Entre os grandes playboys dos anos 1940-50 havia um príncipe. Aliás, um autêntico príncipe das Arábias, com fama de rei entre quatro paredes. Nascido em Turim, o príncipe Aly Khan era filho do todo-poderoso Aga Khan III, multimilionário líder religioso e político dos muçulmanos ismaelitas. E seria descendente do próprio profeta Maomé. O príncipe gostava de uma aventura. Na Segunda Guerra, alistou-se na Legião Estrangeira, participou da liberação do sul da França e acabou premiado com a Legião da Honra, a mais alta condecoração militar francesa. Outra paixão eram os cavalos puro-sangue – a família era proprietária de alguns dos principais campeões europeus. Influente, exótico e festeiro como ele só, sua maior reputação, entretanto, era a de amante incansável. Educado por tutores, ao fim da adolescência foi enviado aos bordéis do Cairo para uma especialização na arte milenar do imusak – técnicas eróticas árabes para, entre outras coisas, retardar ao máximo a ejaculação. E assim o príncipe podia dedicar-se com fôlego à aventura que mais o seduzia – o mulherio.

O cara pegava geral: entre outras, as atrizes Joan Fontaine, Zsa-Zsa Gabor, Judy Garland, Kim Novak e a top model Bettina, uma espécie de Gisele Bündchen da época. Mas o grande prêmio na fatura foi mesmo Rita Hayworth, no auge da beleza. Para entender o que isso significava em 1949, três anos antes a atriz havia protagonizado Gilda, filme que a tornaria o maior símbolo sexual daquela década. Ambos eram casados, e o affair virou um escândalo. “Ela está com o homem mais promíscuo da Europa”, teria vociferado o maridão, o cineasta Orson Welles.

Mas o casamento de Aly e Rita durou menos de quatro anos. O motivo foi a incorrigível vida de solteiro que o incansável Aly insistia em levar. Em 1958, o príncipe foi nomeado porta-voz do Paquistão e eleito vice-presidente da Assembleia-Geral da ONU. Para o Washington Post, o primeiro discurso de Aly nas Nações Unidas foi uma ocasião “memorável”, uma vez que seus pronunciamentos anteriores resumiam-se a gritos como “Onde estão as garotas?” e “Vinhos para todos!”.