A cantora Sandy Leah Lima chega ao hotel Vitória, um dos mais sofisticados de Campinas, ao volante de seu Volvo XC60 prata. Alguns metros atrás, em outro carro, dois seguranças a vigiam discretamente. Eles ficam na calçada quando a cantora adentra o hall do hotel. A despeito de seu 1,58 metro de altura e seus meros 41 quilos, Sandy vira alvo das atenções. Maquiada e penteada, de salto alto, calça de couro marrom justa e casaquinho florido, ela pega o elevador para chegar a uma das maiores suítes do hotel. Ninguém poderia imaginar que ali, entre quatro paredes, ela seria fotografada para a PLAYBOY. Mas, infelizmente, não do jeito como o leitor gostaria de vê-la. No entanto, acredite, ela se desnudou muito mais falando d0 que faria se estivesse posando.

Tão logo se senta na poltrona reservada a ela, Sandy dirige-se ao fotógrafo Omar Paixão mostrando o lado esquerdo da face. “Este é o meu melhor ângulo”, sugere. Ela está incomodada: não quer que, como é praxe nas entrevistas da PLAYBOY, as fotos sejam feitas durante a conversa. “Eu fico travada”, explica. Preocupada com sua imagem, Sandy chega em dado momento a levantar-se da cadeira para melhor posicionar o tripé com a câmera. “Em alguns ângulos eu fico gorda”, justifica. Durante o bate-papo, ela ainda iria ao banheiro, carregando uma maletinha metálica, para retocar a maquiagem. Em outras ocasiões, sacaria um gloss para pintar os lábios. São atitudes que revelam a vaidade de quem, em determinado momento, é taxativa: “Não me acho bonita como dizem”.

Na primeira sessão, Sandy parece, de fato, tensa. Posicionada no único espaço com fundo neutro do quarto (condição exigida para as fotos da reportagem) e tendo diante de si a editora Adriana Negreiros e a repórter Camila Gomes, ela se porta como se fosse alvo de um interrogatório em uma delegacia de polícia. Para tornar a situação mais constrangedora, a conversa é acompanhada por sua assessora de imprensa e por uma camareira, que, fascinada diante da figura da cantora, não arreda pé da suíte. Entre teorias literárias (ela é formada em letras pela PUC de Campinas) e opiniões positivas sobre o governo Dilma – em quem não votou, embora não revele seu escolhido –, Sandy esquiva-se quanto pode de assuntos pessoais.

Na segunda sessão da entrevista, a situação é bem diferente. O encontro acontece na 11.16, mistura de café, loja e galeria de arte no elegante bairro do Cambuí, em Campinas. Sem fotógrafo ou camareira, em frente a uma mesa com pães, café e água sem gás, Sandy, de short, botas e maquiagem leve, está mais descontraída. Mas nem tanto.

Não é fácil quebrar a resistência de alguém que se tornou celebridade na infância e que, aos 28 anos, sempre teve seus passos monitorados por assessores de imagem e produtores. Filha do cantor Xororó, da dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó, Sandy não se lembra de algum dia ter vivido a rotina de uma pessoa comum – ela não consegue nem ir à padaria sem ser importunada por fãs. Aos 6 anos, em dupla com o irmão Junior, um ano mais novo, ela fez seu début em rede nacional ao cantar no programa Som Brasil, da Rede Globo, a música Mariquinha. Nascia ali a dupla Sandy & Junior, que em 17 anos de carreira vendeu 17 milhões de discos. Além de cantar com o irmão, Sandy atuou nos filmes O Noviço Rebelde e Acquaria, na novela Estrela-Guia e no seriado Sandy & Junior. Dando continuidade à carreira de atriz, em junho deste ano aceitou o convite para fazer uma participação especial em As Brasileiras, seriado da Rede Globo dirigido por Daniel Filho. Em 2007, os irmãos se separaram – “em comum acordo”, segundo conta – e Sandy iniciou carreira solo. Em 2010, ela lançou o primeiro disco, Manuscrito. Neste mês de agosto, deve gravar seu primeiro DVD solo. Mesmo tendo vivido sob os holofotes, ela nunca foi flagrada em situações que desabonassem sua fama de boa moça. Quando tinha 14 anos, disse em uma entrevista que poderia se casar virgem – uma declaração que a estigmatizou durante anos. “Virei a virgem do Brasil”, desabafa.

Sua imagem de garota virginal foi colocada no centro de uma polêmica no Carnaval deste ano, quando Sandy surpreendeu seus fãs ao tornar-se garota-propaganda da cerveja Devassa, em substituição à desenvolta Paris Hilton. Devassa é o tipo de adjetivo que ninguém jamais ousaria aplicar a uma moça como Sandy. Quer dizer, pelo menos até a publicação desta entrevista.

Por que você não gosta de falar sobre sexo?
Eu não me importo de falar sobre sexo. Eu me importo de falar sobre a minha vida sexual. Aí eu me importo.

Mas qual seria a razão disso?
Porque, por eu ser uma pessoa reservada, as pessoas valorizam demais quando uma declaração dessas sai da minha boca. Tenho preguiça disso. Não quero isso, entendeu? É por isso que eu evito entrar em detalhes.

Quantos anos você tinha quando perdeu a virgindade?
Isso todo mundo quer saber [risos].

26 anos?
Claro que não. Casei com 25.

Então, 25.
Não! Olha, a única coisa que eu posso falar é a seguinte: a imagem de virgem é um mito. Eu só queria lembrar a todo mundo que eu casei com 25 anos. Não casei com 21, 20, 19. Eu namorei muitos anos, não cabe pensar esse tipo de coisa. Eu sempre tive um ótimo relacionamento com meu marido mesmo quando ele era meu namorado. Eu cuido dos meus sentimentos. O sexo é importante num relacionamento. É um negócio importante psicologicamente para a mulher. E por isso nunca fui dada a promiscuidade, sexo casual e tal. Nesse sentido, se quiser chamar de conservadorismo, tudo bem. Não acho que seja, acho que é o jeito de cada pessoa. Sou uma pessoa fiel; se estou com alguém, estou só com ele e não me considero careta por isso. E também não acho que sexo tenha de ser um negócio completamente tabu.

Você declarou aos 14 anos que gostaria de se casar virgem.
[Interrompendo.] Detalhe: eu não declarei. Me perguntaram, e eu respondi.

Ok, mas, na época, teve-se a impressão de que você defendia a virgindade. Não era isso, então?
Nãããão. Nunca preguei que se deveria casar virgem. Quando eu tinha 14 anos, disse que achava bonito casar virgem, que minha mãe tinha casado virgem e que eu não poderia prever, mas talvez isso pudesse acontecer comigo. Mas, enfim, isso tomou uma proporção absurda e eu virei a virgem do Brasil.

Isso significa que, para você, a experiência sexual antes do casamento é importante?
É válida. Não é necessário casar virgem, essa é uma escolha de cada pessoa. Na minha opinião, como sexo é uma coisa muito importante num relacionamento, não dá pra ignorar esse fato. Não dá pra você estar com alguém que você ama como ama seu irmão, seu amigo. Eu acho interessante você saber, antes de casar, se é compatível sexualmente com o seu parceiro.

Entre quatro paredes vale tudo?
Com certeza. Não tenho preconceito.

Você já foi a um clube de swing?
Evidentemente que não no Brasil, pois no dia seguinte isso estaria em todos os jornais… Já tive vontade de ver. Confesso que até agora só não fui fora do Brasil porque tenho medo de encontrar brasileiros e eles saírem falando.

Você participaria de um swing?
Eu acho que não. Principalmente pelo ciúme de ver meu marido com alguém. Eu acho esquisitíssimo o desprendimento de quem gosta de swing. Esse seria o meu problema: não ligar para o meu marido com outra. Mas um dia eu vou para ver como é. É diferente você ir numa casa de swing e encontrar brasileiros e ir numa sex shop. Isso aí, se alguém falar, não tem problema. Eu já fui em sex shop.

O brinquedo que você comprou lá tinha quantos centímetros?
Nem te falei o que eu comprei! [Risos.]

E o que você comprou?
Ah, aí vocês já estão querendo saber muito! Já entrei mais de uma vez. Eu acho legal ir a sex shop. De vez em quando dá curiosidade. Já comprei algumas coisinhas. Mas não vou dizer o quê.

Você já disse que gosta de lingerie. De que tipo você gosta?
Adoro principalmente as pretas. Acho lingerie preta supersensual, principalmente para quem tem pele clara, como é o meu caso.

Você tem lingeries ousadas?
Claro.

Fio-dental?
Com certeza! Tenho tudo quanto é tipo de lingerie que vocês podem pensar! Adoro comprar e adoro usar! Compro mais quando viajo, em férias, porque tenho tempo e mais privacidade, não tem tantos brasileiros me vendo ou me assediando. Gosto de comprar na Victoria’s Secret. Mas eu também tenho lingerie básica. Tem ocasiões para tudo.

Qual é a sua playlist de músicas para transar?
Jazz, principalmente. Tem um disco que a Ella Fitzgerald gravou que se chama Ella Sings Broadway. Tem uma música que se chama Whatever Lola Wants, uma música até conhecida. Essa é uma boa. E gosto de Miles Davis, uma música instrumental com trompete é bem sensual. E num momento mais agitado vale um rock’n’roll.

Você já transou ouvindo suas músicas?
Tipo: “Vamos pular, vamos pular”? Se fosse Manuscrito ia ser mais fácil. [Risos.] Mas é um negócio que não dá pra fazer porque tira a concentração.

E ainda mais ouvindo a voz do Junior…
Ia ser quase um incesto [risos].

E qual é a melhor música para um striptease?
Essa aí que eu falei, Whatever Lola Wants, é perfeita.

Sempre que faz um striptease você costuma colocar essa música?
Ah, engraçadinha, até parece… Olha, já que você quer um furo, vou te dizer: eu sou boa em striptease.

Você já viu filmes pornô?
Já. Não sei dizer quantas vezes, mas já vi.

E que tal?
Ah, tem momentos em que é bem adequado.

Dizem que mulheres gostam mais de filmes com historinha.
Ah, não. Acho que historinha é só pra enrolar. Ainda mais porque os atores normalmente não atuam muito bem. Eu acho que os filmes pornográficos poderiam ter menos historinha e ir direto ao assunto.

Isso de que as mulheres não gostam de filmes eróticos sem historinha é um dos muitos mitos sobre a sexualidade feminina. Outro mito recorrente é o de que as mulheres não se masturbam. Não mesmo?
Se não se masturbam, deveriam. É completamente válido. Temos de conhecer o nosso corpo antes de querer que os nossos parceiros conheçam! Como a gente pode exigir que o parceiro conheça o nosso corpo se você não conhece? Você tem de saber mais sobre isso do que ele.

A culpa católica não atrapalha nessa hora?
Que nada! Isso é muito antigo. Pelo que percebo, quando converso com as minhas amigas, existe preconceito. E eu acho um preconceito completamente sem sentido, bobo. Por que mulher não pode se masturbar? Quem tem mais intimidade com o seu corpo do que você mesma? Por que não exercer isso? Eu acho válido, completamente.

Uma frase famosa de Woody Allen defende que sexo bom é sexo sujo. Você concorda com ele?
Na verdade, não tem como ser muito limpinho, né? Se for pensar bem, no beijo você já troca bactérias da saliva. Mas é tããão gostoso… Na hora a gente não pensa nessas coisas. Não tem como sexo ser 100% asséptico, aquela coisa limpíssima.

Dizem que mulheres não gostam de sexo anal. Você concorda com isso?
Então… Não tem como não responder isso sem entrar numa questão pessoal. Mas, falando de uma forma geral, eu acho que é possível ter prazer anal, sim, porque é fisiológico. Não é todo mundo. Deve ser a minoria que gosta.

Uma minoria na qual você se inclui?
Não vou dizer. Essa é uma pergunta que me faria pôr em prática minhas aulas de boxe [risos].

Luana Piovani disse à PLAYBOY que milhares de homens já broxaram com ela. E com você?
Acho que isso acontece mais com quem faz sexo casual. Eu não ligaria se acontecesse, acho que é normal. Gente, temos sentimentos! Corre sangue por essas veias. Não acho que seria um grande problema. Eu lidaria bem com essa situação.

Sandy, isso quer dizer que você nunca teve de enfrentar essa situação?
Não, mesmo.

Parabéns!
Não tenho absolutamente nada do que reclamar do meu marido.

Um fato que tomou enorme proporção foi quando, na primeira noite de lua de mel, seu marido Lucas postou no blog dele. Afinal, o que aconteceu ali?
A postagem foi em comum acordo comigo. As pessoas nos cobraram muito por não ter exposto nada do casamento. Caso não tenham percebido, era um direito nosso. A gente não queria revelar detalhes sobre o casamento porque é uma das coisas mais pessoais da vida de alguém. Queríamos nos preservar. Mas notamos que os fãs começaram a ficar chateados, acharam que estávamos sendo arrogantes. Então, depois que casamos, resolvemos que daríamos uma satisfação e queríamos fazer isso da maneira mais rápida possível. Quando chegamos ao hotel, antes que eu conseguisse soltar todos os grampos do meu cabelo, ele foi lá e postou no blog. Eram 300 grampos e um aplique! Zoaram porque quiseram. Isso não tem absolutamente nada de mais.

É de imaginar que, ao chegar ao quarto do hotel, os recém-casados estejam ávidos por intimidade… Gente… Pra quem dançou a noite inteira?
Cheguei ao hotel às 6 da manhã. Queria tomar um banho, descansar, tirar os grampos que estavam incomodando. Sabe aquele momento em que ainda estão subindo as malas? Levou 3 segundos a postagem. É muita hipocrisia as pessoas acharem que isso substituiu uma noite de sexo que meu marido poderia ter comigo. Foi uma lua de mel perfeita! Nossa! Cheia de romance e tudo a que se tem direito.

Nos últimos tempos, você parece se exasperar quando falam sobre sua imagem de boa menina a ponto de querer mostrar que não é tão santinha assim. É isso mesmo?
Não. [Ligeiramente irritada.] O que acontece é que em todas, todas, em 99,9% das entrevistas que dou me perguntam sobre a questão da imagem. A pessoa me pergunta, e eu respondo que a imagem real é diferente da imagem percebida. Isso incomoda!

Mas a percepção é de que você empreende um esforço no sentido de mudar a imagem de santa. É só uma percepção porque eu não estou tentando nada!
Há um tempo decidi que não ia fazer nada contra meus princípios para mudar a imagem que foi construída pra mim pela mídia. O fato de eu ter sempre preservado minha intimidade contribuiu pra isso. As pessoas não me veem sair com meu marido, não me veem fazendo coisas de gente comum.

Isso é porque você não faz coisas de gente comum?
Não, é porque eu moro em Campinas e aqui não tem paparazzi. Aqui não é o Rio de Janeiro. Dá pra viver de uma maneira reservada, e as pessoas acham que eu não saio de casa, que sempre fui uma pessoa mais comportadinha, mais quietinha, mais reservadinha. [Irônica.] Mas isso não significa que eu não vá para as minhas festinhas, que eu não tenha uma vida social ativa. Pra reverter isso, o que eu teria de fazer? Começar a sair mais, ir para os lugares badalados do Rio? Isso é um preço alto pra mim. Não quero, entendeu? Então nunca me esforcei para tentar mudar essa imagem. O que vier é lucro. Muita gente já percebeu, mas falta muita gente se dar conta de que cresci, que tenho 28 anos, que sou uma pessoa bem resolvida, casada, tudo certo [risos].

