Carioca da gema, cidadão do mundo, trabalhou como diplomata em Los Angeles, Paris, Roma e Montevidéu. Mas foi como poeta, jornalista, dramaturgo e compositor que Vinicius ganhou fama – com Tom Jobim e João Gilberto, foi um dos criadores da Bossa Nova.

Bon-vivant, celebrou a existência rodeado pelos amigos e apaixonado pelas mulheres. E foram várias… Aos 9 anos já arriscava um poema para uma coleguinha de classe. Depois, namorou quase todas as amigas da irmã. E acabou por levar ao pé da letra os versos que escreveu para sua primeira mulher, Tati, no Soneto da Fidelidade: “Que seja eterno enquanto dure”. Acabou se casando nada menos que nove vezes! Era do tipo que “adorava mulher, não podia ver uma bunda que já virava o pescoço”, como definiu a afilhada Nana Caymmi. E, justiça feita às titulares, sempre lindas, parece que não perdoava nem as feinhas, a quem pedia afeto e piedade. Valia tudo – versos, serenatas ou chegar junto nos banheiros das boates e festas. Sua terceira mulher, Lila Bôscoli, foi apresentada por Rubem Braga. “Este é o Vinicius de Moraes… E seja o que Deus quiser!” Já com Nelita, a quinta, houve um contratempo: os pais não aceitavam o namoro, pois ela tinha apenas 19 anos e Vinicius já era cinquentão. A solução foi fugir – os pombinhos pegaram um avião para Paris enquanto a família anunciava o casamento da filha pelos jornais. Seu oitavo casamento foi com Marta Ibañez, quase 40 anos mais jovem. O último, com Gilda Mattoso. Ela, 23 aninhos. Ele, 63. Certa feita, Tom Jobim lhe perguntou, afinal, quantas vezes ele ia se casar. “Quantas forem necessárias”, respondeu.