1 Você se considera mais perigoso do que Hitler? Wow! Desculpe, eu me emocionei. Uma coisa é ser chamado de “hitleriano”, mas ser comparado a Hitler me dá a sensação de ter chegado lá. Meu pai conheceu Adolf. E, acredite se quiser, nunca disse uma palavra positiva sobre ele. Me lembro de ele dizer que Hitler era péssimo jogador. Roubava o tempo todo.

2 Guerra ou paz? Digamos que, se você olhar o verbete “Israel” na Wikipédia e ele ainda estiver escrito no presente, isso significa que ainda tenho muito trabalho pela frente.

3 Totalitarismo ou democracia? Prefiro o modelo da Rússia e da China: totalitarismo chamado de democracia.

4 Por que o senhor acredita que a ditadura ainda deve ser considerada uma alternativa de governo? A democracia dá muito trabalho. Primeiro você tem de fazer a campanha, debater com os seus oponentes, as pessoas têm de votar, os votos têm de ser contados até que o vencedor seja anunciado. Pensando nisso, eu introduzi em meu país, Wadiya, uma forma mais eficaz de democracia que só leva em conta essa última fase.

5 Qual é a sua opinião sobre Cuba? E Fidel Castro? Fidel é meu herói! Que barba! Que cara bacana! Pena que ele não seja mais o mesmo fisicamente. Eu vivo oferecendo o sangue de virgens suecas para ele injetar para se manter sempre jovem (a comprovação médica é fraca, mas os efeitos psicossomáticos realmente funcionam!), mas Fidel é muito teimoso para aceitar caridade. Mas digam o que quiserem sobre Castro… Ele conseguiu emplacar o assassinato de JFK e depois pagou Oliver Stone para incriminar outra pessoa. O quê? O Ocidente não sabia disso?

6 Com que figura histórica você mais se identifica? Eu adoro Idi Amin! Ele é o pai de todos os “bad boys” abaixo do Saara. Sem ele não haveria Mugabe, Charles Taylor, Joseph Kony nem Bobby Brown. Foi Idi quem me ensinou pessoalmente a etiqueta das medalhas. Você tem de ter certeza de que fez algo para merecê-las antes de se autocondecorar. Claro que existem algumas exceções; afinal, sou humano! Como as medalhas que me dei por ter caminhado em Marte ou ter apagado Israel do mapa.

7 Quem são os seus ídolos? Seria muito fácil dizer “Hitler e Stálin”, mas seria óbvio demais. Seria como responder “The Beatles” quando alguém pergunta qual é a sua banda favorita. Eu fui um grande fã e um grande amigo pessoal de Kim Jong-Il e sinto muita saudade dele. Ele fez muito para espalhar compaixão, sabedoria e herpes pelo sul da Ásia. Mas também devo admitir que me inspiro muito em Barack Obama.
O fato de ser um ex-soldado mirim queniano da Al Qaeda não o impediu de se tornar o líder da nação mais poderosa do mundo. Para muitos americanos, ele terá para sempre a palavra “Hope” [esperança] ligada a ele, e eu o admiro muito por isso.

8 Você acredita em Deus? Minhas crenças variam. Às vezes eu acho que ele é apenas uma figura inventada que não poderia realmente existir e então me olho no espelho e de repente ele se torna bastante real. Devo admitir que temos algumas características em comum. Ambos tivemos apenas filhos homens… Eu tenho 2 mil filhos, nenhuma mulher… Pura coincidência! Ambos decidimos diariamente sobre a vida e a morte de milhares de pessoas, e, para nós dois, os judeus são “os escolhidos”.

9 Como você acha que Hollywood seria se fosse liderada pelo Oriente Médio? A minha região do mundo tem uma comunidade de cinema pequena, mas que está crescendo. No momento estamos nos especializando em curtas-metragens, normalmente de até 2 minutos, que contam com um líder da oposição, uma câmera de vídeo e alguns antigos “instrumentos cirúrgicos”. Não vou contar como termina para não estragar a surpresa. Mas, sinceramente, eu acredito que, se os meus companheiros tomassem conta de Hollywood, nós faríamos filmes bem parecidos com os que estão sendo feitos atualmente, mas com o nosso “toque”. Por exemplo, temos nossa versão do show Two and a Half Men, que a princípio se chamava Three Men, mas um deles fez uma piada sobre minha barba e no dia seguinte suas pernas caíram.