Artistas que estão sob os holofotes desde a infância em algum momento traem o namorado, saem sem calcinha ou tomam um porre e isso vem à tona. No seu caso, isso não veio à tona porque você nunca fez ou porque ninguém ficou sabendo?
Não, claro que coisas normais, como brigar com o namorado e sair chorando de algum lugar, eu já fiz. Nunca tive relacionamentos absolutamente perfeitos, de não brigar. Mas nunca soube de alguma traição e nunca traí também. Então nunca me viram fazendo essas coisas. E também nunca saí sem calcinha! [Risos.]

Nunca?!? Nem para não marcar o vestido?
Não, pra isso tem outras maneiras. Você viu alguma marca aqui nessa calça? É justinha! E eu tô de calcinha. [Risos.] Sempre fui discreta. Nunca fui fotografada bêbada. Então acham que, como nunca me fotografaram, quer dizer que eu nunca fiz…

Já ficou bêbada?
Fiquei e não gostei.

Por quê?
Eu não gosto da sensação de perder o controle. E, quando estava bêbada, só queria que aquilo passasse para poder voltar ao normal. Só que demora um pouco, e eu fiquei realmente bêbada [risos].

Você ficou propositadamente bêbada, foi planejado?
É. Tanto que tomei um remedinho antes…

Um Engov? Exatamente!
Eu não ia fazer propaganda, mas era esse. E outro depois pra evitar a ressaca. Você vê que eu me preparei! Era um Réveillon. Tomei champanhe, um pouco de vinho, depois fizemos brincadeiras daquelas de trava-língua na qual quem erra tem de beber um shot de caipirinha.

Você deu vexame?
Ah, sim, de terminar a noite abraçada com o vaso sanitário. Ele virou meu melhor amigo! A festinha foi terminando, as pessoas indo dormir, e eu fiquei lá com uma amiga e minha mãe cuidando de mim.

Sandy, ficar bêbada na frente da mãe não vale.
Mas, tudo bem, ela sabia que eu queria ficar bêbada. Meu irmão bebeu também. Minha mãe não bebeu porque ela não gosta. Era um Réveillon com a família e amigos na fazenda.

Sua relação com o álcool gerou polêmica quando você foi garota-propaganda da cerveja Devassa. Por exemplo, ninguém duvida que o Zeca Pagodinho goste de cerveja. Mas, com você, pareceu uma grande ironia…
Mas essa era a proposta! [Risos.]

A ironia de alguém que não gosta de cerveja fazer uma propaganda de cerveja?
Não, de alguém que nunca teve imagem de devassa fazer a propaganda da Devassa. Ainda mais depois da Paris Hilton ter sido a garota-propaganda. Quem criticou não entendeu que era exatamente isso o que eles queriam: criar um estranhamento.

Fala a verdade, você odeia cerveja.
Nããão. Só não é minha bebida preferida.

Se somássemos tudo o que você já bebeu de cerveja na vida, daria 1 litro?
Um litro?!? Talvez. De vez em quando eu experimento uma espuminha. Quando é uma cerveja mais suave acho gostosinho. Meu marido não gosta muito de beber. Meu pai também nunca foi de beber, nem meu irmão. Então acostumei, não peço uma cerveja, às vezes dou um golinho. Mas tudo bem. Quando a marca me chamou para fazer a propaganda, eles já tinham visto a entrevista em que eu dizia que não gostava de cerveja.

Você acha que foi uma Garota Devassa à altura de Paris Hilton?
Não tem o que comparar. Eram propostas diferentes. Mas acho que cumpri o papel que eu fui chamada pra cumprir. Era só pra descontrair, dançar em cima do balcão, fazer movimentos engraçados.

Foi a primeira vez que você dançou em cima do balcão?
Foi [risos].

