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FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Por Fernando Barros de Mello e Edson Aran

Fernando Henrique Cardoso, 75 anos, está no melhor dos mundos. Desde que deixou a presidência da República, em 2002, ele se dedica a observar e a influenciar a política de uma distância segura. Ele não está confortavelmente instalado numa torre de marfim - e suas posições deixam isso claro -, mas já não ocupa a trincheira da política cotidiana. FHC pode, portanto, fazer observações afiadas sobre aliados e adversários, além de comandar articulações em relativo silêncio. Foi assim que arbitrou a escolha do candidato tucano à presidência, enquanto dava os retoques finais no seu livro A Arte da Política - A História que vivi, que permanece altivo na lista dos mais vendidos.

Presidente de honra do PSDB, FHC inaugurou, em 2004, o Instituto Fernando Henrique Cardoso. A sede tem 2 090 m2  de área, distribuídos em dois subsolos e um andar de um prédio no vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo. A área que cerca o instituto é um retrato em miniatura do Brasil. De um lado, o imponente prédio do Teatro Municipal de São Paulo, com a sua bem preservada praça, mantida pela iniciativa privada. Do outro, a avenida São João e seus cinemas pornôs.

No imponente instituto, estão reunidos centenas de documentos e gravações dos dois períodos presidenciais (1995-1998; 1999-2002). Foi ali que o ex-presidente recebeu o repórter Fernando Barros de Mello e o diretor de redação, Edson Aran, para a primeira bateria de perguntas. Vestido de terno e gravata, Fernando Henrique analisou, com ar formal e professoral, o cenário político.
Esta é a segunda vez que ele fala à PLAYBOY (a primeira foi em setembro de 1984, quando o senador FHC articulava para levar a oposição ao poder, depois de 20 anos de ditadura militar). Nos 22 anos que separam as duas entrevistas, ele foi presidente da República, construiu a estabilidade econômica com o Plano Real e lançou as bases para a construção de um Estado moderno, eficiente e menos perdulário. Essas medidas lhe valeram o título de "neoliberal" (que ele rejeita). Também foi como reação a essa agenda que Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao poder, em 2002.

Quase quatro anos depois de uma das mais civilizadas transições da história republicana do país, o político FHC não poupa o governo Lula e lamenta que o país tenha perdido a chance de fazer um "compromisso histórico" com a modernidade. Já o sociólogo, que enxerga "mais os processos", destaca uma certa continuidade nas duas gestões.

A proximidade das eleições e o clima político que o país atravessa deram o tom da entrevista. Apenas na segunda sessão de perguntas, FHC contou histórias e fez reflexões pessoais. No seu confortável, porém simples e discreto apartamento, localizado no bairro paulistano de Higienópolis, ele estava sem gravata e o bom humor finamente irônico prevaleceu. Logo de cara, PLAYBOY percebeu no escritório do ex-presidente um Lula-de-pelúcia de 40 centímetros, presente do artista plástico Raul Mourão. "Gosto muito do boneco porque ele é como o Lula real: se amolda a tudo", explicou o ex-presidente, enquanto amassava o atual ocupante do Planalto para demonstrar que ele (o boneco) sempre volta ao normal. Depois disso, o pequeno Lula retornou ao seu púlpito, entre uma estante e um sofá. Passou a entrevista toda com a cara pra parede.

 

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