Uma briga entre pré-adolescentes. Um dos jovens acerta o outro com um pedaço de pau e lhe quebra um par de dentes. Corte para uma sala onde dois casais, os pais dos jovens, tentam chegar a uma solução amigável para o caso. Mas, quanto mais discutem o tema, menos civilizados ficam. Essa é a premissa de Deus da Carnificina (Imagem Filmes, ), novo longa de Roman Polanski, baseado em peça de Yazmina Reza, que também assina o roteiro (no Brasil, o texto ganhou uma montagem, em 2011, com Julia Lemmertz e Paulo Betti no elenco). A força dessa comédia de costumes está no quarteto de atores, que fica em cena quase em tempo integral. Jodie Foster e John C. Reilly são os pais da vítima e recebem os pais do jovem agressor, Kate Winslet e Christoph Waltz. Da discussão civilizada para o desconforto e, mais tarde, para agressões verbais, é um pulo. Em seu primeiro filme depois de dois meses na prisão em 2009, por acusação de pedofilia, Polanski busca aumentar gradativamente a temperatura do absurdo. E, no geral, é bem-sucedido. AS