Esse é o máximo da devassidão a que você se permite?
De acordo com a proposta da propaganda, do lado descontraído das pessoas, existem muuuitas outras coisas que se encaixam no conceito de devassidão. E eu sou uma pessoa descolada, que conta piada.

Mas algumas coisas você nunca fez. Topless…
É, topless eu não costumo fazer por causa dos paparazzi e porque tenho pudor com meu corpo.
Isso quer dizer que você vai rasgar o convite para ser capa da PLAYBOY que trouxemos? [Risos.] Pois é. Nunca pensei em fazer um ensaio para a PLAYBOY. Imaginar como seria até a gente imagina. Quando vê a foto de alguém e lembra que já vieram convites para esse tipo de ensaio… Pensa se faria tal pose…

E como seria um ensaio seu?
Eu conseguiria fazer um ensaio bem sensual. Não me acho sensual 100% do tempo, mas sei ser quando precisa. Eu surpreenderia muuuita gente!

É mesmo? Conte detalhes, por favor.
Às vezes vejo fotos e penso: “Ah, mas essa cara aqui não está sensual, tem que fazer uma expressão mais caliente”. Fazer foto peladona e sorrindo? Não dá, a não ser que seja um sorrisinho maroto, que tenha um fetichezinho. Eu sei olhar e analisar, falar: “Isso aqui está sensual; isso não está”. Eu aprecio o corpo feminino. Mas, quanto ao meu corpo, acho que é pra mim e para quem eu quiser mostrar, no caso, o meu marido. Por isso não me vejo fazendo um ensaio nua. Também não tem a ver com meu trabalho. Não quero confundir as pessoas, não pretendo que elas pensem que quero ser uma musa sensual.

Você já imaginou onde faria um ensaio se um dia mudasse de ideia?
Não, mas sei onde não faria. Teve uma dessas últimas revistas em que a mulher estava em cima de uma vaca!

Era um búfalo [Andressa, edição de janeiro de 2011].
Ah! Eu nunca faria isso, não.

Seu marido já te fotografou nua? [Engasga.]
Acho que esse é um detalhe que não dá pra falar [risinho nervoso].

Sandy, isso já é uma resposta.
É pessoal demais, deixa pra lá.

O Lucas ficaria com ciúme da sua PLAYBOY?
Não, ficaria orgulhoso. Não faço por causa de mim, não por ele.

Já que você entende do assunto, vamos analisar algumas fotos deste livro da PLAYBOY [35 Anos de Fotografia] que trouxemos de presente para você. O que acha dessa foto da Christiane Torloni, de novembro de 1984 [foto que mostra o ânus da atriz]?
Linda, supersexy. É artística! É engraçado porque essa coisa de nu artístico às vezes é um pouco hipócrita… Você fala em nu artístico, mas a mulher está toda arreganhada. Mas tem coisas que são bonitas de ver, como essa.

Você faria uma foto como essa?
Se um dia eu posasse nua, faria uma foto como essa, sim. É uma das fotos de nu mais artísticas que eu já vi, e sem deixar de ser ousada e sexy. Acho que, quando você decide posar nua, tem que encarar de frente e assumir a nudez sem muito pudor mesmo. Caso contrário, é melhor não fazer.

Fernanda Paes Leme, sua amiga, já posou para a PLAYBOY [dezembro de 2005]. Você comentou o ensaio dela?
Falei: “Ê, Fê, posou pra PLAYBOY!” Dei os parabéns, ficou bonito. Eu nunca tinha visto ela nua. É um pouco estranho ver uma pessoa que você conhece, com quem tem amizade, nua da maneira mais descontraída. Não costumo olhar para uma pessoa e imaginá-la nua!

Muitas pessoas insinuam que seu irmão é homossexual. Como você reage a esse tipo de comentário?
Isso diminuiu bastante hoje em dia, mas é engraçado, parece que não adiantava saber que ele estava namorando uma mulher. Aliás, entre os mais próximos ele sempre teve fama de pegador. [Risos.] E eu olhava as fofocas e dizia: “Ih, gente, vocês não sabem o que estão falando”. Ele sempre foi terrível.

