Formada em Pittsburgh, nos Estados Unidos, em 1988, a banda punk Anti-Flag esteve pela primeira vez no Brasil em março e nós conversamos com o baterista Pat Thetic sobre cena punk, ativismo político e governo Obama

Pat Thetic, o terceiro da esquerda para a direita, segura as baquetas do Anti-Flag

O discurso político é muito forte no Anti-Flag. Por que você acredita que o ativismo ainda é essencial na música, especialmente no punk e hardcore?
Eu acredito que ele é essencial em todos os aspectos da vida. O ativismo precisa estar presente a todo momento, porque de cada decisão que tomamos sai uma mensagem econômica, social e política. É muito importante entender essas mensagens e saber como e onde elas afetam as pessoas. No punk, o ativismo político se dá em ciclos, e nos Estados Unidos ele está num momento especialmente ruim. Mas na Alemanha, Canadá, Austrália e talvez no Brasil as pessoas estão se organizando pois sabem que é necessário.

Se no punk a coisa está assim, imagino que fora dele esteja ainda pior…
Com certeza. Os ativistas de esquerda trabalharam duro para tirar Bush e agora sentem como se a administração Obama os tivesse apunhalado pelas costas: lembre que Obama está bombardeando a Líbia neste momento.

Falando em Obama, ele esteve no Brasil, passou pelo Chile. Quão insatisfeito você está com o governo democrata?
Acredito que as coisas não mudam simplesmente por estarmos insatisfeitos, temos sempre que melhorar, mas o Obama está fazendo a mesma política de Bush. Nós tínhamos esperanças que as coisas fossem diferentes, mas não foram. Bush estar fora é um fato positivo. Mas, novamente, Obama está bombardeando a Líbia neste momento e este não é o tipo de governo que eu quero. Eu não quero mais guerra, precisamos encontrar outras soluções.

Voltando para a música. Há alguma banda por aí que podemos citar como herdeira do Anti-Flag?
Escuto muita coisa, muita coisa nova também, mas percebo as novas bandas muito pouco interessadas em ativismo, pelo menos neste momento. As bandas interessadas em ativismo continuam no porão, agora ninguém se preocupa com ativismo nos Estados Unidos. Isso não quer dizer que elas não existam, quer dizer que elas ainda não emergiram até a superfície. Mas estão voltando, sinto que vem uma nova onda de bandas ativistas .

E por que este descaso musical com o ativismo?
Não sei, acho que elas estão mais preocupadas com o novo iPad ou coisa assim, não sei ao certo com o quê as pessoas estão realmente preocupadas. Mas o ativismo acontece em ciclos, quatro ou cinco anos atrás ele estava forte, todos estavam ligados a ele, as bandas faziam canções sobre liberdade, justiça e essas coisas importantes. Hoje as pessoas estão fazendo outra coisa, não isso.