10 Qual é a sua opinião sobre o casamento gay? Não sei muito sobre gays. Não existe nenhum gay em Wadiya. Mas, se eles existissem, teriam exatamente os mesmos direitos de todos: nenhum. Existem alguns homossexuais na Síria, e a vida é muito difícil para eles por causa da proibição do casamento gay. Estou me referindo ao presidente Assad e seu “personal trainer”, Hosni. Quando o assunto é Assad, todos sempre falam sobre a opressão, a tortura e o genocídio, mas ele também tem um lado ruim. Quero dizer, que bigode é aquele? Ele precisa mudar aquilo! Ele se parece com uma garotinha adolescente americana.

11 Você costuma ver muita TV ocidental para se informar? Sou um grande fã. Eu assisto a quase tudo que passa na TV. A MTV, por exemplo, é como um canal de compras para mim. Todas as noites eu assisto a um clipe e, se gosto da música, ligo para algum dos meus amigos e sequestro o artista. Vocês já se perguntaram o que aconteceu com a Janet Jackson? Ela está vivendo no meu palácio. Vocês podem levá-la de volta. Ela está sem passaporte e sem uma das mãos, que acabou caindo. Pensei ter encontrado embaixo do meu sofá, mas era uma mão branca.

12 O que você esconde por trás dos seus óculos escuros? Neste momento, uma ressaca terrível. Acabei de voltar da convenção anual de “Primaveras do Mal”, em Sandals, em Antígua. Deveria ter sido um evento relaxante, mas meus companheiros ditadores são loucos! Ahmadinejad é um piadista. Ele deu um porre no nosso calouro Kim Jong-un e escreveu “Hillary esteve aqui” na sua cara e “Bill esteve aqui” no seu sapato. Mas eu o avisei para não se meter com a Coreia do Norte. Eles estão bem próximos de criar um navio que chegue até o Irã, dependendo dos ventos e da maré, claro.

13 O que você está vestindo agora? Estou usando o meu uniforme de general desenhado por John Galliano, mas as meias são do Walmart. Nunca desperdiço dinheiro em algo que os outros não veem. “Meias são meias”, Saddam sempre me dizia. Mas a moda e o estilo são partes muito importantes na vida de um ditador. A coisa mais importante é ser discreto e não usar roupas que podem ser ridicularizadas pelo Ocidente. Aprendi isso com Kadafi.

14 Como você descreveria o seu atual estado de espírito? Estou me sentindo um pouco sonolento. E, como tenho três modelos da Victoria’s Secret no quarto ao lado fazendo sexo louco entre elas, estou começando a desconfiar que posso ter confundido as caixas de Viagra com as de Rohypnol.

15 Você consideraria pagar por sexo? Claro que sim! Se vocês assistirem ao meu filme [que entra em cartaz em 13 de julho], vão ver que paguei para fazer sexo com Megan Fox. Ela é adorável, e consegui um ótimo preço. Agora ela está grávida e está dizendo que eu sou o pai. É melhor ela nem pensar em pedir pensão. A princesa Diana tentou isso com nosso filho Harry, e vejam como aquilo terminou.

16 Você já usou a internet para conhecer mulheres? De certa forma. Minha polícia secreta sempre usa o Google Earth para planejar como entrar nas casas de modelos e atrizes que eu quero trazer até o meu palácio. Mas você tem de ser muito cuidadoso com a informação correta do endereço. Uma vez eu pedi que trouxessem a Beyoncé e acabaram trazendo a Macy Gray. Aaaargh!

17 Como você descreveria a sua mulher ideal? Eu sempre faço isso. Sou muito volúvel, sempre acho que encontrei a minha mulher ideal, e de repente elas fazem 19 anos e eu perco o interesse. Mas, como sou um romântico, vou continuar procurando. Quem sabe a minha esposa de número 87 será “a mulher da minha vida”.

18 Que celebridade brasileira você gostaria de conhecer? Adriana Lima. Primeiro porque ela é provavelmente a mulher mais sexy do mundo e depois porque é a única celebridade brasileira de que consigo me lembrar. Gostaria de fazer a ela um convite para vir me visitar no meu palácio. Fica a apenas 8 mil quilômetros do Brasil, e a viagem é muito fácil. Ela só precisa pegar um voo para qualquer parte do mundo, eu sequestro o avião e a trago até Wadiya.

19 Você tem planos de invadir o Brasil? Eu já invadi uma pequena porção do Brasil. A “malawach” da Gisele Bündchen. E planejo em breve lançar um pequeno míssil pontudo em Alessandra Ambrósio.

20 Qual é a sua ideia de mundo perfeito? Um mundo em que a “Primavera Árabe” se transformasse em “Verão da Repressão”, “Outono da Tortura” e “Inverno da Execução”.

Matéria publicada na Revista PLAYBOY de junho de 2012.