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	<title>Playboy &#187; Humor</title>
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		<title>O importante é que emoções eu vivi</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 11:43:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin_playboy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Jerusalém]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Madureira]]></category>

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		<description><![CDATA[Marcelo Madureira vai até Jerusalém para ouvir Roberto Carlos cantar, mas aproveita para boiar no Mar Morto e tentar transformar  água em vinho]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-30150" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2012/04/madureira1.jpg" alt="" width="620" height="352" /></p>
<p><strong>Gênesis</strong> O Projeto Emoções já vai completar oito anos. Todos os verões o Rei Roberto Carlos lota um transatlântico de fãs e sai por aí navegando. No meio do passeio, é claro, tem um show exclusivo do RC para os navegantes. Mas dessa vez Roberto foi longe demais! Enjoado de singrar os mares a bordo de transatlânticos em cruzeiros mundanos numa sequência de jantares, boates, jogatinas e outras diversões profanas, Roberto reuniu uma horda de fiéis seguidores brasileiros e embicou na direção da Terra Santa. É isso aí, bicho! Roberto Carlos resolveu transformar o seu Projeto Emoções numa peregrinação a Jerusalém, uma experiência mística em plena Semana da Pátria, com direito a show apoteótico no 7 de Setembro. E eu fui junto.</p>
<p><strong>Êxodo</strong> É óbvio que ninguém foi de navio dessa vez. Afinal, do Brasil até Israel de barco seriam dias e dias de viagem. Roberto Carlos e seus peregrinos tiveram de enfrentar mais de 15 horas no voo direto da companhia israelense El Al ou, como foi o meu caso, mais de 24 horas com conexão de 6 horas em Madri até chegar ao destino. O aeroporto Ben Gurion, em Telaviv, é enorme e moderníssimo e, mesmo sem ter nenhum jogo previsto na Copa de 2014, já está pronto e funciona que é uma beleza! O único problema foi explicar para as autoridades que eu estava lá para assistir a um show do Roberto Carlos. Em Israel ninguém sabia quem era Roberto Carlos&#8230; E foi assim que, tal e qual os cruzados da Idade Média, um bando de brasileiros invadiu a Terra Santa com uma fúria jamais vista. Nem o pessoal do Hamas, do Al Fatah ou da Al Qaeda ousou tanto.</p>
<p>Na incontrolável onda comprista dos brazucas, não sobrou pedra sobre pedra das Muralhas de Jericó nem dos shoppings israelenses. Enquanto isso, o Rei Roberto Carlos era recebido pelo primeiro-ministro Shimon Perez em pessoa, quando, para espanto do estadista, cantou Emoções à capela – aliás, coisa muito apropriada quando se está na Terra Santa. Em seguida convidaram o astro para uma caminhada pelas águas do Mar da Galileia, mas Roberto disse que não podia pois havia esquecido de trazer o calção. Até ali os israelenses, que não estavam entendendo nada, passaram a entender menos ainda. Por que o Rei não queria se banhar no mar? Mais um mistério para a misteriosa Jerusalém.</p>
<p><strong>Números</strong> Para começar, vamos logo esclarecer que não fui convidado. Nada de boca livre ou zero-oitocentos. Como um pacato cidadão qualquer, liguei para a agência de viagens e comprei o meu pacote “Roberto Carlos em Jerusalém” pela módica quantia de 5 200 dólares, pagos em 12 vezes sem juros no cartão. Havia cinco tipos de pacote à disposição dos fíéis: Classic, Premium, Emoções, Emoções Gold e Emoções Platinum. Os preços variavam de 3 400 dólares por pessoa, o mais barato, a 14 200 dólares, o mais caro. Por incrível que pareça, o pacote mais caro foi o que se esgotou primeiro. Mas o que me interessava de verdade era entender como e por que mais de 1 500 brasileiros se abalaram até o Oriente Médio para escutar seu ídolo cantar. Quem são? O que pensam? O que fazem? Onde moram? Será que são essas as pessoas que realmente sabem qual é o verdadeiro sentido da vida?</p>
<p><a rel="attachment wp-att-30152" href="http://playboy.abril.com.br/humor/humor/o-importante-e-que-emocoes-eu-vivi/madureira3/"><img class="aligncenter size-full wp-image-30152" title="madureira3" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2012/04/madureira3.jpg" alt="" width="620" height="352" /></a></p>
<p><strong>Levítico </strong>Na excursão as mulheres são a grande maioria, quase todas na faixa de idade do Rei Roberto Carlos, ou seja, ali pelos 70 do segundo tempo. Algumas separadas, outras casadas com aquele tipo de marido que gosta de praticar o esporte olímpico de Arremesso de Esposa a Distância. Ou seja, quanto mais longe a patroa for, melhor – desde que ele, o marido, não tenha de ir junto. Quase todas já fizeram (além de algumas plásticas) pelo menos um cruzeiro marítimo do Projeto Emoções e não perdem nenhuma apresentação do Rei, seja onde for. São fanáticas pelo Roberto. São pessoas com dinheiro. E pelo visto gastam fortunas com perfumes, joias e maquiagem. Na sua maioria elas vêm do interior do Brasil e adoram viajar no esquema de excursão do tipo CVC, na qual quem for discreto acaba aparecendo mais do que todo mundo. Sem preconceito, por favor.</p>
<p>Além do forte cheiro de vários perfumes misturados, o colorido dos vestidos de grife e o brilho das joias ofuscam tanto a vista que eu colocava óculos escuros até na hora do jantar. Jantar em que seios murchos escapavam dos decotes profundos para boiar no prato de sopa morna. O tempo é cruel, sobretudo com as mulheres.</p>
<p>Pelo meu pacote eu deveria ficar no Hotel Citadel, no King David, no Mamila ou similar. Como estava tudo lotado, me colocaram no Similar. O hotel enorme, centenas de quartos, estava cheio até a tampa. Cedo pela manhã eu entrava no restaurante cantarolando “Amanhã de manhã, vou pedir um café para nós 1 500&#8230;”, enquanto usava meus conhecimentos rudimentares de caratê e capoeira para conseguir chegar até o bufê. O hotel tinha tudo: sauna, massagem, piscina&#8230; Mas, na tentativa de chegar a algum lugar, eu acabava sempre me perdendo. E, perdido no meio daqueles corredores só de sunga, chinelo e toalha, ficava apavorado com a possibilidade de ser sequestrado por uma fã carente do Roberto Carlos.</p>
<p>O grupo é alegre e animado, e, claro, sempre tem a gordinha mais descontraída de Jundiaí que se autoproclama líder do grupo. No ônibus da excursão a gordinha senta no banco da frente, ao lado do guia, e tem opinião sobre tudo e, sobretudo, sobre todos. Seu esporte preferido é comandar a macacada no entra e sai do ônibus durante as visitas aos lugares santos. Todos os dias percorremos um monte de igrejas, santuários, abadias, mosteiros e outros pontos de interesse religioso.</p>
<p>Acordávamos cedo para aquela maratona de fé, e toca visitar o Monte das Oliveiras, o Santo Sepulcro, Cafarnaum, Mar Morto, Belém, Mar da Galileia e o que mais estiver no roteiro dos textos bíblicos. Os guias, judeus brasileiros que vivem em Israel, são de ótimo nível e dão explicações detalhadas e interessantes sobre cada lugar visitado. Mas o que irrita as senhorinhas que me acompanham é que nossos guias se recusam a parar nas lojinhas onde se podem comprar autênticos suvenires da Terra Santa – todos made in China: crucifixos, rosários de tudo que é tamanho, Santas Ceias, estátuas de santos e retratos do papa. Enfim, tudo para você equipar o seu sacrário particular. O mais incrível é que, naquela correria, sem parada para compras, as senhoras, não sei como, apareciam com um monte de sacolas se gabando dos descontos que haviam conseguido.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-30151" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2012/04/madureira2.jpg" alt="" width="620" height="352" /></p>
<p><strong>Eclesiastes</strong> Cômicas, para não dizer patéticas, são as visitas aos lugares sagrados da cristandade. Cada um é controlado com mão de ferro, seja por uma das vertentes das igrejas cristãs (ortodoxa grega, ortodoxa russa, copta etc.) ou por grandes ordens religiosas católicas responsáveis por sua guarda. Uma multidão de fiéis se acotovela para visitar o local do nascimento de Cristo ou o Gólgota, onde ele foi crucificado.</p>
<p>Em Belém, no lugar em que Cristo nasceu, alguns russos tentam furar a fila. O ambiente fica tenso e, por vezes, quase selvagem. Os padres tentam colocar alguma ordem no tumulto. Em vão. Quando o crente finalmente fica em frente ao lugar sagrado e se ajoelha para uma oração, imediatamente um monge se aproxima e enxota o peregrino, já que centenas de fiéis aguardam impacientes por aquele segundo de reflexão. Enfim, a fila anda. Esperando as minhas coleguinhas de excursão, sentei num banco da Igreja do Santo Sepulcro para meditar, e qual não foi a minha surpresa ao passar a mão debaixo do assento e encontrar, pregado, um prosaico chiclete usado.</p>
<p>Por último percorremos a Via Dolorosa, logradouro cujo nome (quanta maldade!) me remete direto a uma parte remota da anatomia humana. Não tem jeito, vou para o inferno mesmo&#8230;</p>
<p>A Via Dolorosa, na parte velha da cidade, atravessa o antigo mercado de Jerusalém, um dos mais velhos Ceasas do mundo. Tem lojinha de tudo que se pode imaginar. Logo no começo do logradouro tem um cara que aluga cruzes. Foi isso mesmo que vocês leram! Pode-se alugar uma cruz de madeira para fazer o mesmo percurso que Jesus fez 2 mil anos atrás. As cruzes não são tão pesadas quando a original, mas fazem uma presença. Acho que, por mais algum qualquer, no fim do trajeto o sujeito prega o turista no pau, mas não garante a ressurreição no terceiro dia.</p>
<p>Ao longo do caminho, o peregrino é assediado por comerciantes árabes que oferecem quibes, esfihas e doces apetitosos, enquanto as nossas narinas são invadidas pelos cheiros de diversos temperos do milenar Carrefour.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-30153" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2012/04/madureira4.jpg" alt="" width="620" height="352" /></p>
<p><strong>Crônicas</strong> A nossa visita à Terra Santa prossegue, faça sol ou faça sol. O clima é desértico e, apesar de a Terra ser Santa, o calor é infernal. Antes de partir mandei fazer um sudário azul cerúleo e levei também um cajado de pastor que comprei na Grécia numa viagem anterior. A Grécia está na maior crise, e por isso está tudo muito barato lá. Pelo preço que paguei pelo meu cajado três anos atrás hoje eu compro o Parthenon e ainda sobra para comer a Palas Atena.</p>
<p>Eu me vesti desse jeito para poder passar despercebido no meio daquele povo da Judeia. Fiquei lindo. Trajando aquela indumentária típica, aproveitei para repetir alguns milagres tão comuns nessa região.</p>
<p>Tentei caminhar no Mar da Galileia, tentei abrir as águas do Mar Vermelho, ressuscitar o Lázaro, transformar água em vinho, multiplicar os peixes, mas foi tudo em vão. Fracassei em todos. Milagres são coisas dos tempos bíblicos, tempos que não voltam mais.</p>
<p>Estive no Muro da Lamentações, o muro foi o que restou do Grande Templo que os romanos destruíram no ano 70 da Era Cristã. Como manda a tradição, tratei de enfiar numa fresta um bilhetinho com um pedido ao Criador. No meu papelzinho pedi ao Todo-Poderoso que acabasse com a corrupção no Brasil. Não houve jeito de encaixar o meu recado num cantinho do monumento milenar. O meu pedido não entrava de jeito nenhum. Interpretei o fato como uma recusa divina em virtude da incapacidade do Altíssimo de realizar milagre de tamanha envergadura.</p>
<p>Numa pausa para relaxamento, visitei o Mar Morto, que é uma espécie de Praia Grande de Santos. Só que a água do mar é tão insuportavelmente salgada que não se pode mergulhar. Vários turistas russos e alemães comiam galinha assada – todos enlameados do lodo que, dizem, tem o poder de curar várias moléstias. Como um bom turista, boiei besuntado de lama no Mar Morto. Enquanto boiava à deriva no mar defunto, fiquei pensando se o Mar Morto não teria sido vítima do conflito árabe-israelense. Nesse caso, quem teria sido o responsável pelo assassinato do mar que separa Israel da Jordânia?</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-30155" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2012/04/madureira6.jpg" alt="" width="620" height="352" /></p>
<p><strong>Carta ao Corinthians</strong> Outro ponto de interesse na Terra Santa é o Rio Jordão, lugar onde Cristo foi batizado. O local parece uma dessas paradas de ônibus tão comuns nas estradas brasileiras. Ao lado da lanchonete, uma loja de suvenires onde só falta vender o famoso lápis de Itu. Mas, em compensação, se pode comprar 1 litro da água sagrada do Rio Jordão. É muito importante que a procedência do precioso líquido seja legítima, pois, se a água do Rio Jordão for falsificada no Paraguai, a ressaca no dia seguinte é garantida.</p>
<p>Ainda na parada do Jordão, o peregrino pode alugar uma bata branca e, com um calção por baixo, mergulhar nas águas e repetir o sacramento do batismo. O problema é que o Jordão é cheio de lontras (que mais parecem ratazanas) nadando para lá e para cá, o que torna o mergulho pouco convidativo. Foi o que constatei ao observar um enorme russo que, por força, resolveu batizar seu filho, de mais ou menos 5 anos, nas águas sagradas. O menino berrava e chorava, apavorado, mas não teve jeito. Debaixo de cascudos e cachações, levou um caldo naquelas águas turvas pelo pai casca-grossa, mas muito pio e religioso.</p>
<p><strong>Cântico dos Cânticos</strong> Finalmente chegou o esperado dia do show do Roberto Carlos. Desde cedo uma horda de brasileiros fazia fila na porta de entrada, todos em trajes de gala. Um luxo! O clima era de expectativa eletrizante. Os ingressos se esgotaram num instante, e quem quisesse ir ao show teria de comprar um tíquete nas mãos dos cambistas fariseus que cobravam 30 dinheiros por um lugar na plateia. Um roubo! O local escolhido para o espetáculo foi a Piscina do Sultão, tradicional casa de shows a céu aberto com capacidade para 5 mil pessoas. Fazia um pôr do sol magnífico, sem a menor possibilidade de chuva, e a temperatura estava bem agradável. Deus conspirava para o sucesso do show.</p>
<p>A plateia estava lotada de celebridades deste e do outro mundo: profetas, patriarcas, anjos, arcanjos, serafins, querubins etc. Até o Matusalém se fez presente, pois o velho Matusa é fã do Roberto desde os tempos da Jovem Guarda. Também vi a Regina Casé, o Tom Cavalcante e o Zé Victor Oliva, que ocupavam um camarote animado. Só faltavam o Cid Moreira recitando “seus” Salmos e o papa Bento 16, que já tinha outro compromisso naquele dia.</p>
<p>No enorme telão, o prefeito de Jerusalém lê uma mensagem aos brasileiros gravada na qual pede para todos desligarem os celulares, explica onde ficam as saídas de emergência e pede para ninguém jogar papel no chão. As luzes se apagam, e Glória Maria entra para fazer a MC, abrindo alas para o Rei Roberto Carlos.</p>
<p>Poucos sacaram esse detalhe: o show começou com o canto do muezim, o religioso muçulmano que, do alto do minarete (aquela torre enorme que tem nas mesquitas), convoca os fiéis à oração. Feito isso, entra o Rei. A chapinha do Roberto estava melhor que a da Glória Maria.</p>
<p>Como sempre, o show é impecável, dessa vez dirigido por Jayme Monjardim das Oliveiras, o nome mais adequado para comandar um evento nestas paragens. O cenário é muito bem sacado, com uma reprodução da Jerusalém bíblica que se integra às verdadeiras muralhas históricas da cidade. A plateia vai ao delírio no desfile de sucessos do ídolo, que, naturalmente, abre o espetáculo com Emoções.</p>
<p>Cerca de 30 mil judeus brasileiros vivem em Israel, e a turma, saudosa, acompanhava em coro todos os hits do RC. Nunca se viu tanto brasileiro junto em Jerusalém. Nem Jerusalém escutou tantos judeus juntos cantando em êxtase o mantra “Jesus Cristo, eu estou aqui!”</p>
<p>RC dançou cheek to cheek com a Glória Maria, jogou rosas para as fãs e se mandou para o camarim. Fiquei de papo com meus novos amigos brazucas-israelenses e perguntei por que tinham resolvido sair do Brasil. A maioria disse que era por causa da violência. Quer dizer, os caras se sentem mais seguros em Israel, um país cercado de inimigos por todos os lados, à mercê de terroristas e homens-bomba, do que na esquina. É, pode ser&#8230;</p>
<p><strong>Apocalipse</strong> Depois do show, um povo escolhido foi convidado a participar de um coquetel exclusivíssimo em que a presença de RC era esperada. Reconhecido pelos organizadores, fui convidado para o convescote, no qual pude conviver com a upper class brasileira que compareceu à efeméride. Centenas de milionários do interior do Brasil e várias subcelebridades (eu, inclusive) aguardavam ansiosos, entre um quibe e uma caipirinha, a chegada triunfal do Rei. Uma turma de ricaços maranhenses se aproximou da minha pessoa pedindo para tirar retrato. Todos usavam o bigode à la Sarney, inclusive as mulheres. Acho que deve ser obrigatório no Maranhão. Um deles se apresentou como deputado federal, mas se “esqueceu” de me dizer o nome quando se deu conta de que era quarta-feira e estávamos a 12 mil quilômetros do Congresso Nacional.</p>
<p>Vestidos de baile, tuxedos elegantes, joias e sorrisos desfilavam pelo salão. Infelizmente, e como era de esperar, lá pelas 2 da madrugada avisaram que o Rei faria forfait, rebarbando o coquetel. Decepcionado, embarquei na van na direção da minha cama. Voltei para o hotel e imaginei qual será a próxima parada do Projeto Emoções. Fátima, em Portugal? Lourdes, na França? Ou, mais barato, Aparecida do Norte? Conclusão: foi legal? Foi. Foi divertido? Foi. E, afinal de contas, teve uma coisa muito boa: pelo menos dessa vez o Luciano Huck não foi.</p>
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		<title>Millôr Fernandes</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 22:08:33 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Uma conversa franca com o humorista sobre política, literatura, desenho, arquitetura, ética, frescobol, vestuário feminino, pesca de atum, sexo, mulheres e, finalmente, o jeito carioca de ser e estar]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-29855" href="http://playboy.abril.com.br/entretenimento/entrevista/millor-fernandes/millor-fernandes/"><img class="size-full wp-image-29855 aligncenter" title="Millôr Fernandes" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2012/03/millor.jpg" alt="" width="620" height="352" /></a></p>
<p>Foi um baita susto. Quando Millôr Fernandes, 82 anos, recebeu PLAYBOY no seu estúdio em Ipanema para a primeira parte desta entrevista, ele não falava coisa com coisa. O humorista-escritor-dramaturgo-poeta-etc, dono de uma produção de arrepiar que inclui 28 livros de prosa, 14 peças teatrais, 11 musicais, nove roteiros para cinema e mais de 80 traduções (Shakespeare, Sófocles, Brecht, Cervantes, Vargas Llosa, entre muitos outros), queixava-se de fortes dores de cabeça. “Não sei o que está acontecendo, eu nunca tive isso&#8230;”, dizia ele, com a mão segurando a testa. E em seguida começou a declamar um trava-língua surrealista: “O ovo que desova no poente é novo?”. Ou coisa assim. Esquisito. Muito esquisito.</p>
<p>Impossível fazer a entrevista. A equipe da revista, o diretor de redação <strong>Edson Aran </strong>e a fotógrafa <strong>Camila Marchon</strong>, tomaram apenas um café e se despediram. O jornalista Luis Gravatá, de <em>O Globo</em>, que visitava o humorista, nos acompanhou até a porta. Estava preocupado. “Com o Millôr a gente nunca sabe, porque ele vive fazendo brincadeiras&#8230; mas ele está esquisito.” Estava mesmo.</p>
<p>Naquela noite, Millôr acabou num centro de tratamento intensivo gritando de dor. Os médicos fizeram todo tipo de exame, mas não chegaram a nenhuma conclusão satisfatória. Falou-se num princípio de isquemia cerebral, que nunca foi confirmada. Até hoje ninguém sabe o que Millôr teve. Talvez, quem sabe, o cérebro do homem tenha entrado temporariamente em pane depois de anos de sinapses brilhantes. Vai saber.<br />
Felizmente, no nosso segundo encontro, dois meses depois, Millôr era outro. É fato que andava com alguma dificuldade, única sequela daquela noite, mas pensava, falava e troçava com aquela agilidade notória e sempre surpreendente.</p>
<p>Engatava citações eruditas a piadas maldosas, saltava da pesca de atum a considerações sobre urbanismo, teorizava sobre o frescobol e, a seguir, se deixava levar por digressões filosóficas. Um autêntico e legítimo Millôr, enfim, retrato do homem que em 1969, ao lado de profissionais e amigos como Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Ivan Lessa, Sérgio Augusto, Ziraldo, entre muitos outros ilustres colaboradores, ousou criar o mais influente, brilhante e anárquico tablóide do país: <em>O Pasquim</em>.</p>
<p>A entrevista rolou sob o olhar atento de outro amigo, o jornalista Paulo Francis, cuja foto se destaca em meio aos pôsteres que atulham o estúdio. Falamos de tudo um pouco. Mas esse pouco, no caso do Millôr, é muito mais que tudo.</p>
<p><strong>Da última vez que a gente veio aqui, você deu um susto na gente. O que aconteceu?</strong><br />
Eu não tenho a menor noção do que aconteceu. Não me lembro. Nunca tive dor de cabeça e devo ter tido dores terríveis naquele dia, porque todo mundo registrou. Vieram duas ambulâncias me pegar. Não foi uma não, foram duas! Uma perfeição! Quando acordei, dois dias depois, fiz todos os exames possíveis e imagináveis e os médicos não conseguem me dizer quê que era.</p>
<p><strong>Eles não sabem o que aconteceu com você?</strong><br />
Não! Não sabem! Porque a medicina é fabulosa até o momento em que admite o desconhecido. O que ela não conhece, não pode curar, então você, ó&#8230; se estrepa.</p>
<p><strong>E como você está agora?</strong><br />
