Dizer que Lord Byron levou uma “vida de excessos” é pintar sua biografia em cor-de-rosa. Libertino exemplar do século 18, George Gordon Byron “oferecia perigo”. Ainda que gostasse mais de mulheres, a prudência recomendava que um homem nunca desse as costas a ele. Poeta que influenciou várias gerações, orador político brilhante e até guerreiro, desde cedo empunhou sua arma do prazer. Aos 7 já brincava de médico com as primas. Aos 10, conheceu Mary Chaworth, três anos mais velha, e teve com ela sua primeira transa. Nessa época, a herança de um tio-avô tirou-o da pobreza e o devolveu à nobreza– seus antepassados lambiam as botas de Henrique VIII. Na nova casa, teve uma governanta que, na hora do nana-neném, fazia o papel de Cuca e vinha pegar o “pequeno lorde” do rapaz. Na adolescência, interessou-se por rapazes e teve de viajar para o exterior para evitar a forca.

Com 20 anos, na Grécia, tentou comprar Teresa Makri, uma menina de 12 anos pela qual pagaria 400 libras esterlinas. Pedido negado pelos pais, Byron voltou para a Inglaterra, assumiu um posto na Câmara dos Lordes e seduziu a esposa do primeiro-ministro William Lamb, Caroline. A moça se apaixonou, mas tomou um fora dele e enlouqueceu quando Byron se casou com a prima dela, Isabella Milbanke. O casamento durou pouco. O lorde engravidou a meia-irmã, Augusta Leigh, e foi acusado de incesto. Com escândalos demais na ficha, deixou a Inglaterra em 1816. Na Suíça, ficou amigo da escritora Mary Shelley e reviveu um antigo affair, Claire Clairmont. Depois seguiu para Veneza, onde pegou, entre outras e outros, Mariana Segatti, Margarita Cogni e a virgenzinha Condessa Guiccioli. Aventureiro, comprou um navio para ajudar os gregos na luta contra os turcos. Mas nem chegou a guerrear.

Adoeceu e morreu em 1824. Um pouco antes, entregou uma autobiografia a seu editor, John Murray, que, consternado com o que leu, queimou. Se o que sabemos é o que foi contado pelos outros, imagine o que saberíamos se sua própria história fosse publicada.