Citações sobre a cantora paulistana Tulipa Ruiz costumam vir com o aposto “o grande nome de sua geração”. Respaldada por um bom disco de estreia, Efêmera [2010], Tulipa está de volta com Tudo Tanto (Independente), que saiu no fim do mês passado. O disco confirma algumas impressões da estreia: Tulipa canta bem (apesar de alguns exageros vocais), tem bons músicos e volta com arranjos bem-cuidados. Ela divide sete das composições com o irmão, Gustavo Ruiz, que também é produtor do disco, e transita bem no universo pop. Nesse sentido, a participação de Lulu Santos em Dois Cafés é o ponto alto do disco. Primeiro porque ninguém entende mais de pop no país do que ele. Segundo porque sua voz e sua guitarra engatam o único hit em potencial do disco. O que não chega a ser demérito para as outras faixas. Expectativa cria uma assinatura da cantora, o que não é pouca coisa; OK emparelha com seus pares na fofura, mas vai além. Quando se arrisca em um blues, Víbora, faz sentir saudade de cantoras mais impetuosas, e a história da música brasileira está cheia delas. E as letras do disco às vezes resvalam em bobagens, algumas imperdoáveis. No fim, Tulipa, ainda mais falada do que ouvida, canta bem e escreve música que se molda a seu canto. Só precisa esquecer a coroa e o cetro que insistem em lhe conceder como a rainha do baile de sua geração. Se ignorar o oba-oba, tem a chance de se estabelecer pelo que realmente interessa: sua música.

Matéria publicada na Revista PLAYBOY de agosto de 2012.