O meu problema agora são as pernas. Eu comecei a andar com dificuldades, mas não tô me entregando não, você entende? Hoje mesmo eu fiz uma hora de ginástica específica. Agora, minha musculatura está perfeita. Joelho, perfeito. Circulação, perfeita. Eu vi tudo lá no computador. Meu problema é que tenho paúra de médico. Meu grande amigo, o <em>[escritor] </em>João Cabral de Mello Neto, que teve dor de cabeça a vida inteira, tinha que tomar seu remédio diário. Mas eu nunca tomei remédio na minha vida. Uma aspirina influencia alguma função do seu corpo, então prefiro não tomar.</p>
<p><strong>Com o presidente Lula em segundo mandato, você está mais desanimado ou mais estimulado pra fazer seu trabalho?</strong><br />
Olha aqui, eu vou te dizer uma coisa: pode parecer uma pretensão minha, mas aquele cara que foi enforcado na cruz&#8230; Não é enforcado na cruz, né? É crucificado! <em>[Risos.] </em>Bom, ele dizia uma frase que é minha: “O meu reino não é deste mundo”. Eu não tenho nada a ver com o Lula, eu não tenho nada a ver com o Alckmin. Nada. São um bando de filhos da p(*)! Todos! Todos, todos, todos! Ninguém que ambiciona o poder deixa de ser um filho da p(*)! Pode ser um pouco mais ou um pouco menos. Mas o homem de bem, no sentido genérico e universal da palavra “bem”, não ambiciona o poder.</p>
<p><strong>Mas o poder não vem só da política. Quem tem uma coluna como a sua também tem poder&#8230;</strong><br />
Bem, eu nunca ambicionei o poder. No meu caso, você tem um poder que vem naturalmente com o passar dos anos. Se não você não estaria aqui me entrevistando. Eu evitei a minha vida inteira a popularidade. Eu gosto é da notoriedade. A sua notoriedade não vai mudar as pessoas, mas você se sente mais amparado. Se você vai a um restaurante, o cara te trata melhor. Ele não sabe bem o que você é, mas sabe que você deve ser bem tratado. Isso eu gosto! Mas voltemos ao Lula&#8230;</p>
<p><strong>Então, fica mais fácil ou mais difícil trabalhar?</strong><br />
Eu nunca tive esse problema. Essa pergunta é recorrente. As pessoas olham e dizem: “Que incrível! Tem humor ali”. Mas, ao contrário, me desagrada muito essa situação de crise em que, mal ou bem, você acaba tendo de falar da política. Mas se você pegar a maior parte do meu humor, ele é aleatório, sobre coisas maiores, sobre coisas menores, sobre a vida, sobre o mal, sobre o bem. Tem um grande humorista e desenhista que dá bananas pra tudo isso. Recentemente, recebi um livro dele. É o Quino, que hoje vive na Espanha. Ele não dá bola pra isso não, faz outras piadas lá, mas que são sempre de uma observação e de uma densidade extraordinárias. O humor tem um campo vastíssimo. A política, o desastre, você tem que comentar ocasionalmente, pois em geral trabalha num órgão de imprensa que tem periodicidade semanal ou diária. O humorista menor – que você nem pode chamar de humorista – é quem faz piadas, gracinhas, com essas coisas. Mas mesmo essa pessoa está almejando algo maior. Eu mesmo gostaria de vender os 500 mil livros que o Paulo Coelho vende. Estaria muito satisfeito. Mas quero vender sem me afastar do que eu quero dizer. E a maior parte das pessoas não entende o que eu faço.</p>
<p><strong>Mas o seu público não é tão pequeno assim&#8230;</strong><br />
É! É pequeno sim! E se você trabalha na China e tem 100 milhões de leitores, seu público é pequeno. No Brasil, um público de 1 milhão é pequeno. E é duro ter 1 milhão de leitores.</p>
<p><strong>Na última eleição, a ética foi muito discutida e muitos artistas e intelectuais saíram a campo defendendo posições que, muitas vezes, compactuavam ou perdoavam a falta de ética. O que você achou disso?</strong><br />
Olha aqui, é muito difícil classificar, porque entre os que estão fazendo isso, tem de tudo. Tem os inocentes, intelectuais incultos que não sabem nem o que é ética. Tem os que fazem isso por interesse próprio, para darem-se bem com o poder. Tem o safado, também intelectual, mas safado que está pura e simplesmente c(*)ndo pra ética. Então é difícil classificar. Agora, também é muito difícil dizer o que é ética. O que é ética? Eu estou lendo um livro sobre o Stálin. Em determinada época, o cara mandou matar 10 milhões de camponeses. E matou em nome de quê? Da coletivização, da industrialização. Ele matou aqueles sujeitos não apenas para salvar a União Soviética, não apenas o seu país, mas o mundo, o universo. Agora, ele estava fazendo isso, de uma certa forma, dentro da maior ética. O que importa matar 10 milhões se o objetivo final é salvar a humanidade? Em suma, é tudo muito complexo e passível de ser refutado. Eu mesmo, por ser carioca, já tenho uma ética bastante relaxada.</p>
<p><strong>A ética do brasileiro é naturalmente relaxada?</strong><br />
Mas muito&#8230; bastante&#8230; Eu, por exemplo, sempre fui muito relaxado em relação ao sexo. Eu nunca tive a consciência que a minha geração tinha. Eu tive uma grande sorte porque meus pais morreram cedo. Meu pai morreu quando eu tinha um ano, minha mãe morreu quando eu tinha seis. Então nunca ninguém me levou pra igreja. Nunca ninguém me disse que se eu me masturbasse eu ia ficar cego ou leproso. Ninguém me disse que eu não devia comer uma prima, você entende? Irmã, sim. Mas prima é pra isso mesmo&#8230;</p>
<p><strong>Você comeu muita prima?</strong><br />
Ainda não dava. Essa fase da minha vida, quando todo mundo em volta resolveu morrer, terminou quando eu tinha dez anos e eu caí no mundo. Ou na vida, como querem outros&#8230; Mas aprendi muito, sobretudo com minhas primas espanholas. Agora, essa é uma ética muito carioca, você entende? Num país frio, tirar a roupa já é uma dificuldade. A temperatura pede uma ética mais puritana <em>[risos]</em>.</p>
<p><strong>Mas isso não tem a ver com a religião? O protestante é mais individualista, portanto, mais ético e mais capitalista, enquanto o católico é mais esculachado mesmo?</strong><br />
Eu não saberia nunca responder isso, pois tenho dificuldade de pensar ideologicamente. Eu acho a ideologia um bitolamento da inteligência. Se você é católico, tá f(*), você é católico, pronto! Você pensa naquela linha católica. Quem não pensa católico é um filho da p(*). É a mesma coisa com o presbiteriano. Você me diz assim: “Aquele cara é um grande pensador marxista”. Então ele não é pensador, é um propagandista do marxismo. O Tristão de Atahyde era conhecido como grande pensador católico. Isso não é nada pensador&#8230; Pensador é o cara que vai pensando numa linha até o momento em que esbarra numa coisa e muda a maneira de pensar.</p>
<p><strong>Mas no geral a esquerda anda pensando menos, não anda? A esquerda ficou mais burra?</strong><br />
Não, mas eu acho o seguinte: antigamente eles estavam no poder, mesmo que fosse apenas o poder intelectual, difuso. Pra começo de conversa, você só podia ser de esquerda. Se não fosse, era de direita, porque eles taxavam. E direita o que era? Era o filho da p(*) que queria comer criancinhas no meio da rua. Eles não. Eles eram os puros. Você vê agora esse movimento por indenizações para quem fez luta armada. O pessoal botou uma pistola na cintura e foi lutar pra quê? Pra tomar o poder! Pois bem, aí a coisa não deu certo e eles pedem indenização?! Então eles não estavam fazendo uma rebelião, estavam fazendo um investimento <em>[gargalhadas].</em></p>
<p><strong>Já que você falou em arma, na época do plebiscito do desarmamento </strong><strong><em>[2005], </em></strong><strong>você assumiu uma posição contrária à do governo e também de vários amigos seus, como a atriz Fernanda Montenegro, por exemplo. Isso de alguma forma afetou a amizade de vocês?</strong><br />
Eu não tomo conhecimento. E tenho a impressão que, no caso dela, ela também não toma. Ela foi contra, eu fui a favor. Acabou. Aquela coisa tinha um componente complicado que era o lobby dos fabricantes de armas mas, como você vai ser a favor do desarmamento geral, se o Estado não te dá a menor garantia para que você possa andar na rua? Eles gastam tanto dinheiro pra fazer presídios de segurança máxima, quando deviam gastar para fazer ruas de segurança mínima, não é verdade? <em>[Risos.]</em></p>
<p><strong>O humor, de uma maneira geral, não é muito condescendente com o presidente Lula?</strong><br />
Eu não posso te dizer, porque eu falei mal de todos eles, escrevi sobre o Sarney e também sobre o Fernando Henrique. Agora, se o Lula é um analfabeto, o Fernando Henrique é um analfabeto barroco. Não estou brincando, não. Se você pegar o bestialógico dele, puro e simples, daquele livro que ele escreveu, você não consegue entender nada! Eu selecionei um trecho do livro dele e publiquei. Aí uma amiga minha, que estudou com ele, me disse: “Millôr, você disse que escolheu o trecho por acaso e eu não acreditei. Mas aí fui reler o livro e é tudo assim, você tem toda razão. Agora, Millôr, eu estudei com esse homem, como é que eu acreditava nele?”. É que quando você tem 18, 20 anos e está na frente de um professor de 30, 35 anos, ele é uma estátua. Você acredita nele. Quando ele diz uma coisa complicada e você não consegue compreender, você pensa que o defeito é seu. Você faz um esforço, vai pra casa e aprende. É a mesma história com o Machado de Assis. Você é emprenhado desde cedo de que ele é o maior escritor do mundo. Mas você não conhece outro&#8230; <em>[Risos.]</em></p>
<p><strong>Você tem uma certa implicância com o Machado de Assis&#8230;</strong><br />
Não!</p>
<p><strong>Como não? Tem sim!</strong><br />
Não é implicância porque parece que eu estou com raiva, né? Não é isso. Você pode dizer implicância, mas o que eu tenho é um certo desdém. Essa discussão se a Capitu deu ou não deu é como discutir o sexo dos anjos. Eu fiz um artigo sobre <em>Dom Casmurro</em>. Algumas pessoas me apóiam, outras não. Mas é como se eu estivesse falando mal do Machado de Assis e não é isso. É que eu publiquei dez ou 12 frases do romance provando que ele, dom Casmurro, é homossexual. Eu não digo “bicha”, que é pejorativo. É um homossexual, entende? E naquela época, ele tinha que ser enrustido porque, infelizmente pra ele, ainda não havia o movimento gay <em>[risos]</em>. Agora, veja bem, daí em diante eu fiz uma extrapolação que me foi natural. Quem é Machado de Assis? É um mulato, filho de uma lavadeira, com todo um temperamento de querer ficar bem na sociedade. E que eu saiba – pode até ser ignorância minha, admito – mas que eu saiba, não tem mulher alguma na vida dele. Ele não comeu ninguém! E eu tenho um certo desconforto com homem que não come ninguém. Eu acho que o homem tem que comer alguém <em>[gargalhadas].</em></p>
<p><strong>Mas o Lula foi esculhambado ou não foi?</strong><br />
Esculhambou, o pessoal esculhambou bastante. Agora, veja bem, eu cheguei à conclusão de que ele é um fronteiriço. Eu, por exemplo, sou um fronteiriço topográfico. Se você me deixa numa porta giratória, eu volto pro mesmo hotel <em>[gargalhada]</em>. Agora, o Lula é total. Uma característica do fronteiriço é que ele não registra. Ele começa a falar e, na décima frase, já não sabe o que disse no início. Agora, paradoxalmente, ele tem toda a possibilidade de fazer um gol, pois já passou pelo crivo da desonestidade, então ninguém mais vai ter coragem de cobrar isso de novo. Se ele conseguir colocar meia dúzia de ministros que lhe dêem respaldo, ele pode dar certo&#8230;</p>
