“Nem todo mundo pode transar com duas mulheres todo dia. Eu posso. Gosto disso. Os críticos não gostam, tenho pena deles.” O desavisado que escutasse o músico nigeriano Fela Kuti, em 1978, defendendo seus hábitos sexuais poderia até imaginar que ele tinha duas esposas esperando-o em casa. Errado. Fela tinha 27. Aos 40 anos, quando se casou com todas elas ao mesmo tempo em uma cerimônia ioruba, era o principal popstar da música africana e, provavelmente, seu maior garanhão. Filho de um pastor protestante com uma feminista, Felá Kuti começou sua trajetória de playboy aos 20 anos, quando foi para Londres estudar medicina.

Ao notar a queda que menininhas britânicas tinham pelos músicos de jazz, abandonou a medicina e montou uma banda. Criou o afrobeat, estilo musical que misturava jazz, rock psicodélico, funk e música africana em um som dançante, que deixava as moças inglesas molhadinhas de tanto remexer os quadris. Em 1969, se mandou para os Estados Unidos, onde conheceu Sandra Smith, uma ativista dos Panteras Negras que o influenciou politicamente. Deportado pela Imigração, Fela, agora um ativista anticolonialismo, voltou para a Nigéria e declarou a propriedade da família uma república independente. Acolheu seus amigos, sua banda e, claro, suas namoradas na República de Kalakuta, onde ele era “o cara”. Com um estúdio de gravação próprio, maconha liberada e vida em comunidade, Kalakuta era uma festa.

Até que, em 1977, mil soldados do exército nigeriano invadiram o local, atearam fogo em tudo e puseram Fela pra correr. Um ano depois, ele se casou com suas 27 mulheres, em uma clara provocação ao governo. Questionado sobre como fazia para administrar tantos caprichos femininos, o músico declarou que havia encontrado uma solução simples: criou um sistema de rodízio em que mantinha apenas 12 esposas simultaneamente.

Mestre.