De onde surgiram essas insinuações?
No começo, por ter tido cabelo comprido, por rebolar, ele ficou um pouco marcado. Aí as pessoas acharam divertido continuar falando que ele era gay, sendo que ele não tem nada de gay. Na época do colégio, chamavam o Junior de “Mariquinha” por causa da música e porque a palavra tem a conotação de gayzinho também. Era um tipo de bullying, mas ainda não tinha esse nome. Quando a gente era mais novinho, era um pouco difícil de lidar. Mas hoje ignoramos esses comentários.

Quem teve a ideia de separar a dupla Sandy & Junior?
Foi simultâneo. A gente sentiu essa necessidade no mesmo momento, não sei nem explicar.

Houve pressão dos produtores que vislumbrassem carreiras mais bem-sucedidas em separado?
Nunca, juro mesmo. Estou sendo muito sincera.

Você tem algum problema com o estilo sertanejo, que a consagrou?
O sertanejo não foi o gênero que me consagrou. Foi o pop, com Vamos Pular. É pop.

O.k., vamos trocar então a palavra “consagrou” por “lançou”.
Eu não gosto de música sertaneja. Disse isso no Jô, e algumas pessoas ficaram surpresas, talvez pelo fato de meu pai ser um artista sertanejo. Não é o que eu gosto de ouvir. Não é o que eu consumo.

O Xororó não se chateia com isso?
Nem um pouco. Ele nunca impôs os gostos dele para mim e para o meu irmão, assim como ele também não se identifica com tudo que ouço. Ele respeita minha opinião, e eu sou fã dele. Ele é diferenciado no meio sertanejo.

Chitãozinho & Xororó é brega?
Não. É questão de gosto, mas falar que é brega é pejorativo. O Brasil é feito de interior. Tanto é que música sertaneja é o que mais dá público. E dinheiro também, além do axé em alguns lugares.

Você já tinha uma carreira consolidada quando resolveu cursar a faculdade de letras. Foi uma questão de autoafirmação intelectual?
Foi uma questão de realização pessoal. Sempre gostei de estudar.

Quem é o maior escritor brasileiro?
Quem sou eu pra fazer uma análise literária da obra da pessoa?!?

Você é formada em letras, e portanto pode fazer isso.
É, mas assim… Não sei se eu poderia classificar no geral, dizer “este é o melhor”. Mas, na minha avaliação pessoal, a autora que eu mais admiro é a Clarice Lispector, que tem essa coisa de ser mais existencialista, uma coisa muito introspectiva e lírica, às vezes dramática.

Das escolas literárias, com qual você se identificou mais durante a faculdade?
Deixa eu pensar… Eu me identifiquei bastante com o romantismo. Eu sou dramática, gosto de drama! [Risos.] Mas eu meio que gosto de tudo. O que eu menos gosto são as coisas muito modernistas, meio cubistas, dadaísmo… São coisas um pouco mais frias, me parece. Poesia concreta não é muito a minha praia, por exemplo. Prefiro Florbela Espanca, Cecília Meirelles, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, esses que falam com o coração e para o coração. Mas ultimamente não tenho tido muito tempo para ler.

Você pesquisa seu nome no Google?
Eu tenho o alerta do Google. Não tem jeito de não ficar sabendo o que estão escrevendo sobre mim.

E inventam muitas coisas sobre você?
Ah, bastante.

Qual foi a pior coisa que você já leu a seu respeito?
Uma das piores coisas é quando me colocam como arrogante e metida. Eu sou tão o contrário disso! A ponto de o analista me perguntar: “Por que você anda com a cabeça baixa? Você tem que pedir desculpas por estar no mundo?!?” Porque tenho tanto medo de parecer arrogante e metida que às vezes eu quase me encolho, quase peço desculpas por estar ali. Não quero causar mais e aparecer mais do que os outros artistas. Também já falaram que eu estava com leucemia. Essa foi de muito mau gosto. E silicone, tantas vezes que eu já coloquei que nem sei [risos].

E você nunca colocou?
Nunca. Mas faz tempo que inventam isso.

Algum fã mais afoito já tentou passar a mão em você?
Não. Só aconteceu de me chamarem de “gostosa”, ainda mais quando a gente fazia show em festa de peão, feira agropecuária, ou onde tem gente muito bêbada [risos].

Seu marido fala “gostooosa” quando você passa na frente dele?
Fala.

E tasca um tapa na sua bunda?
[Risos.] Ele me acha gostosérrima.

E você? Se acha gostosa?
Olha… De vez em quando, dependendo da produção, a gente se acha melhor. Tem dias em que a gente acorda, se olha no espelho e se acha mais bonita, não tem? Às vezes até me acho. Mas é aquela coisa, gostosa em pequena proporção. Se meu marido me acha gostosa, então pra mim já basta.

Você tem dúvida sobre se é bonita como dizem?
Não me acho bonita como falam. Eu olho para o espelho e o que eu vejo não é o que as pessoas falam. Mas, tudo bem, não vou morrer por causa disso.

Do que você não gosta na sua aparência?
Minha altura é quase um complexo. Tenho 1m58 e não consigo andar sem salto. Eu me acho muito baixinha e, além de tudo, sou muito mignon, tenho estrutura pequena. Eu peso 41 quilos.

E do que você mais gosta em seu corpo?
Eu gosto da minha cintura fina.

Alguma cantora lésbica já te olhou de forma gulosa?
[Risos.] Acho que não. Mas é engraçado: quando a gente sabe que uma pessoa é lésbica já fica pensando: “Será que ela está dando em cima de mim?” Mas, sempre que encontrei cantoras assumidamente lésbicas, elas foram respeitosas.

Você perdoaria uma traição do seu marido?
Não sei. Às vezes tento me imaginar nessa situação. Eu acho que às vezes dá para perdoar, mas pode ficar uma cicatriz tão grande que não sei se dá para passar por cima disso. Mas sou muito racional. Eu tenho total noção de que um marido trair uma mulher ou uma mulher trair o marido não é uma prova de que ele não ama a mulher ou não tem atração por ela.

E é o quê, afinal?
É só uma prova de que se deixou levar pela emoção, pelo instinto. O instinto sexual do homem é esse mesmo. Se você pensar no lado animal, instintivo, ele não nasceu para ficar com uma mulher só. Homem gosta de sexo, gosta de variedade, gosta de experimentar. Só que, quando ele tem um autocontrole e um amor tão grande, isso dá essa força para se controlar e ele consegue ser fiel. Eu tenho plena consciência de que meu marido é fiel. Mas sei que, se ele me traísse, esse não seria um atestado de que ele não me ama mais. Por isso eu talvez até perdoasse, mas a gente não pensa só com a cabeça. Eu ficaria arrasada.

As mulheres não gostam de variedade e sexo assim como os homens?
Algumas. Mas eu acho que nas mulheres é mais fácil de controlar. As mulheres nasceram para ser mães. Tem aquele parceiro sexual, eles se reproduzem, cuidam dos filhos. Nos primórdios era assim. O homem não tem a função materna que toma tanto tempo da mulher. O instinto do homem é o de perpetuar a espécie. Então, fez filho com uma, vai e faz filho com outra. Macaco é assim, cachorro é assim, porco é assim. Todos os animais são assim. Só que a gente tem sentimentos, e na cultura ocidental resolveu-se que o homem tem que ser fiel. Eu preciso de um marido fiel. Mas, racionalmente, entendo a vontade que alguns têm de trair.

Nós não podemos deixar de fazer a pergunta clássica da PLAYBOY: como foi a sua primeira vez?
Isso eu não revelo nem sob tortura. Só digo que foi ótimo. Ótimo!

Sandy, com essa carinha de boa moça, você nunca nos enganou.
Eu nunca quis enganar ninguém.