<p><strong>Então você está otimista?</strong><br />
Eu sempre fui otimista, senão eu não estaria vivo <em>[risos]</em>! Eu tenho uma frase escrita há uns 200 anos do sujeito que salta do décimo andar de um prédio e que, quando passa pelo segundo, diz: “Até aqui, tudo bem!” <em>[gargalhadas]</em>.</p>
<p><strong>O Angeli deu uma entrevista pra PLAYBOY e ele faz uma divisão entre o humor carioca e o paulista. Ele diz que o humor carioca belisca a bunda das pessoas enquanto o humor paulista acerta&#8230;</strong><br />
Acerta?</p>
<p><strong>É&#8230; acerta!</strong><br />
Sendo o Angeli, ele deveria ter dito que o humor carioca belisca e o humor paulista enraba&#8230;</p>
<p><strong>Deve ter sido timidez dele </strong><strong><em>[risos]</em></strong><strong>. Mas o sentido é esse mesmo. Você concorda?</strong><br />
Olha, eu não sei o que dizer disso, porque eu não vejo essa diferença. Talvez exista uma diferença apenas editorial, já que as pessoas do Rio têm mais divulgação. Alguns nomes começam no Rio e passam para São Paulo, enquanto quem começa em São Paulo às vezes fica restrito por lá. O Angeli é um dos poucos que conseguem passar. Mas o Chico Caruso, que está aqui, passa para o Brasil inteiro. O Paulo Caruso não passa. É uma questão geográfica. Mas a diferença de humor não existe. O que o Rio tem de característica especial? Como os paulistas dizem, o Rio é um balneário, as pessoas estão pouco se lixando pro que os outros pensam. Eu me lembro quando o Krushev, aquele assassino, tomou o poder na União Soviética. Ele foi pros Estados Unidos e visitou Hollywood. Sumiu lá. E ele disse uma coisa assim: “Poxa, que formidável essas mulheres! Na União Soviética não temos mulheres assim, são todas camponesas usando botas pesadas”. Um mês depois, era lançada em Paris a moda de botas para mulheres. E pegou. Mas foi em Paris, não é? <em>[Risos.] </em>O Rio, por exemplo, inventou o windsurfe. Mas há mais de 50 anos, os cearenses faziam a mesma coisa nas jangadas deles&#8230; Só que não tinha o charme.</p>
<p><strong>Essa capacidade que o Rio tem de fazer as coisas acontecerem vem do fato de a cidade ter sido capital, não apenas da República, mas também do Império?</strong><br />
Sim, mas tem essa coisa extraordinária de ser uma cidade industrial à beira-mar, né? No verão, o cara vai pra praia na hora do almoço, dá um mergulho e volta pra trabalhar. Há muitos anos esteve no meu apartamento da Vieira Souto um repórter da revista <em>Look </em>para me entrevistar. Ele almoçou comigo, olhou a praia, e ele estava certo de que aquilo era uma casa de campo que eu tinha. “Ninguém pode morar assim&#8230;”, ele disse <em>[risos]</em>.</p>
<p><strong>Mas a especulação imobiliária e a violência não acabaram um pouco com essa aura de “cidade maravilhosa”?</strong><br />
A especulação imobiliária é um dos cânceres do mundo. Não foi só aqui que f(*). No século 20, a especulação norte-americana inventou o arranha-céu, logo imitado até por Catulé da Sapucaia. Mas, justiça seja feita, até meados do século passado, Nova York era o único lugar em que a coisa tinha dado certo. Depois, nem lá. Hoje, aquele país de meio metro quadrado, Taiwan ou Formosa, sei lá, que se acha a capital da China, construiu o maior arranha-céu do mundo, com 500 andares.</p>
<p><strong>Millôr, dá pra viver de humor no Brasil?</strong><br />
Eu não sei, porque, veja bem, eu nunca fiz só humor. Os meus pais morreram cedo. Nós éramos classe média, tínhamos uma casa no Méier, de dois andares, quatro quartos. Bem, ele morreu com 36 anos, minha mãe tinha 27, quatro filhos, nenhuma experiência, e aí alugou metade da casa para uma irmã e ela começou a costurar pra fora. O que significa que nós descemos pro proletariado. Quando ela morreu, nós viramos lúmpen. Então eu comecei a trabalhar com 14 anos e alguns dias eu não tinha dinheiro pra comer, literalmente.</p>
<p><strong>Você já trabalhava na revista </strong><strong><em>O Cruzeiro</em></strong><strong>?</strong><br />
Sim, já era n’<em>O Cruzeiro</em>! E eu fazia tudo e ganhava 100 réis numa época de moeda estável. Teve um momento que eu estava tão desesperado que cheguei na empresa e pedi um aumento pra 300. Era um menino maluco, né? A revista vendia 10 mil exemplares e tinha três mesas, a minha, a do diretor e a dos desenhistas. Mas, pra encurtar a história, quando eu estava com 20 anos, eu ganhava o maior salário da empresa, que era 12.500 réis e já morava na avenida Atlântica com meu amigo Freddy Chateaubriand, sobrinho do monstro Chatô. E comprei até automóvel, coisa que ninguém tinha. Naquela época, todo automóvel era estrangeiro. O Brasil não fabricava nem geladeira. Mas eu não fazia só humor, fazia isso e tudo o mais, né? E também já tinha começado a traduzir. Me perguntam onde é que eu aprendi inglês. Eu nunca aprendi, mas eu tinha que ganhar a vida <em>[risos]</em>.</p>
<p><strong>Então o humor não paga bem mesmo&#8230;</strong><br />
Mas o que seria o humorista? Seria o comediante? O comediante ganha muito dinheiro. Faz fortuna. Mas eu tenho a impressão que hoje o Angeli, que é um profissional da melhor qualidade, faz por merecer. Então, é como em toda profissão, tem uns que chegam a ministro do Exterior e tem os que chegam a ministros de primeira classe.</p>
<p><strong>O humor, enquanto gênero literário, precisa de tempo pra ser respeitado? </strong><strong><em>Dom Quixote</em></strong><strong>, por exemplo, precisou de anos pra ser respeitado como uma grande obra&#8230; Ou não foi bem assim?</strong><br />
Olha aqui, <em>Dom Quixote </em>fez sucesso mais ou menos imediato. Veja, o maior etimólogo que eu conheço chamava-se Eric Bassetti. Ele diz uma coisa interessante. No inglês britânico, burro se chama <em>donkey</em>. O dom Quixote o que é? Um débil mental, idiota. Então os caras começaram a chamar o burro, o idiota, de <em>donkey</em>, que é uma contração de dom Quixote. Eu traduzi uma peça extraordinária <em>[</em>Celestina<em>,do espanhol Fernando de Rojas]</em>, escrita em 1499. Ela já vem com um elogio a Cervantes, o que prova que ele já era bem respeitado na época. Agora, o que é ser reconhecido ou não reconhecido? Eu não sei o quê que é. Eu posso reclamar de tudo e posso não reclamar de nada. Tem pessoas que dão um valor ao meu trabalho muito acima do que eu suponho ter e tem gente que acha que eu sou um idiota. Mas de um modo geral, o que eu faço é apreciado na hora. Sendo que, hoje, como ontem, sempre há pessoas que chegam perto de mim e dizem: “Eu gosto muito do seu trabalho, mas muita coisa eu não entendo”. Se entenderem tudo é porque eu tô ficando muito fácil <em>[risos].</em></p>
<p><strong>Você continua achando que o melhor movimento feminino ainda é dos quadris?</strong><br />
As mulheres conquistaram coisas formidáveis. Mas algumas não são boas. Inúmeras mulheres começaram a imitar o pior dos homens. Agora, várias conquistas são perfeitas. As conquistas no trabalho, por exemplo&#8230; Algumas são até tecnológicas, não são delas. Como a pílula anticoncepcional que possibilitou a emancipação sexual, que não é só das mulheres, uma vez que os homens também eram vítimas desse negócio.</p>
<p><strong>Ninguém dava, né?</strong><br />
Dava. Claro que dava. Dava escondido, mas dava! O cara que não sabia pedir é que não conseguia nada. Mas hoje as mulheres usam até expressões que não são delas. Dizem “Não enche meu saco”, quando deveriam dizer “Não enche meu útero”, não é verdade? <em>[Risos.] </em>É claro que a mulher não vai ganhar uma corrida de homem, não tem jeito. E na inteligência abstrata, por exemplo, é tudo homem. Outro dia estava lendo um livro de ciências tecnológicas e é impressionante. Tudo homem. Essa minha frase foi deturpada pra burro. Trocam “feminino” por “feminista” e aí f(*) tudo. Eu estou falando é daquela que dorme menina e acorda mulher. É uma dádiva de Deus, da natureza&#8230; Qualquer feminista trocaria tudo para ser aquela mulher por meia hora.</p>
<p><strong>Se todas as mulheres fossem bonitas e jovens, não existiria o feminismo, é isso?</strong><br />
Olha aqui, não há motivo algum que impeça as mulheres de assumirem postos de comando no mundo todo. Agora, tem uma coisa que elas não conseguirão jamais: serem mais calhordas que os homens. <em>[Risos.] </em>Você acha que a sua mulher vai ser mais calhorda que Jarbas, que Sarney? Não tem jeito. A filha tentou e não conseguiu <em>[gargalhadas]</em>.</p>
<p><strong>Já que você entrou por aí, o homem não anda muito fresco?</strong><br />
Mas não tenha dúvida! Tá cedendo muito! Tá cedendo muito porque o homem tem uma fraqueza fundamental, né? A impotência está com o homem.</p>
<p><strong>Mas agora tem o Viagra!</strong><br />
Olha, eu não sei&#8230; Porque é uma coisa artificial, entendeu? E tem muita gente de 20 anos, de 30 e de 40, que não precisava tomar esse remédio de jeito nenhum, e que toma. Isso deve causar algum efeito psicológico.</p>
<p><strong>Você nunca tomou?</strong><br />
Não, não! Eu tenho horror a remédio! Eu tenho horror até de aspirina. Se eu precisar de estimulante, eu vou me estimular com a literatura <em>[risos]</em>. Mas os homens estão muito intimidados, né? E no Brasil não é nada, não. Nos Estados Unidos acabou a relação homem-mulher. A mulher pode usar minissaia, mas você não pode olhar porque senão você a estuprou, né? Eles usam “estupro” pra qualquer coisa. E o estupro pra mim só vale quando há algum tipo de violência, seja física ou de poder – por exemplo, quando o chefe da repartição começa a dar em cima da mocinha e usa o poder para conseguir o que quer. Agora, de repente o cara é acusado de seduzir uma mulher. Como assim? Eu pergunto: quem é que tem mais poder de fogo, uma moça de 18 anos ou um homem de 40? Quem é que seduz mais?</p>
<p><strong>Está respondido&#8230;</strong><br />
Nós tivemos um período de submissão quase escravocrata da mulher que gera, agora, esse período de turbulência. Tudo isso é ocasional. A gente não pode mudar com a história enquanto ela está se fazendo. As mulheres conquistaram uma série de coisas, são delas mesmo e não tem jeito mais. Você não vai proibir as mulheres de se desnudarem, você entende? Não existe isso.</p>
<p><strong>Claro que não, muito pelo contrário&#8230;</strong><br />
Não, não, pelo contrário não! Eu acho que uma certa <em>pruderie </em>até valoriza a mulher. Quando você vê uma mulher que se cuida mais um pouco, você se interessa mais. Olha, já era pro homem não ter mais nenhum interesse em mulher, né? Outro dia estava vendo uma comédia ligeira na televisão sobre um cara que se finge de gay num navio e um monte de gostosas quer levá-lo pra cama. E de repente uma delas pega uma banana, descasca e começa a chupar. E isso numa comédia que é pra garotada. Diante disso, o que tem mais a fazer? Mais nada. Essa chupação na televisão&#8230; Não tem motivo, não tem nenhum espírito por trás, você entende? É uma porcariada só.</p>
<p><strong>Mas essa não é uma posição muito conservadora pra um cara que passa boa parte do tempo vendo mulher pelada na praia?</strong><br />
