O drama do humor
O Estado da Nação

O humor é o mais inútil dos atributos humanos. Humoristas são tipos marrentos que se veem como espíritos desafiadores e ungidos para apontar os males da sociedade e da nação. Coitados. Os cretinos se esquecem de que todo bobo da corte trabalha para um rei. E você pode até ser o rei de si mesmo, mas nunca o bobo de si mesmo. Isso é muito, muito besta.
Humor precisa de plateia. De preferência uma plateia mais inteligente do que o humorista. Só assim alguém será capaz de enxergar grandiosidade onde só há banalidade.

A musa do humor se chama Talia. Para invocar essa grande filha de Júpiter não é preciso prática nem tampouco habilidade. O poeta romano Obtusus Crassus (Invocando Musas para Diversão e Lucro, tomo X
XIV, página LVIZ) diz que basta colocar uma casca de banana no chão e caminhar despreocupadamente até arrebentar a fuça. Quanto maior o tombo, maiores as benesses da musa.
Mas, lembre-se: a tragédia paga melhor e dá muito mais prestígio. Veja o Édipo. O cara resolve charadas e dá um créu na própria mãe! Ora, isso é quase um português de anedota. Convertido em tragédia, no entanto, vira clássico do teatro grego e enche o bolso do autor de bufunfa. Só em venda de action figures, o Sófocles fatura horrores. Sem falar na adaptação para quadrinhos, cinema e videogame.
George Bernard Shaw dizia que todo grande texto precisa ter humor. Mentira. Se mostrar os dentes fosse sinal de inteligência, os babuínos já teriam dominado o planeta. Há quem diga que isso está prestes a acontecer.
Bom mesmo é ser autor russo do século 19 – com mulher se jogando debaixo do trem, conde Vlonsky, exércitos napoleônicos para lá e para cá, essas coisas. Aguardem para breve longa narrativa sobre a negação da felicidade em um mundo sem Deus nem razão. Afinal, respeito é bom e eu gosto. Também quero meu Jabuti.










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