Em abril de 1994, era realizada mais uma edição do Eurovision, popular concurso de música que mobiliza milhões de pessoas em diversos países da Europa e acontece anualmente. Dele já saíram revelações como o ABBA, vencedor pela Suécia em 1974, e até Celine Dion (canadense, mas que concorreu pela Suíça) em 1988, mas aquele ficou conhecido como o ano de maior sucesso do festival. Por apenas um motivo: o Riverdance.

O grupo de dança irlandês não era um dos concorrentes – ele se apresentou apenas no tradicional intervalo das votações -, mas desde então, já fez shows para mais de 22 milhões de espectadores, viajou cerca de 600 mil quilômetros ao redor do mundo e se apresentou por volta de 10 mil vezes. Nesta semana, o Riverdance cumpre temporada no Via Funchal, em São Paulo. Conversamos com a dançarina Niahm O’Connor, que está no projeto desde 1995, sobre o sucesso do espetáculo.

1. Como você explicaria este espetáculo para alguém que não tenha a menor ideia a respeito do que ele se trata?

O Riverdance é uma produção de música e dança irlandesa. A primeira metade do espetáculo conta a história dos mitos e lendas da Irlanda por meio da interpretação de canções e danças. O segundo ato é sobre a partida e as descoberta de muitos irlandeses desde que a Grande Fome [período entre 1845 e 1849 marcado por doenças e escassez de alimentos na Europa, mas que afetou a Irlanda de maneira acentuada] aconteceu. Muitas pessoas precisaram emigrar para outros países em busca de trabalho. O espetáculo conta a história da viagem destes irlandeses e de como eles ensinaram outras pessoas a entender sua forma de dança e música.

2. Você conhece algo das danças brasileiras?

Eu já vi algumas formas brasileiras de dança e estou muito interessada em saber como os brasileiros podem incorporar nossa dança e nossa música.

3. Já tentou sambar?

Um pouco, não sou muito boa. Mas conheço muitos dos nossos dançarinos irlandeses que querem tentar e aprender com os especialistas. [Risos.]

4. Em 1996, o Riverdance se apresentou pela primeira vez nos Estados Unidos, no Radio City Music Hall. O show foi um sucesso, mas vocês ficaram apreensivos com relação à recepção do público?

Sim. Eu estava lá em 1996 e o show já era realizado há um ano na Irlanda. Foi a nossa primeira vez fora de lá. Então estávamos muito nervosos sobre como as pessoas compreenderiam esse show. Foi um grande alívio quando ele se tornou um grande sucesso. Os americanos o adoraram porque ele possui muitos elementos diferentes: dança irlandesa e flamenca, canto, big bands… É uma combinação de tudo isso. Existe algo para todos levarem para casa. Pessoas de diferentes idades, mais velhos e mais novos. Por isso é um grande sucesso ao redor do mundo: qualquer cultura e qualquer dançarino podem se identificar conosco.

5. O espetáculo também se apresentou em lugares lendários como o Apollo at Hammersmith e a Broadway. Como vocês se sentem quebrando tantas barreiras culturais?

Bem, estou muito orgulhosa de que tenhamos alcançado tudo isso. Danço desde que tenho quatro anos e a dança irlandesa sempre esteve confinada à Irlanda. Ninguém a conhecia. Então, quando o Riverdance começou a ser produzido e conseguimos mostrar ao mundo nossa dança nacional, me senti muito honrada e orgulhosa de fazer parte disso.

6. Em 2011, o Riverdance recebeu pedidos para boicotar uma apresentação em Israel. Por que isso aconteceu e por que o grupo preferiu se apresentar?

O Riverdance não possui ligações políticas com nada. É apenas um show de dança. Todas as pessoas ali só querem apresentar para o resto do mundo a nossa arte e a nossa cultura. Não queremos ter nenhuma relação política com ninguém. O pedido do boicote realmente aconteceu, acho que por causa do conflito entre israelenses e palestinos, mas só fomos lá como artistas.

* O Riverdance se apresenta de 14 a17 de agosto, às 21h30, no dia 18, às 17h e às 22h, e no dia 19 de agosto, às 16h e às 21h. Ingressos entre R$ 40 e R$ 250. Mais informações aqui.