Olha aqui, eu sempre fui conservador. Nem tanto pela mulher pelada, mas pela mulher tentadoramente despida. Em Ipanema elas sabem como fazer.</p>
<p><strong>Você acompanha a produção de humor que acontece hoje na internet, por exemplo?</strong><br />
Não, não acompanho nada. Se estiver na minha frente, eu vejo, mas não acompanho. Agora mesmo eu estava lendo um livro que tem um ensaio sensacional sobre o humor, que eu pensava que era do Ortega y Gasset, mas era do Ramon Gomes de Lacerda. Então eu leio assim, ocasionalmente, entendeu? De repente, pego um livro que tá aí há 20 anos e leio. Agora, na internet não tem tanta coisa boa quanto a gente pensava que teria. Na verdade, eu acho que é a mesma proporção de antigamente. Do que chegava até você, só 10% tinha possibilidade de ser publicado. Hoje, todo mundo que tem talento ou alguma pretensão tem acesso a algum outro meio de divulgação além do blog. E, paradoxalmente, você pode até achar que o cara que tá fazendo um blog medíocre vai ter mais público do que outro que seja melhor. Existe o Paulo Coelho também na internet. <em>[Risos.]</em></p>
<p><strong>Você não acha que no Brasil o cartum perdeu muito espaço para a charge?</strong><br />
Perdeu&#8230; aí sim. Pois é mais fácil para o sujeito que não tem experiência, ou que não tem humor mais afinado, cair em cima do acontecimento. E a charge sobre política passa a ser o máximo e você terá sempre seus adeptos. É mais ou menos como quando você fala do Flamengo. Sempre haverá quem goste do Flamengo. Ainda que você não seja lá muito criativo, sempre haverá gente em torno de você. Outro dia, fiz um desenhozinho na <em>Veja </em>– o que procuro variar, entende? – e, curiosamente, achei que ninguém iria entender. Mas recebi quatro ou cinco e-mails, o que é muito. Era um negócio assim: “Eu escrevi um livro, plantei uma árvore e criei um filho. Hoje, meu filho, embaixo da árvore, queima o livro” <em>[risos]</em>.</p>
<p><strong>Você uma vez disse que era mais um humorista de texto do que de traço. Continua achando isso?</strong><br />
Eu disse isso? Eu não sei não. Mesmo porque eu chamo o humorismo de quintessência da seriedade. Mas não é só pra fazer uma frase, não. No momento em que você raciocina sobre tudo, você consegue resumir aquela coisa toda que os caras pomposamente disseram. Então você é humorista porque você modificou aquilo, resumiu aquilo, destruiu aquilo. E você, no ato de modificar, também sabe que a sua opinião não é definitiva. Você tem sempre essa ressalva de autocrítica, você entende? Isso é humor. Porque um cara que é doutor, que escreve no jornal e põe embaixo “filósofo”, esse é um idiota que eu não quero nem cumprimentar. Como é que o cara põe embaixo “filósofo”? Você é filósofo como? Pra mim, humorismo é isso. Eu começo a rabiscar, dali a pouco naturalmente me vem uma legenda que eu ponho naquele desenho. Agora, eu não sei escrever como doutor. Você está sempre disfarçando o ato de ser um doutor, pois não quer que ninguém perceba <em>[risos]</em>.</p>
<p><strong>As pessoas estão mais interessadas em humor, Millôr? De uns tempos pra cá, relançaram o </strong><strong><em>Pif Paf</em></strong><strong>, a antologia d’</strong><strong><em>O Pasquim</em></strong><strong>, o </strong><strong><em>Gip! Gip! Nheco! Nheco!</em></strong><strong>, do Ivan Lessa, seus livros estão sendo todos reeditados. O que é que está acontecendo? Será que o público está carente de novas publicações de humor?</strong><br />
Não, não&#8230; O humor sempre terá uma excelente aceitação. Desde a Grécia é assim, você tinha a tragédia e tinha o humor, né? Agora, o que acontece é o seguinte, a Marta Batalha <em>[dona da Desiderata, atual editora da antologia d’ </em>O Pasquim <em>e dos livros do Millôr] </em>conseguiu impor ao mercado as publicações dela. O Jaguar e o Sérgio Augusto fizeram um bom trabalho de edição <em>[na antologia d’ </em>O Pasquim<em>] </em>e teve um grande sucesso. E aí ela me procurou para editar os meus livros. Na verdade, com o instinto dela, ela teve a noção de que o mercado quer isso, mas, na verdade, quem está impondo é ela. <em>O Pasquim </em>seria imposto como humor ou como fama? <em>O Pasquim </em>é um nome&#8230; e sempre será. Agora, no século 15 e 16, quem são os maiores escritores da época? Shakespeare. Cheio de trocadilhos&#8230; porque se acabar o trocadilho, acaba Shakespeare. E quem é o outro? Cervantes. Na Inglaterra ainda tem o Doutor Johnson, que era engraçado. E <em>As Viagens de Tristran Shandy</em>, do Laurence Sterne, que o Machado de Assis copiava bastante. Quem é, talvez, o maior escritor da França do século 18? Molière. Tinha outros, como Racine. Mas o maior era Molière. Agora, <em>O Pasquim </em>funcionava porque, embora não se levasse a sério, ninguém ali queria ser engraçadinho. Queria ser iconoclasta. Por exemplo, a Benedita da Silva se lança candidata ao governo como “mulher, preta e favelada”. A gente diria assim: “Três bons motivos pra não votar nela” <em>[gargalhadas]</em>. Eles vêm com a demagogia e você vai em cima, né? Esse negócio de preto, por exemplo. Se criou com uma mística do preto que é um negócio terrível. Agora eu tenho de chamar o meu amigo Antônio Pitanga de afro-ipanemense. O slogan “black is beautiful” é um belo slogan, mas você não pode chamar ninguém de “black”. Agora, a cor mais bonita do Brasil é a da Camila Pitanga.</p>
<p><strong>Além dela, quem mais entra na sua lista de “certinhas”?</strong><br />
Não entro nessa de “certinhas”. O corpo é apenas um estágio para o espírito. Estou interessado é em comer a alma da mulher. Só o idiota pensa que o sexo é um ato físico.</p>
<p><strong>Você sente falta de um novo jornal como </strong><strong><em>O Pasquim</em></strong><strong>?</strong><br />
Vou fazer uma frase, mas que não é só uma frase, não: “Você não pode prever o imprevisível”. Porque o PT, essa coisa&#8230; essa escrotidão que é o PT por dentro&#8230; Achava que a vontade deles era combater a burguesia, mas a vontade era de ter uma fazenda, de ter um dinheirinho&#8230; Você pega, por exemplo, aquela favela ali. <em>[Aponta para a janela de onde se vê um pedaço da Rocinha.] </em>Assim que começa a favela, já tem um explorador ali. Agora, o que vai surgir dali, você não sabe. Não tem jeito de erradicar, apenas civilizar, urbanizar. A Rocinha, eu tô convencido, vai ser uma das mais bonitas cidades do mundo em 50 anos. Cidade é assim. Cidade tem beco sem saída, tem escada que não dá em nada&#8230;</p>
<p><strong>A não ser que seja projetada pelo Niemeyer, né?</strong><br />
Não, aí não. Aí não tem beco nenhum. Você não pode projetar um beco sem saída <em>[risos]</em>. E nem serventia. Você sabe o que é serventia?</p>
<p><strong>Não. O que é serventia?</strong><br />
Serventia é o seguinte: você vende um terreno e depois um outro atrás do primeiro, que não tem entrada. Então o da frente deixa ali meio metro de passagem, que é a serventia. E às vezes, a serventia é uma escada, toda adornada com pedaços de azulejos. Agora, de repente, tem um lugar que não dá pra fazer nada. Então eles cimentam e colocam um banco pra você se sentar. Fica uma escada de três degraus e um banco. Você não pode fazer isso num plano de arquiteto.</p>
<p><strong>Arquitetura produz corrupção? Os prédios de Brasília, feitos para abrigar burocratas, não acabam influenciando mal os políticos?</strong><br />
Claro, a corrupção endêmica começou ali. Não se faz uma cidade no meio do deserto em menos de cinco anos com as mãos, os pés e o corpo limpos. Agora, a corrupção é mais natural no ser humano do que a integridade.</p>
<p><strong>Você estava falando um pouco da sua rotina de trabalho. Eu queria entrar um pouco mais na carpintaria. Você planeja sua página na </strong><strong><em>Veja </em></strong><strong>com antecedência? Como é o seu processo de criação?</strong><br />
<em>[Rindo.] </em>Eu não posso nem te dizer por que não há. Quando eu digo “livre como um táxi”, é isso mesmo. Não dá pra parar e dizer: “Agora vou escrever isso”. Eu tenho mil coisas rabiscadas. Às vezes, começo a remexer nisso. Outras vezes, você já sabe de antemão qual vai ser o assunto da semana. Agora, o que eu faço muito, sempre fiz, é me cansar antes do leitor. Por exemplo, eu fiz mais hai-kais do que o Bashô <em>[poeta japonês considerado o pai do hai-kai]</em>. Depois achei que estava enchendo. É como as fábulas&#8230; também parei. São 52 semanas por ano, então é a continuidade do trabalho que dá qualidade a ele. Se eu faço uma página com muito texto, a próxima vai ter um desenho só. Eu quero surpreender. As pessoas pensam que eu vou arregar, mas não tem arrego, não <em>[risos]</em>.</p>
<p><strong>Você nunca fez histórias em quadrinhos. Eu me lembro apenas de uma parceria sua com o Carlos Estevão, mas nada mais. Por quê?</strong><br />
Não aconteceu. É ocasionalidade. Eu não sou homossexual não sei por quê. Porque não aconteceu <em>[gargalhadas]</em>. Não publica isso senão muita gente vai dizer: “É&#8230; confessou!” <em>[risos]</em>. Essa história com o Carlos Estevão eu disse pro <em>Diário da Noite </em>e depois o Fortuna publicou na revista <em>O Bicho</em>. O Fortuna, aliás, tinha um desenho e um texto extraordinários. Agora, não podia publicar em revista semanal&#8230; Levava 15 dias para escrever dez linhas. Quando acabava, era perfeito, mas levava 15 dias. Mas uma outra história em quadrinhos que eu gosto muito é uma que fiz n’<em>O Pasquim</em>, chamada “O Último Baião em Caruaru”, imitando o <em>Último Tango em Paris</em>. É uma maluquice. O cara fala o texto em italiano e tem legenda em inglês exatamente ao contrário. Ninguém jamais entendeu aquilo, mas eu gosto muito.</p>
<p><strong>O seu amigo Ivan Lessa fala que brasileiro tem fôlego curto, que nosso negócio é crônica, conto, mas não o épico, o romance. Você concorda com ele?</strong><br />
Eu sou contra a generalização. Quem é esse brasileiro? É como dizer: “A mulher brasileira é a mais bonita do mundo”. É nada. Tem mulher de todo tipo aqui. Tem meia dúzia muito bonita em Ipanema, mas não dá pra generalizar. Hoje eu estava vendo uma partida de vôlei feminino com um time do Azerbaijão. Todas loiras, altas, com a roupinha apertando na bundinha, todas penteadinhas&#8230; lindas. As mulheres russas são belíssimas, não é? Tá cinco graus abaixo de zero e elas usam minissaia. Então, não dá pra generalizar. E o Euclides da Cunha? E o João Ubaldo? E a minha amiga, Ana Maria Gonçalves, que acabou de escrever <em>Um Defeito de Cor</em>? Um livro sensacional. Em suma, eu não concordo com o Ivan. Eu não concordo, em geral, com a generalização.</p>
<p><strong>Tem uma expressão que diz que o humor é tragédia + tempo. Quanto tempo leva pra uma tragédia virar comédia? Por exemplo, quanto tempo precisa para que o 11 de Setembro vire uma piada?</strong><br />
O 11 de Setembro? Não, não vira, não. O tempo suaviza, vira me mória, mas piada não vira, não. No mundo árabe, talvez vire piada.</p>
<p><strong>Então alguns temas serão sempre tabus pro humor?</strong><br />
