1- Você é mais conhecida por duas séries de sucesso em que faz a garota gostosa e divertida capaz de dobrar praticamente qualquer um num piscar de olhos, 8 Simple Rules e The Big Bang Theory. A arte imita a vida?

Pelo que me dizem e pelo que observo, os homens parecem ficar intimidados comigo. Logo, resolvi tomar eu mesma as rédeas. Sou cara de pau e vou até o sujeito e digo: “Te achei um gatinho. E aí, vamos sair?” Eles geralmente ficam de olhos esbugalhados… Mas, o que pode acontecer além disso? Honestamente, não acho que eles vão dizer não.

2- Você e os seus colegas de série participaram de um debate neste ano na Comic-Com [evento anual sobre quadrinhos e cultura pop, realizado em San Diego]. Por acaso alguns Sheldons e Leonards da vida real a abordaram, achando que tinham chance?

Como eu faço uma série de nerds, as pessoas me perguntam se eu gosto de nerds. É claro que eu não tenho um QI superalto, mas sempre gostei de nerds e caras esquisitinhos. Na Comic-Con, eu disse aos rapazes da série: “Vou encontrar meu marido aqui”. Acho sexy quando os caras assumem o controle, mas o tipo atleta só dura algum tempo. Gosto mais do tipo músico ou escritor, mas o que me atrai pra valer, de verdade, é o cara divertido. Comigo é sempre na base do “Você consegue me fazer rir? Porque eu vou te fazer rir”.

3- E se ele for mais divertido do que você?

Não quero que ele seja mais divertido do que eu, mas todos os homens com quem saí têm sido bem doidinhos.

4- Big Bang Theory não foi um sucesso logo de cara…

Sejamos sinceros: a primeira temporada de qualquer série pode ser bem ruinzinha. Pense em Friends, Seinfeld, Frasier. Filmamos oito episódios para a primeira temporada e, quando a greve dos roteiristas explodiu, achamos que estávamos acabados. Mas eles continuaram passando os oito episódios. E o mais genial é que passavam nos aviões, onde as pessoas eram obrigadas a assistir, a não ser que nos odiassem tanto a ponto de pular…
5- Depois de trabalharem juntos por quatro anos, em que situações você e seus colegas se irritam uns com os outros?

Quando você está numa série, faz parte de uma família. Brigamos, mas, antes de gravar, nós cinco formamos um pequeno círculo, mesmo quando não queremos, e dizemos uns aos outros: “Eu te amo”. Tento manter todo mundo junto porque o pessoal fica meio dispersivo. Eu me sinto como a Wendy, do Peter Pan, com os Garotos Perdidos.

6- Você acabou namorando John Galeck [ator que interpreta Leonard]. É uma boa ideia namorar um colega de trabalho?

O fato é que eu fiquei louca pelo Johnny. Percebemos logo de cara que tínhamos uma ligação, e a coisa rolou. Mesmo pensando lá no fundo que aquilo podia acabar bem mal, a gente não estava nem aí. Caímos de cabeça. Quando aquele fogo, aquela atração aparece, ninguém vai me dizer não.

7- Qual dos seus colegas na série pode lhe dar mais dor de cabeça por causa desta entrevista?

Na verdade, não contei a nenhum deles que ia dar esta entrevista, mas acho que Johnny é quem pode implicar mais. Na real, acho que eles todos vão ficar passados…

8- Você costuma ser admirada pelo seu corpo cheio de curvas. Você se considera sensual?

Odeio quase tudo no meu corpo, mas tenho orgulho da minha barriguinha. Sou viciada em spinning, ioga, andar a cavalo. Com outras mulheres, ou quando estou sozinha, ando pelada o tempo todo. Numa boa. Mas, por mais aberta que eu seja, na hora da depilação ou do bronzeamento não tiro a calcinha do biquíni de jeito nenhum. Preferiria enfiar um lápis no olho a ficar nua.

9- Como era o relacionamento com a sua família?

Minha mãe é irlandesa, e o meu pai e a maior parte da família são italianos. Logo, é claro que sempre havia muita comida, maluquice e gritaria. Tenho uma irmã três anos mais nova, e outro dia ela, meus pais e eu estávamos juntos assistindo a uns vídeos caseiros. Mesmo com 5 anos eu já estava lá, feito uma idiotinha, dançando pela casa, entrando na frente de todo mundo.

10- E como você fez para envergonhar o nome dos Cuoco?

Apesar de todo o barulho em casa, eu venho de uma origem conservadora. Eu era supercertinha. Nunca toquei num baseado em toda a minha vida. Tive medo de beber até os 21 e, embora bebesse um pouquinho, sempre ficava com a cabeça cheia de culpa. Fiz uma tatuagem aos 17, e naquela época isso era bem radical. Mas eu já tinha uma carreira. Esse era o meu verdadeiro foco.

11- Você já era modelo aos 6 anos e estava na TV aos 7. Considerando sua personalidade e os ganhos financeiros, você deve ter desafiado seus pais uma ou duas vezes…

Não acho que tenha infernizado muito a vida deles, mas, aos 15 anos, se eles dissessem que eu não podia fazer algo, eu atacava com o velho “Bom, eu ganho o meu dinheiro. Acabei de fazer um filme. Acabei de aparecer na TV”.

12- Como a sua família lida com sua fama?

Meus pais são mais do que incríveis. Estão casados há mais de 30 anos e não têm nenhuma relação com o show business. Quando eu disse que ia apresentar o Teen Choice Awards deste ano, minha mãe respondeu: “Que bom! Vou sentir sua falta. Quando vamos nos ver de novo?”

13- Em 8 Simple Rules, você fez uma personagem descrita como “a garota mais gostosa do colégio”. Você era a mais gostosa do campus?

No minuto em que comecei a ficar popular na escola, não gostei nem um pouco. Eu odiava a escola mais do que tudo. Aos 16 anos, disse aos meus pais: “Vou ser atriz pelo resto da vida e quero estudar em casa, me formar cedo e fazer o que quero”. E foi o que fiz.

14- Como você sentiu a morte inesperada de John Ritter, seu pai em 8 Simple Rules, em 2003?

Foi a maior perda da minha vida, e sempre será. Ele era tão maluco, adorável…

15- Quando você sente mais a influência dele?

Sempre que penso em uma tirada de humor negro, eu dou risada porque sei que ele está lá, sentadinho no meu ombro, como uma mistura de diabinho e anjinho, me incitando.

16- Você é viciada em alguma coisa na TV do mesmo jeito que os fãs são viciados em The Big Bang Theory?

Depois de estar na TV a vida toda, não consigo mergulhar em seriados ou coisas assim porque estou sempre prestando atenção nos cabelos, na maquiagem, na iluminação, no timing, no funcionamento do programa. Eu amo Hoarders [série de TV sobre pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo]. É absurdamente cru, mas não consigo parar de assistir.
17- Ser alguém que cresceu na TV a fez chegar a “oito regras simples” para se manter longe das clínicas de reabilitação e dos tabloides?

Em 20 anos aprendi que, se você vai almoçar toda tarde no restaurante da moda ou em um lugar onde há 8 mil paparazzi, não dá para ser um mala e ficar reclamando: “Oh, por favor, nada de fotos…” Aprenda a gostar de ficar em casa, curta os seus grandes amigos e tenha 1 milhão de animais, como eu. E, quando sair, sempre use calcinha.

18- Cuoco significa “cozinheiro” em italiano. Se o coração de um homem está no estômago, qual é a sua receita infalível para a sedução?

Não cozinho muito bem, mas acho impossível errar com morangos e chantilly. Chantilly combina com muita coisa e pode acabar em muitos lugares. É extremamente sensual.

19 Qual foi a coisa mais louca, mais agressiva que você já fez por amor? Costumo deixar que os homens façam as coisas malucas por mim. Uma pessoa com quem venho saindo recentemente atravessou o país só para jantar comigo e tinha de voltar para casa no dia seguinte. Aquilo foi tão legal, me deixou tão ligada… Mostrei meu amor e minha satisfação de muitas maneiras. Digamos que é bem possível que ele faça isso de novo em breve…

20- O que recarrega as suas baterias?

Entrar na minha jacuzzi com uma taça de vinho ouvindo Sinatra ou Etta James é muito sexy. Também gosto de me enfiar na camisa de um homem, ficar com os animais e assistir à TV, também com uma taça de vinho. E tem o meu incrível closet de sapatos, que é simplesmente indescritível, onde eu posso pôr meus sapatos sexy e meus jeans skinny. É isso que eu adoro no meu trabalho: posso estar um caco o dia inteiro e, então, me produzo toda para um evento à noite e fico completamente deslumbrante!