apenas com o Metallica, mas também com o Slayer e o Anthrax. Dave conversou muito com o Metallica e tudo aquilo ficou para trás, faz parte do passado. São todos amigos, não há mais problemas.