São! Em princípio são tabus. Mas isso também não impede que você tenha a contestação desses temas, que pode levar ao humor. Você pega o Holocausto, por exemplo. Outro dia, vi um negócio absolutamente absurdo: um historiador na Áustria escreveu um artigo criticando o uso que os judeus fazem do Holocausto. E lá tem uma lei constitucional que condena o sujeito a dez anos por criticar os judeus vítimas do Holocausto. Olha a monstruosidade&#8230; Agora, não foram só os judeus que foram perseguidos, né? Os ciganos foram perseguidos, os gays foram perseguidos&#8230; A União Soviética liquidou polacos por serem polacos, alemães por serem alemães. E a Armênia? Ninguém nunca falou. Agora, a Turquia, para entrar na Comunidade Européia, vai ter que confessar o genocídio. Em 1930, eles mataram 1,5 milhão de armênios numa população de 3 milhões.</p>
<p><strong>Então existem temas que você não entra&#8230;</strong><br />
Existem! Deve haver algum tabu em mim mesmo que eu nem saiba. Evidentemente, eu não me sinto bem fazendo piada anti-judaica, você entende? Como também não vou fazer piada anti-negro. A gente pode fazer uma gozação periférica. Agora é difícil dizer até onde é piada e até onde não é.</p>
<p><strong>Pois é, qual é o limite?</strong><br />
Não tem, não tem limite. Se você pegar qualquer coisa que eu tenha escrito há muito tempo e fragmentá-la, você poderá me ver como um canalha ou o maior herói de todos os tempos. A audácia que tive fazendo isso ou aquilo&#8230; Você vai vivendo e fazendo. Olha aqui, está vendo aquela placa de madeira ali em cima? <em>[Millôr aponta um diploma em inglês que o certifica como consultor da IBM.] </em>Eu sou o maior vigarista do mundo, pois sou conselheiro da IBM para o negócio de publicações. Eu fui uma vez lá em Miami, uma sala cheia de japoneses, e eles estavam fazendo um laptop e queriam conselhos sobre como fazer. E também sou vice-campeão mundial da pesca de atum. Isso você sabe, né?</p>
<p><strong>Não, essa eu não sabia&#8230;</strong><br />
Pois é. E onde foi? Não foi na esquina, não. Foi no maior pesqueiro do mundo, na Nova Escócia, Canadá. Três dias de pesca das quatro da manhã até o sol cair, com 32 países competindo. E eu sou vice-campeão. Agora, nunca vi um peixe, não. Porque o atum chega a 400 quilos. É um boi. E, neste ano, só apareceu um único peixe de 40 quilos. Uma sardinha em matéria de atum. Então, de brincadeira, fizeram plaquinhas de latão e deram para todos os competidores. Ou seja, vigarice é comigo. Agora, o frescobol não é vigarice, não. Nós começamos a jogar na praia de Copacabana e aí foi pegando. O frescobol é melhor até do que o lema do barão de Coupertin, que diz que o importante não é vencer, é competir. No frescobol, o importante nem é competir. Não conta ponto.</p>
<p><strong>Nos anos 70 você escreveu que tinha batido o recorde de cinco mil mulheres. Como esta é uma entrevista para a PLAYBOY, não posso deixar de perguntar: a conta melhorou de lá pra cá?</strong><br />
Não, isso não! Está deturpado. Mil mulheres só se eu fosse o Daniel Filho <em>[diretor de TV]</em>. Eu disse cinco “mil” gols, porque o Pelé estava completando mil gols. Não são necessariamente mil partidas, entende? Dos 18 aos 38 anos, dar mil não custa nada. Três por semana não é nada demais. Mas o importante é a assiduidade, né?</p>
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		<contentType>entrevistas</contentType>
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		<title>Piadas de Playboy em janeiro/2011</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Jan 2011 17:31:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin_playboy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Piadas]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[piada]]></category>

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		<description><![CDATA[Mande suas piadas para o e-mail playboy.atleitor@abril.com.br]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-18221 alignright" title="piadas" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2011/02/piadas.jpg" alt="" width="315" height="420" /></p>
<p><strong>O DIRETOR</strong> de uma grande multinacional olha para os 700 currículos sobre sua mesa e diz à secretária:<br />
– Pegue os 30 que estão no topo da pilha e chame-os para ser entrevistados. Jogue os restantes na máquina fragmentadora. A secretária fica espantada:<br />
– O senhor está louco? São 670 pessoas! Talvez os melhores estejam lá!<br />
– Eu não preciso de gente sem sorte ao meu lado.<br />
<em>Osni Tomé da Silva<br />
Porecatu, PR</em></p>
<p><strong>DEPOIS </strong>de ficar muito tempo viajando, Paulão, um caminhoneiro, chega em casa, vai correndo para o quarto, agarra a esposa e transa com ela três vezes. Quando vai à cozinha para beber água, ele dá de cara com a esposa tomando café. Pergunta intrigado:<br />
– Amor, você não estava no quarto nesse momento?<br />
– Não, aquela é a mamãe, que veio me fazer companhia enquanto você viajava.<br />
– Pelo amor de Deus! Você nem imagina o que aconteceu&#8230; Cheguei morrendo de saudade sua, corri para o quarto, estava escuro&#8230; Pensei que fosse você e transei três vezes com a sua mãe! Indignada, a esposa vai correndo falar com a mãe.<br />
– Mãe! É verdade que o Paulão transou três vezes com você pensando que fosse eu?<br />
– É.<br />
– E a senhora não disse nada?<br />
– Você sabe muito bem que eu não falo com esse canalha!<br />
<em>Luiz H. Rivarolla<br />
</em><em>Ribeirão Preto, SP</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>MANOEL </strong>vai acampar com os amigos. À noite, sai da barraca para urinar e vê um bando de índios se aproximando. Volta correndo e diz para os amigos:<br />
– Tem um monte de índios vindo pra cá! Eles vão nos atacar! E o outro:<br />
– Calma, Manoel. Precisa ver se eles são amigos.<br />
– Claro que são, ó pá! Eles estão todos juntos!<br />
<em>Alfredo Rondinelli<br />
</em><em>Ubatuba, SP</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>A FILHA</strong> faz 18 anos, e o pai está todo feliz por emitir o último cheque da pensão que paga à ex-mulher há 17 anos e 11 meses. Ele pede para a filha levar o cheque e retornar rapidinho para contar como ficou a cara da mãe ao saber que é o último cheque dele que verá. A filha entrega o cheque à mãe, ouve o que ela diz e volta para a casa do pai para dar a tão esperada resposta.<br />
– Diga, filha, qual foi a reação da babaca da sua mãe?<br />
– Ela mandou dizer que você não é o meu pai!<br />
<em>Maurício Cavden<br />
</em><em>São Paulo, SP</em></p>
<p><strong>DOIS AMIGOS</strong> se encontram depois de muitos anos:<br />
– Casei, separei e já fizemos a partilha dos bens.<br />
– E as crianças?<br />
– O juiz decidiu que ficariam com aquele que recebeu mais bens.<br />
– Então ficaram com a mãe?<br />
– Não, ficaram com o nosso advogado.<br />
<em>Arnaldo Batista<br />
</em><em>Vitória, ES</em></p>
<p><strong>NA ENTREVISTA</strong> de emprego, o recrutador pergunta:<br />
– Por acaso o senhor tem alguma carta de recomendação da empresa onde trabalhava?<br />
– Claro que tenho!<br />
– E qual é a recomendação?<br />
– Recomendaram que eu procurasse outra empresa.<br />
<em>Thales dos Anjos<br />
</em><em>Pirituba, SP</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>A LOIRA</strong> não conseguia passar em nenhum teste de emprego e resolveu tomar uma atitude extrema para ganhar dinheiro:<br />
– Vou sequestrar uma criança – pensou.<br />
– Com o dinheiro do resgate eu resolvo a minha vida! Ela se encaminhou para um playground em um bairro de luxo. Viu um menino muito bem vestido, puxou-o para trás da moita e foi logo escrevendo o bilhete: “Querida mãe, isto é um sequestro. Estou com o seu filho. Favor deixar o resgate de 10 000 reais amanhã, ao meio-dia, atrás da árvore do parquinho. Ass.: Loira sequestradora”. Ela pegou o bilhete, dobrou e colocou no bolso da jaqueta do menino dizendo:<br />
– Agora vai, corre e entrega este bilhete para a sua mãe. No dia seguinte, a loira vai até o local combinado e encontra uma bolsa! Ela abre, e lá estão os 10 000 reais em dinheiro limpinho e um bilhete junto dizendo: “Este é o resgate que você me pediu. Mas não me conformo como uma loira pode fazer isso com outra!”<br />
<em>Humberto Silva<br />
</em><em>Recife, PE</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>DUAS AMIGAS</strong> conversam no bar:<br />
– Nem te conto, menina… Saí ontem com um intelectual!<br />
– É mesmo? Me diz, como é que foi?<br />
– Ah, com intelectual é tudo diferente. Já começa que intelectual não tem pau.<br />
– Não?<br />
– Não, intelectual tem pênis.<br />
– É? E como é que é?<br />
– É igualzinho a pau, só que é mole.<br />
<em>Robério Maroji<br />
</em><em>Santa Maria, RS</em></p>
<p><strong>O DELEGADO</strong> conversa com sua principal suspeita:<br />
– Quer dizer, então, que a senhora matou seu marido por acidente?<br />
– Sim.<br />
– Todos os seis tiros?<br />
<em>Gustavo Barros<br />
</em><em>Itajaí, SC</em></p>
<p><strong>O CASAL</strong> era feliz e vivia tranquilo até o dia em que a esposa começou a chegar tarde da noite em casa. Desconfiado, o marido foi mexer nas coisas da mulher e encontrou um colar de diamantes. Decidiu então conversar com ela:<br />
– Você pode me dizer o que significa isso?<br />
– Amor, esse colar eu ganhei no bingo! Ele não se convenceu, mas, como não queria encrenca, resolveu engolir a desculpa. Como a esposa continuava chegando tarde em casa, o homem voltou a revistar suas coisas.E encontrou um anel de esmeraldas caríssimo. Foi novamente questionar a mulher, que respondeu:<br />
– Mais um prêmio do bingo, querido! Acho que estou em uma maré de sorte! O marido ficou indignado, mas não discutiu com a mulher. Cada dia ela chegava mais e mais tarde e com joias mais e mais caras. Um dia, justamente na hora em que a esposa estava tomando banho para ir ao bingo, acabou a água. Ainda no chuveiro, ela gritou:<br />
– Meu bem, traz água para eu acabar o meu banho! Sem demora, o marido entrou no banheiro com um copo de água e lhe entregou.<br />
– Mas como eu vou tomar banho só com um copinho de água? E ele respondeu:<br />
– Simples, querida. Lava só a cartela!<br />
<em>Aristides Gomes<br />
</em><em>Belém, PA</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>DOIS AMIGOS</strong> estão conversando:<a rel="attachment wp-att-18227" href="http://playboy.abril.com.br/entretenimento/piadas/piadas-de-playboy-em-janeiro2011/piadas-2-4/"><img class="size-full wp-image-18227 alignright" title="piadas-2" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2011/02/piadas-2.jpg" alt="" width="270" height="360" /></a><br />
– Sabe, minha mulher é o que eu posso chamar de um anjo.<br />
– Você tem sorte. A minha mulher continua viva.<br />
<em>Sérgio Pinheiro<br />
</em><em>Vila Velha, ES</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>O PSIQUIATRA</strong> diz a seu paciente:<br />
– Pelo que analisei até agora, creio que você sofre de baixa autoestima.<br />
– Que é isso, doutor?!? Quem sou eu para ter uma doença legal dessas?<br />
<em>Alfredo Vinícius<br />
