Duas esperadas estreias na TV por assinatura movimentaram a noite desta terça-feira, 18. Na mais badalada, os zumbis voltaram a atormentar o grupo de sobreviventes liderados pelo policial chapeludo Rick Grimes (Andrew Lincoln) no primeiro episódio da segunda temporada de The Walking Dead (Fox). Quem ansiava por banhos de sangue, tripas e violência, ficou decepcionado. Com uma hora e meia de duração, o episódio se alongou demais em diálogos intermináveis e uma longuíssima busca pela floresta. Quem resistiu, no entanto, foi recompensado pelos 20 minutos finais, esses sim realmente impactantes, capazes de fisgar o telespectador pelo menos até o próximo capítulo.

Nesta abertura de temporada, o time principal de sobreviventes deixa Atlanta com destino a Fort Benning. No caminho são forçados a parar por conta de um congestionamento de carros abandonados e uma pane na motorhome de Dale. Apesar do imprevisto, tudo parece ir bem, afinal, encontram água, armas e mantimentos nos demais veículos. A alegria, claro, dura pouco. Logo, uma horda de zumbis avança levando todos a esconderem-se em silêncio sob os carros. Salvo um imprevisto ou outro, os mortos-vivos deixam o local sem comer ninguém. Dois deles, no entanto, descobrem a pequena Sophia. Desesperada com a aproximação dos zumbis, ela embrenha-se no mato seguida de Rick. Determinado a salvá-la, o xerife atrai a atenção dos inimigos e os mata estraçalhando seus cérebros com uma pesada pedra. O que ele não contava é que a menina, contrariando suas ordens, deixasse o abrigo e sumisse na floresta fechada. A partir daí, o episódio se arrasta a passos de morto-vivo, com o grupo praticamente todo participando da busca. Dividem a tensão, dois diálogos igualmente chatos: da ex-suicida Andrea enchendo o saco de Dale por conta de uma pistola, e de Shane ameaçando ir embora sozinho porque está magoado com a reaproximação de Lori com o marido (tadinho…). Chato, enfim.

A coisa só volta melhorar quando o grupo encontra uma igreja e, dentro dela, defronte a um imenso crucifixo, três zumbis como que esperando a absolvição dos seus pecados. E, ela chega, claro, por meio de facões e machados. Em seguida, Rick implora a Deus por uma pista e, aparentemente é recompensado quando, na sequência, seu filho, Carl, se depara com um belo cervo na floresta. A imagem, de tão bela, surge aos olhos de Rick e Shane como um verdadeiro sinal dos céus que inequivocadamente os levará a Sophia. Até que ouve-se um tiro e Carl cai desacordado (ou seria morto?). Só saberemos no próximo episódio. Tomara que sem muito nhem-nhem-nhem.

Confira o trailer da segunda temporada de Walking Dead:

Person of Interest (Warner), a outra estreia, leva o selo J.J. Abrams (Lost) de qualidade. E o maior destaque da série está justamente no ator que deu vida ao mais ambíguo dos personagens de Lost, o excelente Michael Emerson (o Benjamin Linus da ilha maldita). Limitado por problemas motores, Emerson é o bilionário cientista Harold Finch, inventor de uma máquina que, por meio de análises de todas as fontes de informação disponíveis, fornece o número do social security (espécie de CPF dos norte-americanas) de pessoas que possam vir a ser vitimas ou autoras de algum tipo de crime. Descontente com o uso que as autoridades (FBI, CIA) passam a fazer de sua máquina, deixa uma “porta” aberta para que ele mesmo continue a acessar os dados e conduzir por conta própria as suas investigações. É justamente aí que entra o seu parceiro, o ex-agente da CIA John Reese, interpretado pelo mais torturado dos “Jesuses” da história do cinema, Jim Caviezel.

Logo no primeiro episódio, a dupla desvenda uma conspiração criminosa envolvendo uma advogada que, de vítima, logo revela-se a cabeça da organização. É justamente aí que reside a graça do seriado: a máquina só fornece os números, não localiza, tampouco diz se o suspeito é bom ou mau. Essa parte da brincadeira cabe a Finch e a Reese.

Em meio a discussões nerdísticas sobre sistemas de informações e um instigante uso de imagens das mais diversas câmeras de segurança espalhadas por Nova York, Reese quebra tudo, levando um grupo de traficantes de armas a nocaute, além de agir com um nível de segurança e violência que chega a lembrar outro agente casca-grossa, o finado Jack Bauer, de 24 Horas. E, como Bauer, por vezes sua incrível perícia em detonar os inimigos beira o inverossímil, para não dizer cômico…

O primeiro episódio acaba sem sabermos direito o que realmente motiva a dupla Finch-Reese a fazer justiça com seus chips, lentes, armas e mãos. De concreto, apenas os milhares de suspeitos identificados pela máquina infernal, o fato de os dois estarem efetivamente “mortos” para o sistema e a certeza de que nada disso vai ficar barato. Vale acompanhar.

Confira o teaser de Person of Interest: