Veja você, caro leitor, como os agraciados com dom de ser playboy conseguem transpor obstáculos que normalmente afastariam os simples mortais do maravilhoso mundo do bom vivantismo. Tome o exemplo de Ronaldo Bôscoli, que nunca soube tocar um instrumento sequer e, ainda assim, tornou-se um dos maiores nomes da Bossa Nova. Carioca stricto sensu, Bôscoli gastava seus dias observando beldades na praia e as noites se dedicando a elas nos bares, onde fez brilhante carreira – especialmente entre belas cantoras. Perceba a perspicácia do rapaz: antenado com o que havia de mais bacana na época, intuiu que comandar espetáculos nas boates do lendário Beco das Garrafas poderia ser uma boa opção para ampliar seu leque de contatos. Acabou amigo da nata do banquinho e violão, conhecendo também muitas das garotas bronzeadas com corpinho de violão que costumavam escoltar essa rapaziada.

Assim, cercou-se de amigos famosos e sempre circulou muito bem acompanhado: era cunhado de Vinicius de Moraes e andava com Tom Jobim, Carlos Lyra e João Gilberto. Com o violonista Roberto Menescal, escreveu as letras de clássicos do gênero como “O Barquinho” e “Nós e o Mar”, que facilitaram bastante o exercício de passar o ro… isto é, seduzir cantoras e aspirantes bossanovistas. Tanto é que conquistou a ninfeta Nara Leão quando ela tinha 15 anos (sim, é isto mesmo), frequentando o famoso apartamento da família da moça em Copacabana. Chegaram a ficar noivos, mas notícias de jornais dando conta de que Bôscoli andava se engraçando para os lados da cantora Maysa demoveram Nara da idéia. Uma saída clássica para a velha armadilha do casório. A próxima a cantar baixinho no ouvido de Bôscoli foi Elis Regina. Com esta não teve jeito. Entre gritarias e brigas públicas, o casamento durou cinco anos.

Bôscoli ainda viveu com a atriz Mila Moreira e com a advogada Heloísa Paiva. Morreu aos 58 anos o playboy da Bossa Nova que nunca dispensou uma garota de Ipanema.