</em><em>Bauru, SP</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>APÓS UMA NOITE</strong> de amor, a mulher acende um cigarro e pergunta a seu parceiro:<br />
– Do que você mais gosta em mim? Do meu rosto angelical ou do meu corpo magnífico?<br />
– Do seu senso de humor!<br />
<em>Jader Santos<br />
</em><em>Rio de Janeiro, RJ</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>O CASAL</strong> vai a um psicólogo após dez anos junto. Logo que eles chegam, o terapeuta, que é jovem, bonitão e malhado, pergunta qual é o motivo da consulta. A mulher se adianta:<br />
– Pouca atenção, falta de intimidade, vazio, solidão. Não me sinto amada nem desejada. O psicólogo se levanta, pede que ela se levante, e os dois se abraçam, se esfregam e se beijam com paixão enquanto o marido os observa impressionado. O terapeuta vira para o marido e diz:<br />
– Isso é o que sua mulher precisa pelo menos duas vezes por semana. Você consegue? Ele pensa um pouco e responde:<br />
– Bem, eu só posso trazê–la de segunda e quarta porque às sextas tenho futebol!<br />
<em>Marcello Holland<br />
</em><em>São Paulo, SP</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>PRIMEIRA NOITE</strong> dos recém-casados. Na cama, a moça diz ao rapaz:<br />
– Sabe, amor, eu não disse a você, mas eu não sei fazer nada de nada!<br />
– Não se preocupe, minha linda! Você tira a roupa, deita sobre a cama e deixa que eu faço o resto! Com ar superior, ela responde:<br />
– Não, amor! Trepar, eu trepo bem pra cacete. O que eu não sei é lavar, passar, cozinhar, arrumar casa&#8230;<br />
<em>Sergio Lima<br />
</em><em>Belo Horizonte, MG</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>DUAS VOVÓS</strong> estão jogando sua canastra semanal. Uma olha para a outra e diz:<br />
– Por favor, não me leve a mal&#8230; Nós somos amigas há tanto tempo, e agora eu não consigo me lembrar do seu nome. Qual é o seu nome, querida? A outra olha fixamente para a amiga por uns 2 minutos, coça a testa e diz:<br />
– E você precisa dessa informação para quando?<br />
<em>Luiz Henrique Ricardo<br />
</em><em>São Paulo, SP</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>DOIS CANIBAIS</strong> estão andando na rua quando passa por eles uma moça sem um braço. Então, um se vira para o outro e diz:<br />
– Você viu essa moça que passou?<br />
– O que é que tem ela?<br />
– Estou comendo!<br />
<em>Joana Paula<br />
</em><em>São José dos Campos, SP</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>NO MEIO</strong> de uma visita de rotina, o presidente da empresa chega ao setor de produção e pergunta ao encarregado:<br />
– Quantos empregados trabalham aqui? Depois de pensar e fazer uns cálculos, ele responde:<br />
– Mais ou menos a metade.<br />
<em>Damião Motta<br />
</em><em>Poços de Caldas, MG</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>DURANTE </strong>o jantar, a patricinha anuncia para toda a família:<br />
– Mamãe! Papai! Estou grávida!<br />
– Como? – pergunta o pai embasbacado.<br />
– Estou grávida! – repete a menina.<br />
– E quem é o pai?– pergunta a mãe atônita.<br />
– Sei lá! Vocês nunca me deixaram namorar firme com ninguém&#8230;<br />
<em>Tadeu C. Heinz<br />
</em><em>Balneário Camboriú, SC</em></p>
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		<title>O drama do humor</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Jan 2011 17:05:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin_playboy</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Estado da Nação]]></category>
		<category><![CDATA[drama]]></category>
		<category><![CDATA[Edson Aran]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>

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		<description><![CDATA[O Estado da Nação]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18141" title="O-estado-da-nação" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2011/02/O-estado-da-nação.jpg" alt="" width="315" height="420" /></p>
<p>O humor é o mais inútil dos atributos humanos. Humoristas são tipos marrentos que se veem como espíritos desafiadores e ungidos para apontar os males da sociedade e da nação. Coitados. Os cretinos se esquecem de que todo bobo da corte trabalha para um rei. E você pode até ser o rei de si mesmo, mas nunca o bobo de si mesmo. Isso é muito, muito besta.</p>
<p>Humor precisa de plateia. De preferência uma plateia mais inteligente do que o humorista. Só assim alguém será capaz de enxergar grandiosidade onde só há banalidade.</p>
<p><img class="size-full wp-image-18147 alignright" title="o-estado-da-nação-2" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2011/01/o-estado-da-nação-2.jpg" alt="" width="260" height="168" /></p>
<p>A musa do humor se chama Talia. Para invocar essa grande filha de Júpiter não é preciso prática nem tampouco habilidade. O poeta romano Obtusus Crassus (<em>Invocando Musas para Diversão e Lucro</em>, tomo X</p>
<p>XIV, página LVIZ) diz que basta colocar uma casca de banana no chão e caminhar despreocupadamente até arrebentar a fuça. Quanto maior o tombo, maiores as benesses da musa.</p>
<p>Mas, lembre-se: a tragédia paga melhor e dá muito mais prestígio. Veja o Édipo. O cara resolve charadas e dá um créu na própria mãe! Ora, isso é quase um português de anedota. Convertido em tragédia, no entanto, vira clássico do teatro grego e enche o bolso do autor de bufunfa. Só em venda de <em>action figures</em>, o Sófocles fatura horrores. Sem falar na adaptação para quadrinhos, cinema e videogame.</p>
<p>George Bernard Shaw dizia que todo grande texto precisa ter humor. Mentira. Se mostrar os dentes fosse sinal de inteligência, os babuínos já teriam dominado o planeta. Há quem diga que isso está prestes a acontecer.</p>
<p>Bom mesmo é ser autor russo do século 19 – com mulher se jogando debaixo do trem, conde Vlonsky, exércitos napoleônicos para lá e para cá, essas coisas. Aguardem para breve longa narrativa sobre a negação da felicidade em um mundo sem Deus nem razão. Afinal, respeito é bom e eu gosto. Também quero meu Jabuti.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-18140" href="http://playboy.abril.com.br/entretenimento/o-estado-da-nacao/o-drama-do-humor/o-estado-da-nacao-3/"><img class="aligncenter size-full wp-image-18140" title="o-estado-da-nação-3" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2011/02/o-estado-da-nação-3.jpg" alt="" width="620" height="236" /></a></p>
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		<contentType>noticias</contentType>
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		<title>Resoluções para 2011</title>
		<link>http://playboy.abril.com.br/entretenimento/sobre-isso-e-aquilo/resolucoes-para-2011/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 Jan 2011 16:58:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin_playboy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sobre Isso E Aquilo]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Ivan Lessa]]></category>

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		<description><![CDATA[Sobre Isso ou Aquilo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-18134" href="http://playboy.abril.com.br/entretenimento/sobre-isso-e-aquilo/resolucoes-para-2011/resolucoes-para-2011/"><img class="aligncenter size-full wp-image-18134" title="resoluções-para-2011" src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2011/02/resoluções-para-2011.jpg" alt="" width="315" height="420" /></a></p>
<p>Alguém em algum lugar – um brasileiro de volta do exílio, talvez? – andou tomando decisões mal à beça. Não dou o nome por uma questão de respeito ao anonimato, já que essa omissão faz parte das minhas resoluções para o ano que ora adentra o gramado sob o comando, a batuta e o apito da Ilustríssima Senhora Dona Presidente e, bobeando, Presidenta também Dilma Rousseff.</p>
<p>A missiva em letras muito redondas e parrudinhas, como se tivessem passado um bom tempo fazendo musculação, esteira, essas modalidades hedonistas as quais, juntamente com o churrasco, a batidinha e a informática, somos bambambãs, termo que prometi nunca mais usar em minhas resoluções para 1976. Assim é a vida, assim caminha, se não a humanidade, ao menos capenga e manquitola, eu. Ao moço, pois assim o creio, em questão e sua listagem.</p>
<p>•</p>
<p>• Prometo que em 2011 não pedirei mais de sacanagem no armazém da esquina “250 gramas de manteiga pré-sal” só para buleversar o português dono do estabelecimento. “Buleversar” era verbo que em minha estada em Paris (2001-2009) cunhei como resolução para 2006.</p>
<p>• Continuarei tentando de todos os modos possíveis comer a Ava Gardner. Acho que já estamos os dois suficientemente maduros para seguir em frente nas caprichosas artes de Cupido, esse moleque teimoso.</p>
<p>• Adotarei a propalada moda do celular. A radiação e o câncer cerebral que se danem. Tiro de letra, de texto e de torpedo. O importante é estar em moda com tudo e todos.</p>
<p>• Entrarei para o tal do Facebook, que muitos, depois de destruírem uns birinaites comigo, já disseram muito seriões: “Sabe que é a tua cara?”</p>
<p>• Twitter também é exagero. Caráter é algo por que sempre tive de lutar. Não quero de um ano para o outro limitar minhas observações, sejam quais forem, a 140 caracteres – 1 080, alta definição e três dimensões <em>ni minimis,</em> <em>ni minimis</em>. Não faço por menos. Levei 32 anos para dominar nossa língua, a mais bela do mundo, e não há de ser um estrangeirismo metido a besta que vai me impedir de expor, com todos os F e os R, o que eu acho das coisas da vida, da vida das coisas e de malandro querendo me calar a boca. Tentaram entre 1954 e 1985. Eu também fui preso e torturado, e rábula nenhum me ajudou a levantar uma nota pesada como indenização.</p>
<p>• Se me oferecerem (sim, é com você mesmo que estou falando, Genivaldo!) uma boquinha, senadoria, deputância ou vereância, uma assessoria que seja, topo de estalo e estamos conversados, tão sabendo?</p>
<p>• Amarei a Deus sobre todas as coisas. Isso não me impede, no entanto, de continuar recusando o convite do padre Carlinhos para ir com ele até seu quarto para juntos folhearmos umas revistas dinamarquesas (“originalíssimas”, como ele as chama) que ele guarda dentro de uns velhos catecismos trancados em um baú. É duro, mas continuarei resistindo.</p>
<p>• Em 2011 não deverei invadir nem a Polônia nem a Tchecoslováquia. Nada prometo em relação à Bélgica. Vamos ver como os belgas se comportam depois que de lá me expulsaram em 2002.</p>
<p>• A conversão para o islamismo é uma questão de muito debate. Continuo aberto a discussões como sempre.</p>
<p>• As camisinhas eu as continuarei usando. Para encher de água e jogar do terceiro andar da sede da representação da ONU em países obscuros (ou pelo menos moreninhos de bom cabelo) do chamado Continente Negro. Cada um se diverte como pode, e eu também sou filho de Deus e do caboclo Papacu, meu guia e mestre.</p>
<p>• Mesmo que me convidem não abrilhantarei a todos ofuscando com a safira azul de minha presença as bodas do príncipe inglês com a “plebéia” Kate Middleton.</p>
<p>• “Plebéia” com acento mesmo. Re- forma ortográfica brasileira é o “cacête”. Eike Batista concorda comigo, e isso é o que importará no ano entrante e botante, botante e entrante – e assim por diante até aquela horinha de a gente pedir: “Para, para agora um pouquinho, por favor!” O que com todo o respeito não é válido para o senhor, padre Carlinhos.</p>
<p>• Eike Batista. Esse teuto-brazuca será meu em 2011. Ou eu dele. Uma coisa assim. Sou um homem que aprendeu a ter paciência. Estando vivo, deixo até para 2012. Mas eu quero as regalias juntamente com as mordomias.</p>
<p>Eike Batista. Corte <em>brazilian </em>lá embaixo, piercing nos lugares mais inesperados, mais originais. Onde até mesmo a onça bebe água que passarinho etc.</p>
<p>•</p>
<p>“Viver é perigoso”, como escreveu Hemingway 30 anos antes de Guimarães Rosa no conto <em>Os Assassinos</em>. Afasto-me de meus saudáveis propósitos resolucionais, e mais uma vez eis minha cabeça a rodar e rodar enquanto ouço em câmera de eco, como em um filme noir, o nome: “Eike Batista, Eike Batista, Eike Batista&#8230;” Ocasionalmente sai um “Baptista”, assim mesmo, com P, e pronunciado além de ortograficamente reformado.</p>
<p>De resto é como no malicioso dito popular, “afobado come cru”, não é mesmo, minha adorada Ava? Comerei eu tão pacientemente necrófilo? Pretendo levar um dia de cada vez improvisando minhas resoluções de segunda a domingo, como o fazia o magnífico Pelé.</p>
<p>•</p>
<p>As anotações teminam em uma nota a que poderíamos chamar – e por que não chamar logo? – de resolutamente obscura. Diz lá ele, o resolucionável em questão: “O resto a gente improvisa”.</p>
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		<title>Rafael Cortez</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Oct 2008 19:10:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin_playboy</dc:creator>
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		<category><![CDATA[CQC]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Cortez]]></category>
		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[O mais cara-de-pau dos repórteres cara-de-pau do CQC, da Band, conta como invadiu o Festival de Cinema de Veneza, diz que já mudou uma pergunta com medo de apanhar, confessa que gravou um programa bêbado e garante: “Meu pau é maior que o do Vesgo”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://playboy.abril.com.br/wp-content/uploads/2010/11/dentro2.jpg" alt="" title="Rafael Cortez" width="450" height="599" class="aligncenter size-full wp-image-5326" /><strong>1- Como você furou o bloqueio e entrou no Festival de Veneza pelo tapete vermelho?</strong><br />
A idéia surgiu ali mesmo. A gente estava fazendo uma piada em que vendia máscaras do George Clooney e do Brad Pitt. E nessa de ficar ali, andando pra cima e pra baixo, de repente eu furei o cerco. Aí peguei o microfone e corri atrás de alguém! Obviamente me viram e eu fui retirado. Aí falei para a produção: “Não vamos queimar cartucho se a gente pode planejar melhor e entrar pra valer”. Então montamos uma estratégia e deu certo.</p>
<p><strong>2- Os seguranças não manjavam?</strong><br />
São muitos! É diferente daqui. Se você vai a um evento em que está o <em>[José]</em> Serra, por exemplo, é o mesmo cara que você vai encontrar até o final. Em Veneza, alguns já me manjavam, mas eles se descuidavam na hora da troca e era aí que eu entrava.</p>
<p><strong>3- Como os policiais te trataram?</strong><br />
Assim que eu pisei no tapete vermelho, os caras ficaram putos. Mas putos de uma maneira européia. Pediram meus documentos, mas eu não queria entregar porque achei que iriam cancelar minha credencial e me deportar. Até que chegou um delegado que falava inglês. Ele foi com a minha cara porque tinha alguém na família dele que se chamava “Rafaello” <em>[risos]</em>. Ele me levou até a delegacia, e eu pensava: “Se vou ser preso, deixa eu ficar amigo desse cara, ver se ele me bate com menos força&#8230;” <em>[risos]</em>.</p>
<p><strong>4- E bateu?</strong><br />
Não, não. Ele falou que o problema era que eu estava sem documento. “Você vai ter que ficar comigo até a gente achar um documento seu. E eu não estou com pressa&#8230;” Aí eu tateei os bolsos e falei: “Achei!” Ele me deu uma canseira, mas no fim me soltou. Saí agradecendo, até que chegou um outro policial: “Você não fala italiano, né? Mas vou te falar mesmo assim. Se fosse eu, e não aquele outro lá, você tomava dois tapas na cara e ia preso. Capisce?” E eu falei: “Capisce, signore”. Misteriosamente, entendi tudo o que ele falou.</p>
<p><strong>5- Você chegou bem perto do Brad Pitt. Ele é cheiroso?</strong><br />
<em>[Risos] </em>Cheiroso? O Brad Pitt teve acne, cara. Sério. Já tinham me falado isso. Quando eu tava do lado dele, ainda tive tempo de dar uma olhada na pele dele e confirmar. A gente precisa zoar, humanizar esses caras.</p>
<p><strong>6- Então esses galãs do cinema são feios ao vivo?</strong><br />
É uma boiolagem falar que os caras são lindos, mas achei o George Clooney um cinqüentão que eu quero ser um dia. Tem um charme meio cafajeste. Ele deu uma ótima resposta. “Como eu faço pra ficar igual a você?” E ele: “Você tem que beber muito”.</p>
<p><strong>7- Que presentinhos você tentou entregar para eles?</strong><br />
Bonés, camisetas, óculos, bichos de pelúcia. Levamos uma mala inteira. Tinha até um DVD pornô! Esse eu olhei e falei: “Não, não, cara! Quem trouxe o DVD pornô?! <em>Carnaval do Sexo</em>?!” Esse eu limei. Está comigo&#8230; E é uma bosta! Só tem mulher horrorosa <em>[risos]</em>.</p>
<p><strong>8- Além da Charlize Theron, que você chegou a pedir em casamento, que outra atriz mexeu com você?</strong><br />
Alice Braga. Essa é para namorar. Não é daquelas que você fala: “Gostosa, vou te comer”. Nada disso. Alice é bonita sem fazer força. A Charlize tem uns peitos bonitos, um rosto lindo, mas não tem muita bunda. Já a Alice Braga é foda.</p>
<p><strong>9- Quem é melhor: você ou o Vesgo, do <em>Pânico na TV</em>?</strong><br />
Cara, que pergunta&#8230; É a resposta mais demagoga que você vai ouvir, mas: “Não há melhor, há apenas diferentes”. Acho que o Vesgo é mais bonito do que eu. Isso vai soar muito gay, eu sei. Mas o meu pinto é um pouquinho maior do que o do Vesgo <em>[risos]</em>!</p>
<p><strong>10- O Vesgo já apanhou bastante. E você, já foi ameaçado?</strong><br />
Já. Quando fui falar com o Eurico Miranda <em>[ex-presidente do Vasco da Gama]</em>, eu tinha uma pergunta que era assim: “Ô, Eurico, agora que você não está mais no Vasco, podemos te chamar de ‘Eupobre’ Miranda?” Fui com essa na ponta da língua, mas um cara lá me viu e gritou: “Se zoar, vai levar porrada!” E mudei a pergunta: “Hãã&#8230; Não dá pra colocar o Romário no meu time da faculdade, Eurico?” Eu nem faço faculdade, cacete! Ficou uma merda. É que na hora em que ele falou que eu ia apanhar, vacilei.</p>
<p><strong>11- Tem gente que não considera o <em>CQC</em> jornalístico. Já teve problemas com a imprensa?</strong><br />
Sim, quando tentava entrevistar a Juliana Knust. Uma garota de um site de fofoca falou: “Você pode dar espaço para uma jornalista séria fazer uma pergunta? Depois você faz sua piada”. E eu falei: “Nossa, você é bem séria mesmo, né? Fez jornalismo e está aí, trabalhando com fofoca”.</p>
<p><strong>12- Tem algum entrevistado que sempre se sai bem?</strong><br />
O Paulo Maluf. Cheguei pra ele e perguntei: “Você participou de várias campanhas e ganhou poucas vezes. Mas sempre dá um jeito de ganhar alguma coisa, não é mesmo?” e fiz um gesto com a mão, sugerindo que ele rouba. Ele falou: “Quando você vai trabalhar todo dia, não vai abençoando os túneis que o Maluf fez?” A resposta foi mais lembrada que a pergunta! Não importa o repórter, a pergunta, ele sempre ganha.</p>
<p><strong>13- Você ficou excitado ao falar com a Pamela Butt <em>[atriz pornô que participou do CQC]</em>?</strong><br />
Fiquei. E não foi nem por ela ser gostosa. É que a mulher cheira a sexo, entende? Ela tava ao meu lado, gemendo&#8230; Sou um homem solteiro! Mas não fiquei excitado do tipo incontrolável. Ela fala perto de você, cheira bem. E eu já tinha visto uns vídeos dela, né?</p>
<p><strong>14- Então você tem uma coleçãozinha de filmes pornôs?</strong><br />
Não, não, não! Eu só tenho um DVD pornô, que é esse do Carnaval bagaceiro, que eu vou jogar fora <em>[risos]</em>! Tem a chamada na capa assim: “Proibido antes mesmo de seu lançamento”. Me animei! Mas tem uns caras muito feios, uns “maninho” pegando umas mulheres bagaceiras. E uma trilha de samba que não é samba, é meio que uma rumba <em>[risos]</em>.<br />
<strong><br />
15- E você não gostaria de pegar a Pamela Butt?</strong><br />
Cara, eu fiquei com medo porque ela transa com uns caras que têm muita manha. Pegar uma atriz pornô deve ser muita responsa. Porque de duas, uma: ou ela vai fazer de conta que está gravando ou vai tentar ver o seu diferencial. Aí você tem que suar. E acho que ela transou muito na vida, e isso eu respeito. Não que eu não saiba transar bem! Mas fico intimidado.</p>
<p><strong>16- Depois do <em>CQC</em>, ficou mais fácil pra você pegar mulher?</strong><br />
Sem dúvida nenhuma <em>[risos]</em>! Confesso. E é engraçado, porque na adolescência eu fui um cara tímido. E agora, não é que eu esteja pegando adoidado, mas está mais fácil. Mas quantidade não é sinônimo de qualidade. Tem muito canhão que gosta do <em>CQC</em>, sabia?</p>
<p><strong>17- Na Band, você trabalha ao lado da Daniella Cicarelli e da Renata Fan. Já rolou alguma coisa?</strong><br />
Cara, com a Cicarelli teve uma história. Depois de um programa do <em>CQC</em>, recebi umas sete mensagens de texto dela falando “gostei disso, não gostei daquilo”. A galera do <em>CQC</em> achou que ela queria algo comigo, e eu acreditei neles! Ela então me chamou pra ir até a casa dela, e eu fui pensando: “Caralho, a Cicarelli me deu mole, é hoje!” Cheguei lá e ela estava com outras quatro amigas vendo televisão, cara&#8230; Frustrante! Não rolou nada. Depois ela arrumou um  namorado e nunca mais falou comigo. Acho que só queria um amigo.</p>
<p><strong>18- As gravações acontecem em cima da hora. Já rolou algum tipo de imprevisto?</strong><br />
Aconteceu um negócio engraçado na estréia da peça <em>Os Produtores</em>. Atrasamos e perdemos a entrada dos convidados, então tivemos que esperar até o fim da peça. Eram duas horas de espetáculo. Resolvemos tomar uma cervejinha por ali mesmo. Aí foi acumulando cerveja atrás de cerveja, caipirinha&#8230;</p>
<p><strong>19- E deu bobagem?</strong><br />
Pior é que não! A equipe toda estava meio alta, mas, sinceramente, foi uma das melhores coberturas que eu já fiz. O fato de o <em>[Miguel]</em> Falabella estar chapado também contribuiu.</p>
<p><strong>20- A saideira: qual o segredo para ser tão cara-de-pau?</strong><br />
O segredo é não entregar que está de sacanagem. Quanto mais natural for a coisa, melhor. Com uma cara de paisagem, você consegue qualquer coisa.</p>
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